Sherlock Holmes e o Método das Hipóteses

Filosofia Básico
Sherlock Holmes e o Método das Hipóteses
Andrei Vaczi
em 02 de Fevereiro de 2015

"Elementar, meu caro Watson!" --- A partir da observação cuidadosa de evidências e pistas, por um lado, e através de procedimentos dedutivos, por outro, poderíamos dizer sem medo de errar que o êxito do método investigativo adotado por Sherlock Holmes reside antes de tudo na capacidade de identificar quais seriam os fatos de maior importância na resolução de um caso. Mas, será que se trata apenas disso? Tentemos elucidar um pouco o que realmente encontra-se em jogo na afamada capacidade dedutiva de um dos mais famosos detetives da história da literatura.

Quando se vê diante de um caso misterioso, qual o procedimento básico de Sherlock Holmes? Antes de tudo, como dissemos, nosso detetive procede a uma coleta de fatos: mas apenas os fatos considerados mais relevantes na solução do enigma em questão. E uma parte muito importante na solução do enigma reside exatamente nisto: saber selecionar os fatos --- ou, numa outra formulação, ter critério na seleção das informações mais relevantes concernentes a um determinado contexto. Mas prossigamos.

Num segundo momento, Holmes passa não só a agrupar os fatos selecionados, mas também começa a analisar todos os fatos considerados relevantes de maneira conjunta, buscando um padrão ou coerência entre esses fatos. Como em "O Cão dos Baskervilles", por exemplo: ele pondera sobre cada pedaço de evidência, constrói teorias alternativas, compara uma com a outra e discerne ou diferencia os pontos essenciais daqueles que seriam inessenciais. Mas não percamos vista os movimentos de Holmes, nem por um segundo: o resultado desse esforço (a solução do caso) consiste basicamente em uma escolha: a escolha daquela hipótese (ou "teoria", podemos dizer) que possui a maior abrangência (ou seja, incorpora o maior número de fatos relevantes) e maior coerência (associa os fatos da maneira mais concatenada possível). E, elementar: ao escolher a hipótese com maior poder explicativo, eis que Sherlock Holmes desvenda mais um caso, eventualmente considerado "insolúvel".

Elementar? Quase, diríamos: mas sem esquecer de levar em conta algo fundamental --- a capacidade de raciocínio e descoberta que pode e deve ser exercitada e praticada por todo aquele que se interessa pelo instigante desafio que consiste na resolução de um grande mistério. Em suma, uma capacidade --- ou habilidade --- que se encontra presente em todos nós.

São Paulo / SP
Especialização: Especialização em Ensino de Filosofia para Professores (UFSCar)
Bacharel em Filosofia pela FFLCH - USP. Especialista em Ensino de Filosofia pela UFSCar. Participação na tradução conjunta do livro de Jean Hyppolite, "Gênese e Estrutura da Fenomenologia do Espírito de Hegel", editado pela EDUSP. Línguas: Francês, Inglês, Espanhol. Alguns de meus interesses: Música, Literatura e Cinema.
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