Cada dia mais torno a me questionar: por que é tão difícil aceitar a doença psiquiátrica? Qual a diferença entre um paciente internado no serviço de clínica médica, decorrente de um infarto, daquele que tentou suicido, internado na ala psiquiátrica?
mpressiona-me e entristece-me o tratamento dispensado a um "paciente suicida" no serviço de pronto atendimento. Qual será a dificuldade de se inferir que a tentativa de suicido advém de uma doença mental? Dentro de minha limitada e breve experiência para com esses pacientes, entrego-me a liberdade para interpretar que estão desesperados - não têm a capacidade de se inferir que tudo na vida é passageiro-. Colocam o sofrimento como algo que nunca passará. É comum em alguns autores descrever a seguinte situação: o suicida não quer acabar com si, mas sim com o sofrimento que o atormenta.
Por que não pensar na doença psiquiátrica, não em sua totalidade, obviamente, como Dostoievski no início de sua obra Notas do Subsolo? Receba a alcunha de uma doença de percepção:
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"Sou um homem doente... Sou mau. Não tenho atrativos. Acho que sofro do fígado. Aliás, não entendo bulhufas da minha doença e não sei com certeza o que é que me dói. Não me trato, nunca me tratei, embora respeite os médicos e a medicina. Além de tudo, sou supersticioso ao extremo; bem, o bastante para respeitar a medicina. (Tenho instrução suficiente para não ser supersticioso, mas sou.) Não, senhores, se não quero me tratar é de raiva. Isso os senhores provavelmente não compreendem. Que assim seja, mas eu compreendo. Certamente, não poderia explicar a quem exatamente eu atinjo, nesse caso, com a minha raiva, sei perfeitamente bem que, com isso, prejudico somente a mim e a mais ninguém. Mesmo assim, se não me trato, é de raiva. Se o fígado dói, que doa ainda mais."
Nós, médicos e os estudantes de medicina não estamos imunes a doenças menrais. Por isso, sempee procurem ajuda, não é algo vergonhoso.