Hermenêutica Histórica - Wilhem Dilthey

Filosofia Natureza
Hermenêutica Histórica - Wilhem Dilthey
Geronilson da Santos
em 01 de Junho de 2015

A conceituação de Hermenêutica

 

O termo hermenêutica deriva do verbo grego hermeneuein e do substantivo hermeneia, que significam, em sua extensão semântica, algo que “é tornado compreensível”, “levado à compreensão”. Muitos autores correlacionam o termo ao deus grego Hermes, o mensageiro dos deuses - a quem se atribui a origem da linguagem e da escrita -, que tinha o dom de permitir às divindades falarem entre si e também aos homens. De uma forma ou de outra, fato é que o termo está diretamente associado à idéia de compreensão de algo antes ininteligível.

Inexistiu ciência autônoma hábil a desenvolver métodos que levassem à correta interpretação, até o século XVII. Neste período, embates havidos entre católicos e protestantes remontados à reforma religiosa conscientizaram a necessidade de se desenvolver uma ciência capaz de interpretar com maior verdade possível. Vale citar que tal necessidade se viu inadiável a partir da divulgação do princípio scriptura sola, mediante o qual Lutero afirma que a Bíblia deve ser interpretada por si só, contrariando a Igreja Católica que se dizia a única capaz de interpretar a Escritura. Com efeito, em primeiro momento, a Hermenêutica passou a servir de auxiliar da Teologia.

 

Pensamento moldado

 

1)                 Wilhem Dilthey

Traz a base do pensamento fenomoenológico moderno.

1º momento) situa a Hermenêutica como ciência do espírito (versus as ciências naturais).

Ciência do espírito                                         ciências naturais

Compreensão                                                 explicação

Apreensão de sentidos                                              elucidação da natureza

 

Teorias:

- não se pode colocar o pensamento acima da realidade

- as concepções do mundo são efêmeras e relativas

- o conhecimento histórico relativiza o saber e anula toda pretensão de validade universal que a filosofia e a hermenêutica buscam conferir ao pensamento

- a hermenêutica não é simples compreensão, mas autocompreensão

 

O SER É HISTÓRICO

 

A autocompreensão se faz por meio da leitura histórica do homem

Metodologia hermenêutica de Dilthey:

- interpretação do contexto do indivíduo

- o pensamento não é absoluto

- a hermenêutica deve se utilizar da simpatia universal (abertura para novos conhecimentos e novas experiências)

 

A INTERPRETAÇÃO É GUIADA PELO HOMEM HISTÓRICO

 

- cuidado com os limites de seus horizontes!

- o sentido do todo a partir das partes, cada qual com sua individualidade histórica.

 

Hermenêutica de Dilthey assume o estatuto de um método de conhecimento especialmente apto para dar conta do facto humano, irredutível em si mesmo aos fenómenos naturais. O texto a interpretar é a própria realidade humana no seu desenvolvimento histórico. Aplicado ao estudo da ação histórica, o acto hermenêutico deve permitir restituir por assim dizer “do interior” a intenção que guiou o agente no momento em que ele tomava tal decisão, e permitir assim alcançar a significação desta acção. Dilthey introduz com efeito um postulado: “A riqueza da nossa experiência permite-nos imaginar, por uma espécie de transposição, uma experiência análoga exterior a nós e compreendê-la...”. Se nos é possível compreender o outro, é porque temos a possibilidade de imaginar a sua vida interior a partir da nossa, por uma transposição analógica.

 

Vida, vivência, consciência e identidade do Eu.

 

Segundo dilthey a vida se constitui de consciência, autoconsciência, experiência e com vivência.

Dilthey afirma que a experiência é vivida na consciência. Ao contrário de Descartes, dos empiristas, de Kant, e de Hangel, procura garantir a unidade da experiência de vida através do que chamo o fato da consciência. Esse fato nos garante que tudo que experenciamos é imediatamente consciente para nós, independente de refletirmos sobre ele. O fato de eu ouvir uma música independe do fato de que eu pense que estou agora ouvindo uma música. Dilthey denomina, além disso de Innewerden” o ato de ouvir e ao mesmo tempo se tomar consciência e ato da consciência não se distinguem como sujeito e objeto, mas ambos se apresentam ao mesmo tempo para a consciência.  A vida se apresenta como um fluir dos atos da consciência. Na vida está incluída a existência, pois tudo que se dá para a consciência: sejam objetos, pessoas, sentimentos, ideias, são vivencias. Sem vivencias, portanto, não há sentido. O que dá unidade às vivencias ou experiências de vida é a autoconsciência. Esta significa que no fluir da consciência, num pequeno momento do tempo presente, efetua-se uma síntese para frente e para trás.

Temos assim em Dilthey uma ligação estreita entre vivencias – vida, portanto – e autoconsciência. Ele diz, a vida – compreendida como, totalidade da consciência – é a base do estar consciente, vida, vivencia, os fatos da consciência são a efetividade imediata, mais além delas não se pode ir nem elas podem ser superadas.

Ele ainda admite a existência de uma intersubjetividade da experiência no mundo espiritual. Os homens tem a capacidade de reviver e compreender as experiências dos outros homens a partir dos elementos da sua própria experiência.

 

Estrutura da vida anímica, experiência de vida e experiência do outro.

 

Pensamento, sentimento e vontade são considerados por Dilthey como três formas de comportamentos, que estão intimamente ligados, formando assim uma estrutura da alma.

  1.                  O pensamento, considerado em sua especificidade, não pode ser separado da vida, pois ele não surge depois dela, mas junto com ela. Pensar significa esclarecimento da situação de vida, elevação da consciência sobre ela mesma.

                                                                                            i.                      O pensamento não pode ir atrás da vida para pensá-la.[1]

  1.                  O sentimento além de estar presente nos outros elementos, como já falamos, está relacionado com autoconsciência: uma vez que a autoconsciência é um sentimento do eu, o sentimento também é uma forma imediata de consciência do homem sobre si mesmo. O conhecimento do mundo amplia o horizonte do eu... Ao dizer isso Dilthey coloca o problema da identidade e da individuação do Eu face ao Mundo. Dilthey pensa em um processo de diferenciação do Eu na sua relação com o mundo. O indivíduo é esta inteligência que através da orientação da vontade consciente e da ação, interage com o mundo.
  2.                  Vontade é através dela, o eu pode tomar consciência do outro ou do estranho a si próprio porque este se apresenta como uma outra vontade que se opõe à vontade do eu. O homem é parcialmente determinado pelas suas pulsões, mas adquire liberdade no processo próprio de desenvolvimento. Na experiência do querer, o indivíduo aprende também a encontrar regras, sejam elas regras da sabedoria ou da condução da vida mesma que nos permitem conduzir-nos para uma vida satisfatória.

                                                                                            i.                      Das diferentes possibilidades de satisfazermos nossos impulsos surge a necessidade de escolha. Essa realiza-se na consciência através da reflexão, que avalia as alternativas e relaciona os valores envolvidos. A reflexão termina quando o homem decide por agir de uma forma determinada.

  1.                  Uma vez que a decisão da reflexão, depende de valores e uma vez que estes valores, para Dilthey, são dados socialmente, pode-se concluir que agimos de certa forma em nossa vinculação moral com a sociedade.

 

[1] RELAÇÃO DE DILTHEY COM KANT

Brasília / DF
Graduação: Direito (Universidade Católica de Brasília)
Estudante focado nas áreas de humanas, escreve e estuda com profundidade assuntos voltados para as áreas de filosofia geral e filosofia do direito, assim como História geral e história do direito, estudioso dos movimentos sociais, interativo e extremamente didático com material próprio, oferece ao aluno de Brasília aulas baratas e de extrema qualidade.
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