ESCOLA EM DIALOGO COM DIFERENTES CULTURAS

Multiculturalismo

História
ESCOLA EM DIALOGO COM DIFERENTES CULTURAS
Karina Gadelha
em 17 de Julho de 2018

 ESCOLA EM DIALOGO COM DIFERENTES CULTURAS

Resumo:o presente artigo apresenta observações pertinentes a forma como a escola dialoga com as diferentes culturas inseridas em seu contexto, levando em conta suas peculiaridades presentes em cada aluno. Foram feitas leituras de trabalhos com a seguinte temática, como também levadas em conta as observações feitas em escolas do ensino fundamental. Foram analisadas a formulação do currículo escolar baseados nos PCN’S como forma a articular cultura as disciplinas escolares. Contudo, as diferenças culturais na escola tendem a serem discutidas com maior sensibilidade, porém baseadas em conteúdos livrescos que por muitas vezes hierarquizam determinadas culturas em detrimento a outras, as escolas buscam articular conteúdos disciplinares a face cultural atual.

 

Palavras-chave: Escola, multiculturalismo, diferenças, 

 

                         1  INTRODUÇÃO 

 

 

A cultura condiz a todo um complexo de conhecimentos produzidos pelo ser humano. O conjunto de vida que ao longo do desenvolvimento social, ganha peculiaridades próprias de cada meio ao qual o homem esteja inserido, com isso vemos a cultura ganhar uma roupagem múltipla, de rostos diversos, não padronizada, multicultural.

Essa cultura adentra no ambiente escolar intensamente, levando a importância da escola estar preparada para lidar com tamanha amplitude cultural. Assim, com tanta cultura presente, ocorre o interesse de conhecer como a escola dialoga com diferentes culturas, tendo em vista a importância de se evitar conceitos intolerantes. Com isso buscamos entender a forma como o currículo contempla o olhar sobre a diferentes culturas, baseados nos parâmetros curriculares nacionais, que nos trazem a cultura como tema transversal, tendo que ser articulado às demais disciplinas escolares.

 

 

                         2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

 

Numa conjuntura social permeada de multiculturas, podemos perceber na escola, cada vez mais presente em seu contexto, diversas culturas interligadas a um contexto social. Nesse sentido, temos observado o crescimento da “pluralidade de culturas, etnias, religiões, visões de mundo e outras dimensões das identidades infiltrasse, cada vez mais, nos diversos campos da vida contemporânea” (MOREIRA, 2001, p. 41).

Com o multiculturalismo e sua diversidade na sociedade em que vivemos observamos que cultura precisa ser incluída e valorizada no currículo e nas práticas pedagógicas da escola. Não de forma a hierarquizar conhecimentos humanamente construídos, mas um olhar baseado nas diferenças sobre o conhecimento e a forma como se articulam para a construção de uma sociedade diversa. Estamos constantemente diante desta realidade, e é de suma importância que se faça necessário para uma plena inclusão dos discentes em qualquer que seja sua realidade cultural, religiosa e étnica. Assim, multiculturalismo surge como um conceito que permite questionar no interior do currículo escolar e das práticas pedagógicas desenvolvidas, a “superioridade” dos saberes gerais e universais sobre os saberes particulares e locais. (MOREIRA, 2001, p. 41).  

Com base nisso, os parâmetros curriculares nacionais (1998) nos trazem elementos norteadores para estabelecer uma relação multicultural entre escola e sociedade. Tendo em vista sua complexidade, sabemos que é uma abordagem que possui

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grande potencial no território nacional, pautada no social, cultural e individual. Portanto, trabalhar aspectos culturais na escola interliga passado histórico e atual, considerando o processo de miscigenação, desde anterior a chegada dos europeus, quando viviam somente indígenas no território ao tempo da vinda de escravos e imigrantes. 

Por isso, a escola aproxima os conhecimentos culturais atuais com a formação histórica, com os conteúdos servindo de suporte para que o docente contemple a abrangência solicitada pelo tema, realizando assim as adequações necessárias aos objetivos que propõem em cada realidade, procurando atender a todas possibilidades de seus alunos. Contudo, não construindo a visão que uma cultura pode ser superior a outra, como muitas vezes conteúdos livrescos tendem a passar uma visão autárquica de determinadas culturas em detrimentos de culturas lidas como minorias, trabalhando sempre na perspectiva que a cultura é algo construído pelo homem, como forma de identidade própria de cada local, região, território. A escola deve ter por objetivo proporcionar e dialogar com a realidade cultural latente em seu cotidiano, proporcionando aos alunos um diálogo aberto sobre diferenças. Mesmo assim, geralmente a escola tende a ter dificuldades em tratar sobre o assunto “diferenças”, como afirmaEmília Ferreiro (2001):

 

 

A escola pública, gratuita e obrigatória do século XX é herdeira da do século anterior, encarregada de missões históricas de grande importância: criar um único povo, uma única nação, anulando as diferenças entre os cidadãos, considerados como iguais diante da lei. A tendência principal foi equiparar igualdade à homogeneidade. Se os cidadãos eram iguais diante da lei, a escola devia contribuir para gerar estes cidadãos, homogeneizando as crianças, independentemente de suas diferentes origens. Encarregada de homogeneizar, de igualar, esta escola mal podia apreciar as diferenças. (Ferreiro, 2001 apud Lerner,

2007, p. 238)

 

 

 

Nesse sentido, a escola atual não difere muito em seus aspectos da escola do passado, continuando a anular as diferenças culturais em sua prática, por este motivo a integração faz-se ainda através da aculturação, tendo que se padronizar diante da cultura dominante mesmo com toda a legislação tratando do assunto. É a realidade que neste momento temos, portanto há que se buscar, e transformar o que for necessário para a plena inclusão e êxito dos discentes, qualquer que seja a sua etnia ou a sua origem social.

As escolas em seu currículo infelizmente continuam aprisionadas nos padrões culturais dominantes, onde os grupos minoritários permanecem sendo excluídos. Sem ter o direito as diferenças, notamos sempre essa exclusão ser justificada pelo conceito de igualdade que devemos ter, como sintetizado pelo professor Antônio Flávio Pierucci, em seu livro Ciladas da diferença (1999), quando fala sobre o direito a ser diferente como humano, porém sendo diferentes em direitos também, de forma a não querer somente uma igualdade em detrimento as diferenças presentes no ser humano, mas uma igualdade que traga o direito a diferença cultural pessoal e coletiva.

 Portanto, a busca pelo direito a ser diferente tem sido presentes na escola, como observado no comportamento e aparências de discentes. Grupos sociais povoam as salas de aula, buscam situar-se no meio social, porém constroem suas identidades

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culturais valendo-se do currículo escolar como meio construtor a seus conhecimentos.

 

 

                         3  CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

No âmbito educacional é cada vez mais intenso a cultura escolar com aspectos tradicionais e dominantes em nossas instituições educativas, fundamentalmente a partir de matriz político-social e através do conhecimento da modernidade, prioriza o comum, o uniforme, ou consideradas como elementos formadores universal, nesta ótica, as diferenças são ignoradas ou consideradas um “problema” a resolver.  Mediante ao progresso e questionamentos pertinentes ao assunto, concluímos a educação nacional tendenciosa a avanços significativos, no que diz respeito aos valores sobre cada cultura, sendo individual, regional ou territorial. Portanto vemos de maneira urgente que a escola incorpore, em seu cotidiano, a vivência de cultura no plural, não de forma somente no que diz os livros didáticos, mas que essa vivência seja baseada no respeito as diversas culturas presentes na sociedade. Assim trabalhando em busca de uma educação que articule a diversidade em sua prática, deixando de ser praticada de maneira homogeneizadora.

 

 

6. REFERÊNCIAS

 

LERNER, D. Ensenãr en la diversidad; conferencia dictada en las Primeras Jornadas de Educación Intercultural de la Provincia de Buenos Aires, La Plata, 28 de junio de 2007. Lectura y Vida, Buenos Aires, v. 26, n. 4, p. 6-17, dez. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v33n118/v33n118a15.pdf acesso em 16 de junho de 2018

 

Moreira, A. F. B. (2001). Currículo, cultura e formação de professores. Revista Educar, Editora da UFPR, n. 17, (pp. 39 – 52), Curitiba, Brasil.Disponível em:https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/3683/1/PaulaRodrigues.pdfacessado em: 16 de junho de 2018

 

 

                  PIERUCCI,     A.F.     Ciladas     da     diferença.    São     Paulo:     Editora     34,     1999.    Disponível    em:

http://www.scielo.br/pdf/es/v33n118/v33n118a15.pdfacessado em: 16 de junho de 2018

 

http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pluralidade.pdfacessado em: 16 de junho de 2018

Natal / RN
Graduação: Licenciatura em Pedagogia (Faculdade Estácio de Sá)
Me chamo Karina, estou em meu penúltimo em licenciatura no curso de pedagoga na Faculdade Estácio Sá Natal no estado do Rio Grande do Norte. Atualmente trabalho como professora em uma escola renomada em Natal. Sinto me realizada nesta escolha, disponível para colaborar na construção do seu conhecimento, desde dos primeiros passos. Fundamental I e II. Ofereço a primeira aula de forma gratuita sem compromisso, para que você tenha a oportunidade de conhecer minha metodologia e meu estilo. Vamo ...
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