A massa de pizza

Pedagogia
A massa de pizza
Fábio Gonçalves
em 31 de Março de 2015

Recentemente, dando aulas aos meus alunos de cursinho pré-vestibular, cheguei a devaneios que me fizeram compreender melhor meus próprios objetivos enquanto professor.

Sempre tive professores de português que me afastaram da disciplina. Na verdade, por causa disso eu acabei perdendo totalmente o interesse pela linguagem, sem expectativa de compreender a matéria. Então, mais tarde, quando a situação se inverteu e eu acabei por me tornar professor de português, isso acabou por gerar em mim grande empenho em mudar essa realidade.

Foi então que eu percebi que os professores partiam simplesmente de suposto pré-conhecimento da parte dos alunos e despejavam toneladas e toneladas de conteúdos. Tentavam "enfiar" no aluno tudo de uma só vez, a partir de seus métodos antigos que vinham desde seu tempo. Logicamente, isso não dava certo. A mente do aluno começava a ficar tão cheia que este não conseguia mais associar novos conhecimentos, então ele se esquecia dos anteriores para aprender os novos, mas esses anteriores eram fundamentais para se compreender os novos, o que provocava, além dessa bagunça de raciocínio, uma situação em que o aluno acabava por não compreender mais nada.

Daí eu pensei que, se o aluno se familiarizasse mais com a linha de raciocínio que os linguistas teriam até chegar às conclusões que são ensinadas, ele também seria capaz de chegar a essas conclusões. Ensinar mais os meios ao invés dos fins, a produção do pensamento e não os pensamentos prontos. Com isso, ainda que eu não tivesse tempo hábil de apresentar todos os conteúdos, o aluno seria capaz de chegar a essas conclusões sozinho, de acordo com as linhas de raciocínio que ele aprendeu a desenvolver.

Mas essa filosofia de ensino já é bastante conhecida, não é nenhuma grande descoberta de minha parte. Eu apenas consegui elaborar uma metáfora pertinente a isso. Eu via sempre os professores buscando colocar um funil na cabeça dos alunos para conseguir colocar todo o conteúdo, isto é, admitindo a que a cabeça ainda não estava grande o suficiente para suportar mas, ainda assim, faziam força para inserir tudo lá dentro. Então me dei conta de que, quando se faz uma pizza, não adianta querer recheá-la com enquanto sua massa ainda é apenas uma pequena bolinha. É necessário expandir essa massa, ampliar sua área para que, assim, essa possa receber mais recheio.

Creio que deva ser assim nosso trato com os alunos. Não querer fazê-los assimilar todo os conteúdo do jeito que eles estão, mas, antes, ampliar sua capacidade de receber o conhecimento, isto é, tornar perceptíveis as linhas de raciocínio que lhe darão a capacidade de, sozinhos, chegarem às conclusões certas.

Campinas / SP
Graduação: Letras (Licenciatura) (UNICAMP)
Sou graduando em Letras pela Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, e professor de cursinho pré-vestibular. Sou especialista no ensino da língua portuguesa, mas quebrando os paradigmas construído pela maioria dos professores de português, trazendo uma visão mais próxima à linguística e abrindo a mente para entender a língua de forma diferente.
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