Olavo de Carvalho e Jim Jones

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Olavo de Carvalho e Jim Jones
Cídio Lopes de Almeida
em 12 de Junho de 2018

 

 

Comparar pessoas A com B no contexto de disputas de ideias no geral nunca é um exercício positivo. Recentemente li algo que compara Olavo de Carvalho a Jim Jones, aquele religioso de origem norte-americana que fundou uma colônia religiosa onde hoje é a atual Guiana.

 

Olavo de Carvalho, que é um sucesso em vendas de livros e de audiência na internet, pode até ter traços comportamentais que leve a tal comparação, mas nesse sentido, podemos comprar qualquer pessoa com outra. Seja para destacar semelhanças ou dissonâncias.

 

Como já disse em outro texto desse blog, quando inserimos Olavo em nosso site, necessariamente temos certa audiência. O que é verdadeiro, pois se quero também ser visto e divulgar minhas ideias filosóficas, parece-me estratégico colocar o meu livro, sobre Estética e Educação em Nietzsche, ao lado das pilhas de livros do Olavo. Tentativa de pegar carona nele.

 

Para além dessa “vibe” comercial, a qual ao meu ver leva até um Felipe Pondé tecendo comentários sobre Olavo de Carvalho, temos o fato ou fenômeno de comentar Olavo de Carvalho em função de sua aparição na cena pública brasileira. Goste ou não, o moço que se intitulou de filósofo e que se fia na sua produção teórica para tal, aparece e faz parte do debate. Não aparece em vários lugares, mas com certa frequência em lugares alguns jovens da Mackenzie, PUCSP, USP, etc.

 

Olavo corre por fora do mundo acadêmico e em certa medida deixa com inveja os acadêmicos. Afinal, vender 250mil títulos de um livro deixa os universitários mordidos. Até onde sabemos, tal feito editorial difere dos Cury de Ribeirão Preto, pois o campinense tem outros percursos, nomeadamente a internet.

 

E será em função desse meio que me parece que a polêmica seja a gasolina a mover sua carreira de professor “particular” e filósofo. Do ponto de vista lógico, para se lançar no mercado de cursos e livros você procura se diferenciar; ser alguém que tem algo de diferente, um saber específico que justifica adquirir um saber contigo. É o que vemos nos milhares de site e comentários na internet acerca de Olavo. Ainda que esse esforço leve até mesmo a um certo exagero de que não há uma filosofia que não seja a dele, ou que só há uma meia dúzia de filósofos entre nós. Ou ainda, que na USP só houve um livro bom desde a fundação do curso de Filosofia naquela universidade.

 

Exageros que me parecem mais estratégias de propaganda. Esses estereótipos e mesmo simplismos generalistas funcionam muito bem como chamadores de atenção. O público leigo que se interesse por ideias, se sente tocados por tais clichês. A problemática disso é que em dado momento, para produzir bons efeitos em chamar a atenção, você opta por tratar com os medos alheios. Uma instância humana que sempre é terreno das ações políticas, seja elas de esquerda ou direita. E Olavo abusa desse recurso da polêmica, do mistério, do inimigo oculto ou revelado como comunismo, etc. Essa estratégia funciona bem, mas pode perder o rumo e produzir efeitos colaterais que duvido muito serem desejado por qualquer pessoa em sã consciência, incluindo o próprio Olavo.

 

 Por outro lado, a via da polêmica rende vendas de livros e cursos; rende ter mais acessos na internet. Algo sedutor e produtor de dependência econômica, o que pode gerar um circuito sem saída e com vida própria para além do seu iniciador. Essa sedução econômica, essa jogada da polêmica como estratégia para se vender parece ter motivado a filha de Olavo a fazer recente entrevista comentando detalhes “ocultados” de seu pai. Revelando fatos, etc... o que gera mais polêmica e, certamente, mais acessos. Tem pessoas defendendo Olavo, outras justificando que ele foi sim mau pai, mas... e amaciando os fatos escabrosos revelados; como outros atacando... O ponto comum é que o mesmo está sendo posto em questão; alguém tá falado de Kant?

 

Na lógica da polêmica tudo acaba por alimentar o objeto em debate. E isso é o que me parece ser central nesse autor. Não posso afirmar até que ponto essa estratégia externa interfere na própria estrutura do pensamento dele, pois como bom polemista, conheço apenas a parte externa. Nunca li um livro seu.

São Paulo / SP

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Graduação: Teologia (Faculdade Vicentina )
Mestre em Filosofia, com destacada carreira na área educacional, atuando como Professor das áreas de Filosofia e Ensino Religioso para a Educação Básica e Ensino Superior. Na Educação Básica, desenvolve aulas expositivas, utilizando recursos visuais que facilitem a assimilação do conteúdo, como: desenhos, esquemas, características, arquitetura e cores que remetem ao momento histórico estudado, traçando linhas cronológicas a fim de auxiliar a organização das ideias explanadas. Estimula a parti ...
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