Muitos desenvolvedores enxergam o Azure DevOps (ou qualquer lugar para hospedar código-fonte, como o GIT) apenas como o lugar onde o código é "commitado" ou onde os pipelines rodam. Mas, da perspectiva de quem lidera frentes técnicas em projetos de larga escala, o buraco é mais embaixo. O desafio não é só fazer o deploy; é garantir que a estratégia técnica caminhe junto com a expectativa do negócio.
1. O Azure Boards como bússola de Roadmap
Como Tech Lead, meu maior desafio não é saber como cada linha de código é escrita, mas sim garantir a visibilidade do progresso. Em ambientes complexos, com múltiplas frentes, o uso estratégico do Azure Boards é o que separa um projeto organizado de um incêndio diário.
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O foco não é a tarefa, é o fluxo: Mais do que mover cards, o Boards serve para identificar gargalos antes que eles virem um problema de prazo.
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Alinhamento técnico: É onde transformamos um "desejo de negócio" em um roadmap técnico viável, quebrando épicos em entregas que o time consiga digerir sem perder a qualidade.
2. Governança e Padronização via Pipelines
Quando falamos em escalar operações, a padronização deixa de ser uma "boa prática" e vira sobrevivência.
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Pipelines como guardiões: O papel do Tech Lead aqui é desenhar fluxos de CI/CD que garantam que nada vá para produção sem passar pelos critérios mínimos de segurança e qualidade.
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Automação para ganhar tempo: A automação não serve apenas para ser "rápida", mas para ser repetível. Se o processo de build e teste é sempre o mesmo e está automatizado, eu consigo focar o time na resolução de problemas complexos, e não em tarefas manuais que geram erro humano.
- Indicadores de qualidade: A azure, principalmente pensando para estar conectada com um Quality Gate, exemplo Sonarqube, é possível acompanhar indicadores e KPIs de tecnologia e ajuda-los a crescer, trazendo mais qualidade para o produto final.
3. A Previsibilidade como métrica de sucesso
No final do dia, o que o stakeholder quer é saber quando a solução estará no ar. O Azure DevOps fornece os dados para que eu possa responder isso com segurança.
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Dados reais vs. Estimativas: Olhar para a velocidade do time e para o histórico de entregas me permite ajustar o planejamento em tempo real.
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Cultura de transparência: Quando o Azure é bem utilizado, não precisamos de reuniões infinitas de "status report". O sistema é a fonte da verdade.
Conclusão
Liderar a arquitetura técnica de grandes sistemas exige menos "mão na massa" no sentido de codar cada funcionalidade e muito mais visão sistêmica. O Azure DevOps, quando usado como ferramenta de governança e planejamento, é o que permite que um Tech Lead mantenha a integridade do sistema enquanto o projeto cresce. É sobre criar um ecossistema onde o time tem autonomia, mas o processo tem controle.