UMA PROPOSTA PARA O ENS DE FÍSICA: HISTÓRIAS EM QUADRINHOS.

Este trabalho visa incorporar o processo de aprendizagem por meio da linguagem própria, descontraída e acessível desse gênero textual.

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UMA PROPOSTA PARA O  ENS DE FÍSICA: HISTÓRIAS EM QUADRINHOS.
Victor A.
em 03 de Setembro de 2021

UMA PROPOSTA CIÊNCIA-TECNOLOGIA-SOCIEDADE PARA O 
ENSINO DE FÍSICA: O USO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS.

Victor Matheus Oliveira de Andrade¹, Luiz Gonzaga Roversi Genovese²
¹Instituto de Física – UFG / victormatheusoa@gmail.com²Universidade Federal de Goiás / lgenovese@uol.com.br

 

Resumo
Este trabalho se desenvolve na disciplina de Prática de Ensino III da Universidade 
Federal de Goiás, e tem como proposta o ensino de Física para o Ensino Médio 
através do uso de histórias em quadrinhos (HQs), visando incorporar o processo de 
aprendizagem por meio da linguagem própria, descontraída e acessível desse gênero 
textual e estabelecer conexões entre ciência, tecnologia e sociedade nesse processo.
Palavras-chave: histórias em quadrinhos, ensino de física, ciência-tecnologia-sociedade.

Introdução

Dentre os meios mais difundidos de informação em massa, pode-se citar revistas, jornais, televisão, internet, livros. Nesses veículos estão inclusas as histórias em quadrinhos, que podem ser usadas para provocar algumas risadas ou o senso crítico do leitor que pode ser uma criança pequena ou um idoso. Considerando-se o formato peculiar desse tipo de história que é narrada por meio de desenhos e textos colocados em sequência, usualmente na horizontal. O grande público, especialmente os mais jovens, que se interessa por esse tipo de arte, o que justifica usar desse tipo de material como meio didático para o ensino de física. De acordo com Vergueiro (2014), os quadrinhos podem ser utilizados para introduzir um tema, ou para aprofundar um conceito já apresentado, para criar um debate sobre um assunto, ou até mesmo para esboçar uma ideia, depende da finalidade didática e do momento que será feito o uso das HQs.

 É necessário fazer uma categorização das histórias, para que seja possível analisar a função pedagógica de cada uma, é bastante interessante discutir o assunto utilizando histórias de super-heróis, em que se pode discutir assuntos de mecânica, óptica e/ou termodinâmica com base no que se passa, debater o porquê aquilo ocorre e se seria possível ou não aquela parte da história acontecer na nossa realidade.Segundo as classificações de Testoni & Abib (2003), a História em Quadrinho 
poderia estar alocada em quatro grupos pedagógicos principais:
a) categoria ilustrativa, cuja principal função é representar de forma gráfica um 
fenômeno previamente estudado, possuindo primordialmente uma função 
catártica; b) categoria explicativa, que possui como principal característica a 
explicação integral de um fenômeno físico, abordando-o na forma de 
Quadrinho. Esta categoria é muito utilizada em campanhas publicitárias que 
almejam conscientização de grandes massas em curto espaço de tempo (gibis 
que abordam o efeito estufa, economia de energia elétrica, dengue, entre 
outros); c) categoria motivadora, a qual tem como objetivo, inserir no enredo da 
HQ, o próprio fenômeno físico, sem uma explicação prévia do mesmo, tal fato 
buscaria motivar o aluno a pesquisar/entender a respeito do tema tratado para 
compreender a narrativa colocada pela História em Quadrinho; d) categoria 
instigadora, que possui como principal característica, a proposição explícita, no 
decorrer do enredo, de uma situação/ questão que faça o aluno pensar a 
respeito do assunto tratado. (Testoni; Abib, 2003, p. 2). 
Nas duas últimas categorias, as HQ de natureza motivadora e instigadora, que este trabalho se desdobrará, com o intuito de relacionar a arte dos quadrinhos e o processo de ensino/aprendizagem. Portanto, será feita uma proposta de utilização desta classe de História em Quadrinho no meio escolar e será verificada a influência deste instrumento no ensino de física.

 

Referencial Teórico


Em frente as pretensões exibidas anteriormente, se faz necessário entender o papel das narrativas no ensino de ciências, pode-se levar em consideração que um dos motivos para que os alunos se sintam tão distante da ciência é de que ela seja fechada, centrada apenas em suas próprias definições. Os livros didáticos endossam essa perspectiva às definições formais, breves apresentações do conteúdo e exercícios desconexos da realidade do aluno ( Calabrese Barton, 1998).

Em estudos mais recentes, trabalhar no processo de ensino/aprendizagem atividades que aproximem a Ciência e o aluno, de forma que esse aluno se aproprie da disciplina. Esse envolvimento leva à construção do que chama “artefatos” que são produções culturais dos estudantes (Calabrese Barton, Tan e Rivet, 2008). Nesse contexto, está inserida a HQ, por meio do processo de recriação de determinadas ideias em linguagem própria, com o interesse de fazer o aluno se apropriar o conhecimento através da sua produção legítima.

 Na obra Pensamentos e linguagem (Vygotsky, 2008), o autor descreve a concepção de conceitos, com distinção entre os conhecimentos construídos na experiência pessoal (conceitos cotidianos), daqueles elaborados na sala de aula (conceitos científicos). Os conceitos cotidianos do estudante podem ser investigados ao limite pelo professor durante a vida acadêmica do aluno, e com isso, correlacionar os conceitos do dia a dia do aluno aos conceitos científicos ensinados na sala de aula, modificando parte da zona de desenvolvimento proximal em um nível de desenvolvimento real. Entretanto, a História em Quadrinho, faz a conexão, quando é utilizada, entre um conjunto de ações cognitivas, que são bastante interessantes de serem investigadas pelo professor, afim de se desencadear no aluno um conflito cognitivo. Para explicar melhor essa linha de pensamento, é necessário se apoiar no referencial construtivista, Teoria de Equilibração Piagetiana e na Teoria da Mudança Conceitual. Baseando-se nestes dois referenciais, de Piaget e da Mudança Conceitual, pretende-se construir um alicerce teórico que tem por objetivo esclarecer a justificativa cognitiva para a utilização de uma História em Quadrinho em sala de aula. A Teoria de Equilibração Piagetiana explora as etapas da construção do conhecimento, de acordo essa teoria, em uma análise sintética, o indivíduo possui um sistema cognitivo que opera através de um processo de adaptação (aproximação do sujeito com o objeto de conhecimento), que pode ser compreendido mais especificamente pelo processo de assimilação e acomodação, segundo o próprio Piaget. Já a Teoria da Mudança Conceitual , se faz presente no momento em que os alunos recriam  ou recriam na História em Quadrinho o significado do que aprenderam durante a aula explicativa do conteúdo ou durante a resolução de exercícios.

Metodologia

 O uso de HQs como ferramentas de suporte as aulas de física será realizada em algumas etapas, primeiramente cabe ao professor selecionar e filtrar as HQs a serem trabalhadas na sala de aula. É importante ressaltar que o intuito não é introduzir um conteúdo por meio das HQs, deve ser feita uma abordagem anterior aos alunos através de uma aula expositiva sobre o novo tema a ser estudado; posteriormente, é necessário analisar quais conteúdos sobre a física podem ser abordados utilizando personagens com “atribuições” condizentes com cada disciplina do curso, por exemplo, poderia se tratar da Teoria da Relatividade quando se ler uma HQ do Flash, ou estudar Eletricidade quando se ler uma HQ do Super Shock.

Feita a análise das HQs a serem utilizadas, o próximo passo seria distribuir aos alunos um questionário sobre o tema a ser tratado na futura história que eles farão. As perguntas a serem respondidas tem por objetivo verificar as noções intuitivas dos estudantes em situações cotidianas que envolvem o tema, tratando de questões teóricas discursivas e também questões onde é necessário utilizar ferramentas matemáticas. Após corrigir e analisar as respostas obtidas, em um terceiro momento, é fornecida aos alunos uma História em Quadrinho que aborda o conteúdo já tratado no questionário.

Após a leitura e discussão da HQ, pode-se seguir duas linhas de atividade, pedir aos alunos para que eles mesmos criem sua própria HQ com base nos princípios físicos já debatidos ou que eles expliquem como ocorre o fenômeno físico que se passa na história, se ele é possível ou não, ou até mesmo para que eles calculem algum dado, por exemplo, pode-se dar alguns dados iniciais, e pedir para que os alunos calculem a força necessária para que certo Super-Herói levante um ônibus.

 Caso seja feita a produção pelos alunos das HQs, pode-se fazer posteriormente a confecção entre os estudantes na própria sala de aula ou em alguma feira de divulgação científica da escola. Vale salientar a possibilidade do trabalho multidisciplinar das histórias, podendo se relacionar disciplinas tais como Arte, Língua Portuguesa e/ou História.

Conclusão

 Pode-se notar que, a partir das reflexões propostas pelas pesquisas acima citadas, não só é possível a realização de pesquisas acadêmicas com histórias em quadrinhos como também é importante que essas pesquisas apresentem dados que apontem sugestões na elaboração de metodologias que utilizem a HQ de forma a priorizar a reflexão em Ciência e que permita aos alunos verem além do humor e do entretenimento. E em todos os estudos apontados neste trabalho, a função do professor no processo de análise, triagem e uso desse material é fundamental para que os equívocos nele presentes não passem despercebidos pelos olhos atentos dos alunos e não tornem a visão da Ciência estereotipada e equivocada. Mesmo no ambiente formal de sala de aula, em contato com os conteúdos curriculares da área de Ciências Naturais, onde os alunos têm a oportunidade de se apropriar dos conhecimentos cientificamente aceitos, orientados pela prática do professor, não se pode ignorar a presença e influência dos mais diversos meios de divulgação da Ciência nesse processo. A história em quadrinhos é apenas mais um desses instrumentos a serviço de práticas motivadoras no ensino de Ciências e que não substitui o livro didático, mas que ao se fazer seu uso correto, pode promover em seus leitores um olhar mais crítico e sistemático acerca das informações recebidas não só pelos quadrinhos, mas por qualquer outro meio de divulgação científica que seja passível de análise e equívoco.

 

Referências

AIKENHEAD, G. O que é o Ensino de Ciências CTS? CTS Educação: Perspectivas Internacionais de Reforma, Capítulo 5. Belo Horizonte, 2000.

CHICÓRA, T.;CAMARGO, S. As histórias em quadrinhos no Ensino de Física: uma análise das produções acadêmicas. XI Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências – XI ENPEC, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2017.

EL-HANI, C. N.; BIZZO, N. M. V. Formas de Construtivismo: Teoria da Mudança Conceitual e Construtivismo Contextual. II Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências.Valinhos, 1999.

GURGEL, I. A Elaboração de Narrativas Em Aulas de Física. Livraria Da Física, 1ª Ed. São Paulo 2017.

MENEZES, L. C.; GONICK, L.; HUFFMAN, A. Introdução Ilustrada à Física, tradução e adaptação de Luis Carlos de Menezes. Editora HARBRA ltda. São Paulo, 1994.

TESTONI, L. A.; ABIB, M. L. V. S. A utilização de Histórias em Quadrinhos no Ensino de  Física. IV Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Bauru, 2003.

VAITIEKUNAS, M.P. As Histórias em Quadrinhos como linguagem e recurso  didático no Ensino de Ciências. VII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Santa Catarina, 2009.

VINHAL,R.S.; SILVA, H. C. A utilização de Histórias Em Quadrinhos no Ensino de Física: Uma Perspectiva Epistemológica Vygotskiana. VI Congresso de Ensino, Pesquisa e Extensão da UEG. Pirenópolis, 2019.

 

Goiânia / GO
Graduação: Física licenciatura (UFG (Universidade Federal de Goiás))
Física - Física em Geral Queda Livre Termometria Energia - Física Acompanhamento em Física Velocidade Física - Eletromagnetismo
Professor de física, matemática e química, graduado em física pela ufg.
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Interessante

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Muito bom

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Parabéns

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