Beethoven e as sonatas para piano

Piano
Beethoven e as sonatas para piano
Daniel P.
em 06 de Maio de 2020

Ludwig van Beethoven compôs um total de 32 sonatas para piano entre 1795 e 1822. Um gênero que o compositor trabalhou consistentemente durante sua vida e que foi um veículo para suas ambições criativas. As sonatas para piano acompanharam o desenvolvimento do instrumento que estava ganhando mais extensão e poder sonoro. Dentre as obras do compositor, as sonatas para piano têm o mesmo grau de importância que as sinfonias.

Nascido na cidade de Bonn em 17 de dezembro de 1770, Beethoven demonstrou aptidão para a música desde pequeno e teve as primeiras lições com o pai. O pai, desejava que seu filho fosse reconhecido como um menino prodígio, o obrigava a estudar música por várias horas diariamente. Recebeu instrução do cravista Christian Gottlob Neefe, com quem teve contato com a obra de grandes mestres alemães como Johann Sebastian Bach. Aos 14 anos, Beethoven já trabalhava como organista.

O compositor tinha ido à Vienna aos 16 anos de idade para estudar com Wolfgang Amadeus Mozart. Contudo, o compositor precisou adiar seus planos pois sua mãe estava doente e por isso retornou à Bonn para vê-la. Quando retornou à Vienna, Mozart havia falecido e por incentivo do Conde de Waldstein, Beethoven passou a estudar com Joseph Haydn. Ganhou reconhecimento em Vienna como pianista, principalmente por suas habilidades de improvisação.

A relação com Haydn foi um tanto conturbada, Beethoven chegou a afirmar que não aprendeu nada com o compositor, contudo, é possível reconhecer algumas características da música de Haydn na obra de Beethoven.

Abaixo, selecionei algumas sonatas mais conhecidas de cada período de composição do compositor. Muitos artistas gravaram todas as sonatas, como é o caso do pianista Daniel Barenboim, contudo, a maior parte das gravações não pode ser encontrada no YouTube, e eu quis incluir apenas gravações que incluíssem vídeo. Por esta razão, nos vídeos abaixo, diferentes sonatas são interpretadas pelo mesmo artista.

 

Primeiro período

 

Dezessete sonatas fazem parte do primeiro período. As sonatas opus 49, números 19 e 20, são sonatas menores, bem mais simples em comparação com as demais. Geralmente são as primeiras sonatas de Beethoven a serem estudadas. Estas sonatas não foram publicadas por Beethoven, foi o irmão do compositor que encontrou os manuscritos e julgou que deveriam ser publicadas quase dez anos após a composição.

  • Sonata no 1, op. 2 no 1, em fá maior (1795)
  • Sonata no 2, op. 2 no 2, em lá maior (1795)
  • Sonata no 3, op. 2 no 3, em dó maior (1795)
  • Sonata no 4, op. 7 em mi bemol maior (1797)
  • Sonata no 5, op. 10 no 1, em dó menor (1798)
  • Sonata no 6, op. 10 no 2, em fá maior (1798)
  • Sonata no 7, op. 10 no 3, em ré maior (1798)
  • Sonata no 8, op. 13 , em dó menor “Patética” (1798)
  • Sonata no 9, op. 14 no 1, em mi maior (1799)
  • Sonata no 10, op. 14 no 2, em sol maior (1799)
  • Sonata no 11, op. 22, em si bemol maior (1800)
  • Sonata no 12, op. 26, em lá bemol maior (1801)
  • Sonata no 13, op. 27 no 1, em mi bemol maior (1801)
  • Sonata no 14, op. 27 no 2, em dó sustenido menor “Sonata ao luar” (1801)
  • Sonata no 15, op. 28, em ré maior “pastoral” (1801)
  • Sonata no 19, op. 49 no 1, em sol menor (composta em 1795, publicada em 1805)
  • Sonata no 20, op. 49 no 2, em sol maior (composta em 1796, publicada em 1805)

 

Sonata no 3, op. 2 no 3, em dó maior (1795)

 

Dedicada ao compositor Franz Joseph Haydn, esta sonata contém quatro movimentos. Conhecida pelas terças que abrem o primeiro movimento, nesta sonata, Beethoven ainda segue o tradicionalismo presente nas obras de Haydn e Mozart. Abaixo, interpretação do pianista Daniel Barenboim:

 

 

 

Sonata no 7, op. 10 no 3, em ré maior (1798)

 

A sonata no 7 possui 4 movimentos e foi dedicada à condessa Browne. Favorita entre os pianistas e bastante desafiadora tecnicamente. Interpretação do pianista Daniel Barenboim:

 

 

 

Sonata no 8, op. 13 , em dó menor “Patética” (1798)

 

Dedicada ao príncipe Karl Lichnowsky e estruturada em três movimentos, é uma sonata bastante revolucionária. É a primeira sonata que Beethoven iniciou o primeiro movimento lento com uma seção introdutória bastante dramatica e expressiva com bastante contraste dinâmico, como é típico do compositor. Abaixo, a interpretação do pianista Krystian Zimerman:

 

 

 

Sonata no 14, op. 27 no 2, em dó sustenido menor “Sonata ao luar” (1801)

 

A sonata número 14, op. 27 no 2, mais conhecida como “sonata ao luar” está entre as obras mais populares para piano. A obra já era favorita do público desde aquela época. Composta em 1801, foi dedicada à sua aluna Giulietta Guicciardi, a obra contém três movimentos. O título “sonata ao luar” não foi atribuído pelo compositor, foi o crítico Ludwig Rellstab que associou a obra ao título que futuramente passou a ser utilizado para se referir à sonata.

Abaixo, a interpretação da pianista Valentina Lisitsa:

 

 

 

Segundo período

 

Dez sonatas fazem parte do segundo período. Curiosamente, o compositor passou a compor sonatas em opus separados, diferente do primeiro período onde a maioria das sonatas foram agrupadas. O segundo período também é conhecido como “heroico” pelo caráter de algumas obras compostas durante este período. As sonatas pertencentes a este período demonstram como o compositor estava experimentando e modificando a forma, distanciando-se dos modelos de Haydn e Mozart. Outra característica é a qualidade expressiva dessas obras, que serviram de inspiração para outros compositores que integram o que conhecido período romântico.

As sonatas para piano que integram este período são:

  • Sonata no 16, op. 31 no 1, em sol maior (1802)
  • Sonata no 17, op. 31 no 2, em ré menor “Tempestade” (1802)
  • Sonata no 18, op. 31 no 3, em mi bemol maior “A caça” (1802)
  • Sonata no 21, op. 53, em dó maior “Waldstein” (1803)
  • Sonata no 22, op. 54, em fá maior (1804)
  • Sonata no 23, op. 57, em fá menor “Appassionata” (1804)
  • Sonata no 24, op. 78, em fá sustenido maior (1809)
  • Sonata no 25, op. 79, em sol maior (1809)
  • Sonata no 26, op. 81a, em mi bemol maior “Les adieux” (1810)
  • Sonata no 27, op.90, em mi menor (1814)

 

Sonata op. 31 nº 2 Sonata no 17, op. 31 no 2, em ré menor “Tempestade” (1802)

 

Mais um título que não foi atribuído pelo compositor. O título “Tempestade” foi associado à obra por Anton Schindler supondo que a peça foi inspirada na Tempestade de William Shakespeare. A sonata contém três movimentos. Abaixo a interpretação da pianista Maria João Pires:

 

 

 

Sonata no 21, op. 53, em dó maior “Waldstein” (1803)

 

Sonata de três movimentos, o título deve-se à dedicatória da obra ao Conde Ferdinand Ernst Gabriel von Waldstein. Também é conhecida como Aurora devido ao último movimento. Abaixo, interpretação do pianista Daniel Barenboim:

 

 

 

Sonata no 23, op. 57, em fá menor “Appassionata” (1804)

 

Uma das sonatas mais importantes do segundo período, considerada a mais intensa até a composição da sonata de número 29. Abaixo, interpretação do pianista Claudio Arrau:

 

 
 

Terceiro período

 

O terceiro período é marcado pelo estudo de obras de compositores antigos, Beethoven voltou-se à obras de Johann Sebastian Bach e George Frideric Handel. As obras deste período são reconhecidas por seu lado intelectual, filosófico, inovações na forma e dramaticidade. A influência da música barroca pode ser observada na sonata op. 106, conhecida como Hammerklavier, onde o compositor incorporou técnicas de contraponto e fuga, além do distanciamento da forma convencional da sonata.

Sonatas para piano compostas nesta fase:

  • Sonata no 28, op. 101, em lá maior (1816)
  • Sonata no 29, op. 106, em si bemol maior “Hammerklavier” (1818)
  • Sonata no 30, op. 109, em mi maior (1820)
  • Sonata no 31, op. 110, em lá bemol maior (1821)
  • Sonata no 32, op. 111, em dó menor (1822)

 

Sonata no 29, op. 106, em si bemol maior “Hammerklavier” (1818)

 

Considerada a sonata mais desafiadora do compositor, e uma das obras mais difíceis do repertório pianístico, foi considerada impossível de tocar até Franz Liszt apresentá-la pela primeira vez em 1836 na Salle Erard em Paris. A obra possui quatro movimentos, sendo que o quarto inclui uma dificílima fuga. Abaixo, interpretação da pianista Yuja Wang:

 

 

 

Sonata no 32, op. 111, em dó menor (1822)

 

A última sonata de Beethoven, curiosamente o segundo movimento é apelidado de “adeus à sonata”. A obra possui 2 movimentos apenas. Abaixo, interpretação de Daniel Barenboim:

 

 

 

 

Se você leu até aqui, obrigado! Comentários e sugestões são sempre bem vindos.

Daniel

 

Texto adaptado de: https://danielpadovanpiano.wordpress.com/2020/05/06/beethoven-e-as-sonatas-para-piano/

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