Educação levada a sério?

Filosofia Vestibular
Educação levada a sério?
Guilherme A.
em 24 de Março de 2015

Dizer que a educação brasileira é falha até soa clichê, mas é um fato do qual poucos vão discordar. Reflexo disso é o aumento anual do brasileiro no ensino privado, que, teoricamente, tem uma proposta melhor por ter à disposição profissionais mais aptos.

O principal método de avaliação usado pelas instituições é a prova escrita, onde o aluno é submetido a uma série de questões das quais precisará do conhecimento dado em aula para responder. O resultado parece simples: se a resposta não estiver de acordo com a aula, o aluno não aprendeu. Mas há muitos fatores a serem considerados.

Observa-se que o sistema de ensino atual é impositivo. São poucos os alunos que vão à escola porque querem aprender. Isso gera um ponto psicológico negativo, ou seja, uma repulsão pelo fato de serem obrigados a fazer algo que não gostam (e em tempo integral). A imposição colabora para a grande dificuldade dos educadores de transmitir informação.

Há uma preocupação muito grande com o futuro. Diria Schopenhauer que manter em mente apenas o que está para vir é ilógico, pois a expectativa geralmente não é a que se deseja. E assim se vive fazendo planos, ou seja, não se vive. Por outro lado, pensar apenas no presente chega a ser uma irresponsabilidade no mundo moderno. O passado serve de experiência, mas não de bloqueios. O problema da vida profissional está no desequilíbrio dos três tempos, o que é um desafio grande para os jovens.

Quando se exagera ao tratar da dificuldade da educação ou trabalho, inibe-se a inovação, pois cria receios da expressão de novas ideias. Sem inovar, o profissional fica desatualizado, e a sensação de sucesso fica mais distante, dando espaço à frustração, sendo mais um ponto negativo. Com isso, a experiência passada pode se tornar um bloqueio evidente, na educação, com a dificuldade na disciplina de matemática.

Chega, então, o vestibular. Os adolescentes são obrigados a fazer uma decisão que poderá mudar completamente o rumo de suas vidas. Para piorar, sem experiência de vida suficiente. Escolhas erradas são feitas, e novamente se dá abertura para a frustração.

Percebe-se que em momento algum foi dada ao aluno a liberdade de escolha, seja ela pela imposição, censura ou pressão. Forma-se um cidadão frustrado na tentativa de alcançar o sucesso e que vai, involuntariamente, contribuir para a continuação deste ciclo vicioso. Se ao jovem é dada a voz, permite-se um maior conhecimento de sua carga cultural, o que para o educador é uma ferramenta extremamente valiosa. Assim, não é preciso impor uma ideia, mas sim mostrá-la seja vista de vários ângulos. Um pensamento compreendido torna-se fácil. Perde-se, então, a preocupação excessiva com o futuro, pois o caminho, antes difícil, foi compreendido, e nota-se que não existe apenas um.

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