Aprendizagem eletrônica. Saindo do Universo para o Cosmos.

Pedagogia
Aprendizagem eletrônica. Saindo do Universo para o Cosmos.
Giuseppe Stephan
em 20 de Outubro de 2014

Aprendizagem eletrônica. Saindo do Universo para o Cosmos.

A definição das palavras tem fundamental importância na transmissão do conhecimento (ver “dicotomias do cognitivo” no ANEXO-I). Portanto, espero que ao fim desta leitura você compreenda que a palavra “universo” é carregada de uma visão geocentrista e também egocentrista. Observe quem leciona nas universidades. A grande maioria acredita que tudo versa em torno de si. Que estão no centro do universo e deste ponto podem conhecer tudo o que existe.

Quero transmitir a ideia de que o conceito de mundo que as gerações passadas criaram realmente esteja nas vésperas de seu fim. Quero contribuir com o desmonte deste conceito errado e ajudar a construir um completamente novo e atualizado.

            Ao longo da evolução das sociedades o conhecimento sempre foi a maior riqueza. Os historiadores atribuem nomes como idade das pedras, idade dos metais ao domínio de técnicas de uso de determinados materiais. Ilusoriamente podemos pensar que o valor está nos materiais e não no conhecimento de como empregá-los na solução dos problemas enfrentados pela humanidade em cada época. Os grupos que detiverem o conhecimento sempre exercerão liderança e domínio sobre os demais. Portanto, é fator primordial para o exercício do poder e manutenção da soberania o domínio de técnicas de processamento de dados para convertê-los em informação e de análise de informações para transformá-los em conhecimento. No passado, o conhecimento estava concentrado e resguardado pelos indivíduos que detinham o poder. O que chamamos de idade da pedra lascada, da pedra polida, do fogo, dos metais e recentemente das revoluções industriais indicam a importância do conhecimento das técnicas necessárias para o domínio dos indivíduos detentores do poder sobre os seus semelhantes. Gostaria de lembrar aqui quão maléficas são a concentração e manipulação do conhecimento pelos indivíduos egocentristas. Erastótenes já havia calculado o raio da Terra e os gregos já buscavam explicações para o movimento errante dos planetas muitos séculos antes de Cristo. Com o domínio da reprodução dos livros pelos monges, a igreja difundiu o conceito de uma Terra plana em que tudo versava uniformemente ao seu redor. Quem contrariasse tal ideia ameaçava o poder que o clero possuía e era considerado impertinente. A transmissão do conhecimento perigosamente levava sucessivas gerações a um desperdício de tempo e energia com o único intuito de preservar o clero e a nobreza no poder da civilização ocidental.

No Oriente, de religião budista, a criatividade era visivelmente maior proporcionando invenções como a bússola e a pólvora. Porém, o sistema de escrita não fonético e um sistema de numeração não posicional, dificultavam a transmissão do conhecimento de uma geração para outra. A imprensa já existia no oriente, porém, era manual.

Com o iluminismo, o ocidente abriu caminhos para a difusão do conhecimento. A máquina a vapor mecanizou a imprensa e o custo dos livros caiu permitindo que parcela maior da população tivesse acesso ao conhecimento armazenado durante a existência de nossa espécie na Terra.

Perguntei para minha mãe, ex-professora primária, o que era ensinar. Ela prontamente me respondeu que a melhor maneira de ensinar era dar o exemplo. Conclui que o método antigo consistia no aluno (estudante) copiar os modelos do professor (ensinante). Desta forma o conhecimento humano estabiliza e dificilmente progride, pois, somente é valorizado o que reproduz fielmente o modelo ensinado.

Acredito que o verdadeiro professor, profere que a busca da verdade é interminável e junto ao aluno desenvolve métodos para confirmar teorias ou criar novas quando as existentes perdem a lógica.

Neste novo conceito a figura do ensinante desaparece e todos, alunos e professores se tornam aprendizes. A educação deixa de ser centralizada em uma classe dominante e passa a ser direcionada para a solução de problemas reais, verdadeiros.

Você agora ficou desnorteado? Desorientado? Se sim não se culpe. Observe que os termos aqui empregados, também são carregados de conceitos antigos que divulgavam que a única civilização adiantada se encontrava na Europa e que os navegantes saindo pelo Atlântico, deveriam saber onde estava o norte e o ocidente, pois, caso contrário, não mais se encontrariam.

Para navegar em busca da verdade nada melhor que não estar atrelado, aprisionado em culturas preconceituosas.

Você deve estar se perguntando: Quem dará o rumo desta navegação? Para onde irá o conhecimento humano assim tão livre? Embebido deste novo conceito de educação respondo tranquilamente que também não sei, porém, sugiro que direcionemos nossos esforços para a solução dos problemas reais do nosso cotidiano. A frase “pensar globalmente e agir localmente” me parece a mais adequada para o novo modelo educacional.

Algo semelhante ao que ocorreu no século XVI provocado pela imprensa de Gutemberg, ocorre hoje com a redução de custo dos computadores seguindo a Lei de Moore. A redução de custos das comunicações parece seguir progressão também geométrica decrescente.

Cabe aos educadores criar um ambiente que favoreça a aprendizagem. Desta forma a sociedade se solidificará naturalmente (ver analogias no ANEXO-II). O ambiente determina o comportamento das massas. O mesmo público que usa o trem em São Paulo frequenta o Metro. O comércio ambulante é tolerado no interior dos vagões do trem e inexistente nos do Metrô. Existe algum professor, líder, ditador que determine o comportamento deste público? As regras de convivência emanam de um único ponto central? Acredito que não. Para mim a ordem no Metrô existe, pois, cada individuo percebe a posição que deve assumir.  

Neste novo conceito de transmissão do conhecimento, nada versa de maneira única em torno de uma classe dominante, mas tudo está cosmeticamente harmonizado e todos se sentem bem.

Se você leitor for um colega mestre ou professor, por favor, não se desespere. Apesar da transmissão do conhecimento ter fugido do nosso domínio, a transmissão do saber ainda não. Aquela clássica pergunta de nossos alunos: “O senhor também trabalha ou fica só aí dando aulas?” agora faz todo o sentido. Nossos alunos desejam obter de nós o nosso saber, pois, nosso conhecimento já está para eles disponível na internet. O aluno de medicina cirúrgica deseja saber operar, o de natação saber nadar, o de direção saber dirigir o de engenharia saber projetar e construir.

Saíamos do Universo e entremos para o Cosmos.

ANEXO I -  DICOTOMIAS do COGNOSCÍVEL

 

Afirma Stephan (2009) que conforme observado na Figura 1 - A Qualificação de afirmações tenta fundamentar todas as suas evidencias em Seres Reais VERDADEIROS, Seres Ideais PERTINENTESe Valores CERTOS, pois somente assim nossa mente aceitará completamente todos os seus elementos. Quanto maiores forem as evidências formuladas com Seres Reais VERDADEIROS, mais bem qualificada será a afirmação, e portanto, aceita por um maior número de leitores. (Stephan, 2009)

 

 

 Dicotomias do cognicível

 

Fonte:  O PAPEL ATUAL DOS CENTROS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DAS FORÇAS ARMADAS PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA, 2009, Escola de Guerra Naval.

Figura 1 - DICOTOMIAS do COGNOSCÍVEL

  

 

 

 

 

ANEXO II -  ANALOGIAS.

            De acordo com Stephan (2009), existe uma Analogia entre Estados da matéria e Sociedades ; entre  Características das moléculas e a  Idade mental dos indivíduos conforme observado na tabela 1.

 

 

 

 

Tabela 1 - Quadro de Analogia

Analogia entre Estados da matéria e Sociedades ; entre  Características das moléculas e a  Idade mental dos indivíduos.

{ Extensivas }

[ macroeconomia  ]

{ intensivas }

[ microeconomia ]

{ Estados da matéria }

[ Sociedade ]

{ Características das moléculas }

[ Idade mental dos indivíduos ]

{ Gasoso: as moléculas se afastam uma das outras buscando ocupar o maior espaço possível. Assume forma e volume de acordo com o continente e a pressão por ele exercida. }

[ Anárquica. Primitiva.

Não possui memória e a cultura é a do momento.

Ninguém desfruta da liberdade, e esta é tão cobiçada que os indivíduos não se contentam com a própria e invadem a dos demais.]

{ Os elementos químicos de valência zero, por ter a última órbita de elétrons completa (gases nobres) e as moléculas de baixo peso molecular oferecem resistência para sair do estado gasoso. Não existem ligações entre as moléculas }

[ Primeira infância (egocêntrica), cada indivíduo se preocupa apenas com o seu bem estar sem nenhuma preocupação com os seus semelhantes. ]

 

{ Líquido: as moléculas estão presas entre si, porém, sem orientação fixa. Apesar do volume ser constante, a forma é dada pelo continente. }

[ Tirania, Ditatorial, Autoritarismo. Regime de Fato. Regime Fechado.

A liberdade, é tão limitada que os indivíduos médios nem tocam na dos demais.]

{ligações fracas entre as moléculas}

[ Fase escolar.

   Segunda infância. 

O indivíduo aceita e obedece as normas impostas por um professor ou algum adulto.  Existe a vigilância mutua, porém, de acordo com regras impostas. ]

 

{ Sólido: as moléculas estão presas entre si com orientação fixa. Volume e forma próprias. }

[ Regime Livre. Regime de direito. Democracia.

A liberdade de um indivíduo termina no limite onde inicia a do outro.]

{ ligações fortes entre as moléculas.}

[ Fase adulta. Os indivíduos discutem e definem de comum acordo as regras e passam todos a obedecê-las. ]

 

Fonte:  O PAPEL ATUAL DOS CENTROS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DAS FORÇAS ARMADAS PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA, 2009, Escola de Guerra Naval. (Stephan, 2009)

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

STEPHAN, G. M. (2009). O PAPEL ATUAL DOS CENTROS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DAS FORÇAS ARMADAS PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA. Monografia . Rio de Janeiro: Escola de Guerra Naval.

 

 

 

Teresópolis / RJ
MBA: Gestão da Manufatura e Manutenção (Escola Politécnica USP)
Iniciou atividades técnicas com 16 anos de idade como estagiário da Eletrobrás Furnas quando cursava o segundo ano da Escola Técnica Federal. Possui graduação em Engenharia Elétrica ênfase em Eletrônica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro(1986). Durante toda a graduação, trabalhou como técnico em eletrônica em meio expediente na COPPE Biomédica. Possui Mestrado em Física Aplicada a Medicina e Biologia pela Universidade de São Paulo (1996). Sua tese de Mestrado se tornou uma linha de ...
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