Olá isadora.. Na verdade não há conciliação. Para entender esta situação é nessesário ler dois escritos de agostinho. Sobre o Livre arbítrio e Também Confissões. É um exercício de lógica. Temos de entender e perceber que Agostinho é um Teologo antes de ser filósofo, ou seja a filosofia está a serviço da teologia. Assim, usa-se as ferramentas da filosofia para garantir e provar as "verdades' da teologia.. Este post será longo para responder a isso. Podemos fazer uma aula experimental e daí posso lhe explicar melhor. Contate-me e ajustamos.
Vou tentar colocar aqui:
Alguns conceitos são necessarios para entender o pensamento de Agostinho.
1- Deus é eterno, ou seja. Existe fora do tempo. Assim, por estar fora do tempo pode ver o tempo e entender o que ele é. Nós não podemos entender e explicar o tempo, pois estamos dentro dele ( Livro XI - Confissões). Dada esta eternidade, sua onipresença, onisciencia e onipotência advem de sua própria eternidade.
2- Toda a verdade Agostiniana se encontra nas escrituras sagradas (Bíblia). É nela que se encontra toda a verdade teológica e Agostinho usa a filosofia, principalmente a lógica para concatenar e provar as verdades teológicas.
3- Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, ou seja, deu-lhe vida e objetivo, no entanto Deus também criou os anjos que vivem face a face com ele, ou seja, os anjos não tem fé, pois a fé pressupõe acreditar naquilo que não se tem certeza. Adão e Eva foram criados assim também e conviviam com Deus. O que é diferente então? O diferente então é que Deus, fazendo o homem imagem e SEMELHANÇA, deu ao homem algo de si(ruah =soprou-lhe a vida". Este "algo" vem com o direito de escolher, ao qual chamamos de livre arbítrio. Vemos isso nas escrituras quando "podes comer de todas as frutas do jardim, exceto....". Este EXCETO é o que define o livre arbítrio. O Deus de Agostinho propiciou o livre arbítrio através desta escolha.
4- Sua questão é esta: Se Deus é onisciente e sabe tudo, presente, passado e futuro, ele sabem o final, antes do homem haver escolhido. Isto é a Onisciência. A visão de Agostinho dentro das escrituras é que Deus já destinou aqueles que serão "salvos" e aqueles que não serão. Isso advem de sua onisciência e não de nossas escolhas. Agostinho não tem ideia de nosso conhecimento das leis do universo como nós. Hoje sabemos, matematicamente falando, que podemos ter várias dimensões e cada uma direcionadas a partir de nossas escolhas. Não podemos compreender isso pois nos encontramos dentro do tempo, só aquilo que é eterno pode enxergar o todo e, olhando para o futuro vê-se o final do caminho das nossas escolhas.
Pode parecer uma incongruencia, pois você poderia dizer que Deus então não seria onipotente, pois não poderia fazer prevalecer a sua vontade sobre o livre arbítrio humano, e isso é verdade, mas isso não tira a onipotência divina, pois ele, por ser onipotente pode desejar não interferir. Afinal. se ele deu ao ser humano o livre arbítrio, sua interferencia, em qualquer situação, seria uma negação ao proprio direito de escolha. E, se ele deu o Livre arblítrio ao ser humano por amor, por amor não pode interferir. Sua onipotencia permanece. Por isso as igrejas chamam isso de mistério e daí se faz a divisão entre a filosofia e a teologia. A filosofia se limita a teorias e busca a verdade, será sempre uma buscadora da verdade, já a teologia caminha no mistério daquilo que está alem de nossa compreensão.
Espero ter ajudado.