A "psicologia do dinheiro"...
Nildvan C.
em 13 de Abril de 2016

 

Dinheiro tem valor no tempo!

 

Essa é a clássica afirmação, presente em qualquer livro ou conversa sobre finanças. Entender o fundamento dessa assertiva é preparar os alicerces para construir toda a lógica financeira. A questão de fundo é saber por que dinheiro tem valor no tempo.

O dinheiro é o elo na relação entre poupadores e tomadores de recursos. A dinâmica entre eles é estabelecida através da taxa de juros. Portanto, a partir da compreensão  do papel de cada uma dessas figuras, podemos entender a lógica do valor do dinheiro no tempo.

 

PERFIL DOS AGENTES

Poupadores são agentes econômicos, pessoas e instituições, que têm um orçamento superavitário, ou seja, na gestão das suas contas, eles são capazes de gerar excedentes em relação aos seus gastos. Poupadores têm disponibilidade de dinheiro.

Tomadores, por outro lado, têm orçamentos deficitário, ou seja, suas contam apresentam saldos negativos. Tomadores têm necessidade de dinheiro.

Dificilmente um agente é somente poupador ou tomador. É provável que, a qualquer tempo, um agente que tem histórico de poupador, seja eventualmente tomadar e vice-versa. Isto posto, a questão relevante é entender por que alguns agentes são capazes de poupar dinheiro e outros não.

Pessoas são diferentes. Têm valores e expectativas diferentes.Algumas, por natureza, são avaras. Outras zelam pelo equilíbrio financeiro porque são prudentes. Outras ainda, porque simplesmente adiam o consumo. E há aquelas que vislumbram oportunidades de ganhos futuros com seu excedente.

Os pródigos não tem nenhum apego ao dinheiro, são imprudentes e consumistas.

Mas há agentes que demandam recursos, não para financiar o consumo exagerado ou irresponsável. Por algum motivo querem antecipar seu consumo, de forma planejada, ou são idealistas e empreendedores, criam projetos e não dispõem de recurso para financiá-los.

 

PRÊMIO À VIRTUDE

Adiar o consumo ou deixar de consumir é tarefa difícil. O consumo é fonte de prazer e sacia necessidades físicas e psicológicas. Quem nunca se deparou com um irresistível passeio ao shopping center. Quem consegue escapar dos "pop-ups" que oferecem toda sorte de vantagem ou ofertas de produtos.

Resistir ao consumo ou, antes, à tentação de comprar, é tarefa extremamente difícil que requer disciplina, determinação e, porque não dizer, uma escala de valores bem definida.

Se entregar às compras e ao consumo, numa sociedade como a nossa com forte apelo hedonista, é tarefa hercúlea.

Pagar juros é uma forma de recompensar que tem disciplina financeira. Um prêmio à virtude!

 

COMPONENTES DA TAXA DE JUROS

A taxa de juros, inicialmente, é a medida do prêmio que tem o poupador por oferecer seus recursos, é uma remuneração pelo uso do seu dinheiro. Na outra face ela é o preço pago por quem não consegue equilibrar o seu orçamento.

Porém, existem outros fatores que interferem no preço do dinheiro.

A vida de quem não tem dinheiro não é fácil! Precisa se socorrer com quem tem e pagar um preço por isso.

Parece absurdo, mas não é menos difícil a vida de quem tem dinheiro! Senão vejamos:

Guarda - O primeiro problema é encontrar uma forma de guardar de maneira segura, longe dos olhos dos ladrões.

Sigilo - Depois, é prudente se manter calado sobre a sua existência pois o assédio dos amigos e parentes tende a ser grande com apelos de ajuda.

Risco de crédito - Há ainda o risco de emprestar o dinheiro e não tê-lo de volta, ou de receber apenas parcialmente, com o dissabor de perder o dinheiro e a amizade.

Inflação - Outro aspecto importante diz respeito ao fato de que os preços relativos da economia são instáveis. Um produto ou uma cesta de produtos, tem seus preços alterados constantemente em função dos motivos mais diversos.

O que uma certa quantia de dinheiro pode comprar hoje, pode não ser suficiente para comprar amanhã. Particularmente numa economia inflacionária com a brasileira, assistimos à corrosão do poder aquisitivo da moeda. Já tivemos momentos da nossa história em que houve taxa de inflação mensal acima de 80%.

Risco de Mercado – Há momentos em que há muita procura por dinheiro, mas há também momentos em que a demanda diminui muito. Existem períodos que, por vários motivos, sobra  recursos, não havendo interessados em tomar dinheiro emprestado.

Veja o caso da imensa massa de recursos que procuram os títulos do tesouro americano, mesmo com remuneração negativa.

Tributação – O Estado é um grande agente tomador de recursos. Uma parte desses recursos ele faz de maneira compulsória através de impostos, taxas e contribuições. Ao longo do tempo os desajustes fiscais (governos sucessivos têm gastado muito mais do que arrecadam) têm estimulado uma tributação ascendente.

 

TAXA DE JUROS DE EQUILÍBRIO

A taxa de juros é a combinação de todos esses componentes, expressa através de um percentual.

Há um erro clássico em pensar que para o poupador quanto maior a taxa de juros, melhor. E que para o tomador quanto menor a taxa de juros, melhor.

Basta imaginar uma situação em que a taxa de juros seja a maior. Haveria tomadores interessados em tomar recursos tão caros? Se tomassem, eles teriam capacidade financeira de pagar?

Por outro lado, tomemos a menor taxa de juros. Haveria poupadores dispostos a emprestar seu dinheiro? Qual seria a motivação para correr o risco de não receber seu dinheiro, mesmo pagando tributos?

A taxa de juros ideal é aquela que estimula o poupador a oferecer recursos, remunerando-o de forma justa e que, ao mesmo tempo, torne atraente para o tomador consumir ou investir, sem inviabilizar a capacidade de honrar o pagamento.

 

É a partir desses elementos que podemos entender a Matemática Financeira e o mundo das Finanças.

 

 

São Paulo / SP
Especialização: CEAG - Curso de Especialização para Graduados (FGV / EAESP)
Graduado e pós-graduado em Administração de Empresas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas - EAESP/FGV Ex-professor do SENAC e da UNICID nas áreas de Administração e Contabilidade.
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