Os cometas pertencem à categoria dos pequenos corpos do Sistema Solar e foram os primeiros objetos celestes a serem identificados como distintos das estrelas e dos planetas, conforme aponta Lazzaro (2010, p. 46–47). A maioria desses corpos está localizada na Nuvem de Oort — uma estrutura esférica que envolve o Sistema Solar a cerca de 50 mil unidades astronômicas de distância. Cada unidade astronômica equivale a aproximadamente 150 milhões de quilômetros, ou seja, à distância média entre a Terra e o Sol.
Além da Nuvem de Oort, há também cometas situados no Cinturão Transnetuniano. Em geral, esses objetos permanecem em órbitas estáveis e distantes da influência direta do Sol, razão pela qual não apresentam cauda nem coma. No entanto, por serem compostos principalmente por água, dióxido de carbono, metano e amônia em estado sólido, além de silicatos, esses corpos podem sofrer perturbações gravitacionais que os desviam de suas órbitas originais.
Quando isso ocorre, os cometas iniciam uma jornada em direção ao Sol. À medida que se aproximam, passam por um processo de intensa sublimação — os materiais voláteis se transformam diretamente do estado sólido para o gasoso — formando a característica cauda e a coma. Esses fenômenos tornam-se mais evidentes quando o cometa atinge a região da órbita de Marte, momento em que se tornam mais facilmente detectáveis em fotografias com tempo de exposição adequado e, em alguns casos, até visíveis a olho nu.
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Outro aspecto importante no comportamento dos cometas é o formato de suas órbitas, como destaca Faria (1987). Durante sua aproximação ao Sol, os cometas podem seguir trajetórias elípticas, o que os caracteriza como cometas periódicos — como o famoso cometa Halley, que retorna a cada 76 anos.
Há também os cometas de longo período, cujas órbitas são extremamente alongadas e quase parabólicas quando observadas da Terra. Esses corpos celestes podem levar milhares ou até milhões de anos para completar uma volta ao redor do Sol. Um exemplo é o cometa Hale-Bopp, cujo período orbital foi estimado em cerca de três mil anos.
Além disso, existem cometas com órbitas hiperbólicas, que passam apenas uma vez pelo Sol e depois seguem para fora do Sistema Solar, como o cometa McNaught. Alguns desses cometas se aproximam tanto do Sol em sua trajetória periélica que podem ser completamente destruídos pela intensa força gravitacional da estrela.
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Os cometas sempre despertaram grande fascínio na humanidade e têm enorme importância científica, pois são considerados verdadeiros fósseis da formação do Sistema Solar — registros preservados que ajudam a compreender a cosmogonia do nosso lar no universo. Ao mesmo tempo, esses objetos também carregam um histórico de temor, devido ao potencial risco de colisão com a Terra, algo que já ocorreu diversas vezes ao longo da história geológica e quase voltou a acontecer em 1994, quando o cometa Shoemaker–Levy 9 passou relativamente próximo ao nosso planeta antes de colidir com Júpiter em julho daquele ano.
Após esse evento, a comunidade astronômica internacional intensificou seus esforços de monitoramento de objetos próximos à Terra. Dessa mobilização surgiram importantes programas de rastreamento, como o NEAT (Near-Earth Asteroid Tracking) e o LINEAR (Lincoln Near-Earth Asteroid Research). Esse movimento também impulsionou a participação de grupos de astronomia amadora, que hoje contribuem de forma significativa graças ao acesso facilitado a equipamentos de alta qualidade e custo acessível. No Brasil, a REA (Rede de Astronomia Observacional) é um exemplo expressivo dessa colaboração, atuando não apenas na detecção de cometas e asteroides, mas também na descoberta de diversos outros tipos de objetos celestes.