Esquerda ou direita?
Cídio L.
em 12 de Junho de 2018

 

Como professor de filosofia e suas implicações com a pedagogia, creio que o tema do posicionamento político constitua o centro da nossa ação docente. O mesmo parece não ser o foco para outras matérias e campos do saber. Ao contrário, o simples anunciar quem sou, meu percurso de formação acadêmica ou minha atuação com professor de filosofia, gera, sobretudo nos alunos de graduação, expectativas de certos clichês.

 

A confusão dessa classificação, baseada em clichês, torna-se mais complexa quando também digo que sou formado em teologia. O que evoca logo a ideia de religião ou de alguma militância religiosa na minha ação docente.

 

Com o andamento do semestre consigo desenvolver outras ideias. A primeira é que como docente espero propiciar ao longo do semestre informações que auxiliem a todos e todas a formarem seus próprios juízos sobre os temas. Desenvolvo como fundamento político da minha ação docente a ideia de que não sou “formador" de opinião. Sou formador de pessoas que irão decidir suas preferências estéticas e políticas.

 

Advirto, claro, que liberdade é nossa iniciativa em meio à comunidade. Devo ser livre e a liberdade constitui essencial a nós humanos. Contudo, liberdade humana não é um fluir pelo vaco, mas minha liberdade se dá no encontro com os Outros. E nesse equilíbrio é que vou desconstruindo a ideia de que como professor de filosofia eu seja um “aliciador” para meu partido ou preferências políticas.

 

Estímulo a todos e todas para pensarem com calma sobre os fundamentos de suas preferências. Convido a não só aprofundarem suas ideias prévios, seja elas liberais ou socialistas, mas a dialogarem com aqueles que se apresentam em partido oposto ao meu.

 

Creio que essa seja a função de qualquer docente; não ensinar o pensado, já pronto. Professor que ensina “massete” empobrece a ideia de pesquisa científica. O estímulo deve ser para que os jovens desmonte as ideias, reconstrua as ideias, e decidam em filiar às ideias que eles julgarem pertinente e, sobretudo, considere que há sempre necessidade de novas ideias. E as novas ideias não virão de fora, mas deles mesmos, portanto, incentivo que também aprendam a produzir novas ideias para novos tempos.

 

Por fim, apesar do posicionamento socrático, não deixo de registrar as exigências que temos em apreender as ideias. A não confundir o que eu desejo que seja, com o que está nesse ou naquele registro textual. Podemos e devemos contribuir, mas precisamos ter o cuidado para separar o que é meu desejo e o que as ideias de fulano. Portanto, o estímulo autoral não é “tudo é possível”.

 

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Parnamirim / RN
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