Ensinando alunos adultos

Material e metodologia

Piano Iniciante Intermediário Avançado Erudito Adultos
Ensinando alunos adultos
Daniel P.
em 30 de Junho de 2020
Quando comecei a dar aulas de piano, meus primeiros alunos foram alunos adultos. Eu imaginava que teria mais alunos crianças, mas, por um bom tempo, a maior parte dos meus alunos eram adultos. Alunos adultos, vêm com diferentes bagagens musicais e têm diferentes razões e objetivos para estudarem piano. Uns tocaram quando eram criança e desejam retomar, outros estudaram com mais seriedade e formalidade sendo, em muitos casos, formados em conservatórios, enquanto alguns são iniciantes que nunca tiveram tempo e oportunidade para aprender e decidiram aprender agora.

Na minha experiência, dos alunos adultos de nível iniciante com quem trabalhei, a maioria não se importava em utilizar métodos infantis. Admito que tenho preferência por alguns métodos infantis, e acredito na qualidade e eficácia independente da faixa etária, contudo, entendo que nem todos se sentem confortáveis utilizando métodos voltados para o público infantil, sendo assim, um dos métodos de piano para adultos que gosto de utilizar é o Adult Piano Adventures por Nancy e Randall Faber. É um método dividido em dois volumes, e é voltado para quem ainda não teve nenhum contato com o instrumento ou com a leitura de partituras. Outros métodos que já utilizei foram o Adult Piano Method da Hal Leonard e Adult All-in-one Course, a proposta e a maneira como estão estruturados é bem parecida, os livros combinam peças, exercícios e teoria. Como tive mais experiência com o Piano Adventures, acabei criando preferência, mas não há grandes diferenças entre eles.

 

 

Quanto aos métodos infantis, gosto de combinar diferentes métodos e trabalhá-los em conjunto:

Meu piano é divertido, Alice Botelho: publicado em dois volumes, é um livro bastante leve e didático, a qualidade que mais me agrada é o fato das lições terem letra e de o livro ser em português. É comum que métodos de piano tenham letras para serem cantadas com as lições, mas parte dos métodos foram escritos em outro idioma e o uso da palavra na aproximação e identificação com a linguagem musical é um ótimo instrumento didático.

A Dozen a Day, Edna Mae Burnam: uma coleção em vários volumes de pequenos exercícios técnicos que focam em uma dificuldade específica. A autora aborda as mais variadas dificuldades, passagem de polegar, gestos de ligação entre duas notas, rotação, entre outros, de forma leve e sem repetições maçantes. A dificuldade aumenta gradativamente com os volumes.

The Russian School of Piano Playing, A. Nikolaev: dividido em dois volumes, combina exercícios e peças. Este método é bastante completo pois apresenta um conjunto de peças, exercícios, estudos e peças por nível de dificuldade. A progressão de dificuldade é bem passada e linear e exige do aluno, mesmo iniciante, questões de interpretação como fraseado, articulação e timbres desde o começo.

Curso de piano, Mario Mascarenhas: Gosto bastante do método por conta das peças. O livro contém alguns exercícios e estudos curtos mas têm uma grande quantidade de peças para o pianista iniciante. É mais uma coletânea de peças do que um método, e funciona melhor quando combinado com outros métodos, mas é uma ótima fonte de repertório.

Mikrokosmos, Béla Bartók: obra composta por 153 peças e dividida em seis volumes. A dificuldade das peças é progressiva e é uma ótima obra para familiarizar o aluno com a escrita do século XX . Em Mikrokosmos, o aluno tem contato com conceitos musicais que talvez só seria possível em um nível mais avançado, conceitos como movimento paralelo e contrário, cânone, imitação e contraponto, entre outros.

Piano Adventures, Nancy e Randall Faber: a série Piano Adventures vem em vários volumes e é dividida em 5 níveis, além do preparatório. Cada nível vem com um conjunto de livros para diferentes habilidades: lesson book, performance book, theory book, technique & artistry. Com os alunos adultos, costumo selecionar peças avulsas dos livros para usar nas aulas.

 

 

Conhecer e estudar obras dos diferentes períodos da história da música: barroco, clássico, romântico e século XX, faz parte da formação do pianista. Por isso, ter contato com um conjunto variado de estilos enriquece o aprendizado e torna a transição e assimilação das características singulares de cada período mais orgânica.

Como material de apoio, gosto de usar a Celebration Series do The Royal Conservatory. O syllabus dele é bastante completo com bastante sugestões de repertório, estudos e complementação teórica por nível. Você pode dar uma olhada no syllabus aqui. Outro livro bom para consulta é o Piano Repertoire Guide, o livro é um catálogo com peças divididas por nível e período.

Para alunos que já tiveram formação ou já estudaram piano por um tempo razoável, gosto de logo de início organizar um pequeno repertório, por volta de 30 minutos, com peças de períodos diferentes. Parte deste repertório pode incluir peças já estudadas que o aluno deseja retomar, a ideia é que este processo seja prazeroso, e inclua peças que o aluno goste, peças novas que ele ainda não conhece ou ainda não tocou e que auxiliem no desenvolvimento musical.

Para tanto, a porcentagem ou peso que cada período tem no repertório, depende do gosto pessoal. Um aluno que gosta mais do período barroco, pode estudar uma suíte de Bach, ou talvez Handel, há chances dele nunca ter tocado uma suíte de Handel, e combinar com uma peça romântica. É um bom momento para explorar outros compositores barrocos como Rameau, Scarlatti e Couperin. Um aluno que gosta mais do repertório romântico pode estudar um conjunto de peças românticas, junto com um movimento de uma sonata clássica, Mozart, Haydn, Beethoven, ou quem sabe Clementi, por exemplo. Já tive um aluno que teve pouco contato com compositores do século XX e queria tocar bastante peças de Debussy além de retomar peças de Chopin, então montamos um repertório com vários Prelúdios do compositor francês e combinamos com dois noturnos de Chopin. Enfim, há inúmeras possibilidades de combinações de repertório. O legal de trabalhar com alunos que estão regressando ao piano, é descobrir peças novas e ter a oportunidade de trabalhar com compositores que não são muito tocados pelos alunos.

 

Se você leu até aqui, obrigado!

Comentários e sugestões são sempre bem vindos.

Daniel

 

 

Texto adaptado de: https://danielpadovanpiano.wordpress.com/2020/06/30/ensinando-alunos-adultos/

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Marília / SP
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