Aprenda como conciliar o sono com os estudos

a importância do sono na aprendizagem

Coaching Coaching Comportamental
Aprenda como conciliar o sono com os estudos
Mylena S.
em 15 de Janeiro de 2021

O sono ainda é um mistério para a ciência. Mas o que se descobriu até agora, sobre suas fases e seu papel na aprendizagem de novas habilidades, pode ser muito útil para conciliar o sono com os estudos, tornando nossa luta diária para aprender coisas novas algo mais gratificante e eficaz.

O SONO: NOSSA OUTRA VIDA

Um terço de nossa vida se passa sem nos darmos conta, na escuridão de nossas pálpebras fechadas, imersos em sonhos e imagens desconexas. O sono é parte essencial de nossa vida, mas às vezes há tantas coisas a se fazer que todo esse tempo que passamos dormindo parece um desperdício. Porém, todo mundo precisa de sono, não podendo viver sem ele, e deseja, sempre, que ele dure mais e tenha uma qualidade melhor.

É evidente que nosso corpo e nossa mente precisam de um momento de repouso. A privação de sono nos deixa mais vulneráveis a doenças, faz com que nossas emoções fiquem instáveis, dificulta a concentração e lembrar de acontecimentos recentes se torna quase impossível. Mas saber disso ainda deixa uma questão em aberto: por que dormimos, afinal?

POR QUE DORMIMOS?

É difícil propor uma teoria unificada do sono pela variedade de experiências com que cada um de nós o vivencia. Para alguns, 3 horas de sono por noite é suficiente. Para outros, é preciso de no mínimo 8 horas. Há pessoas que seguem um padrão de sono polifásico, alternando o dia entre estados de sono e vigília. Além disso, com a idade, o papel e a duração do sono mudam em nosso organismo. Recém-nascidos, cujos sistemas vitais ainda estão em desenvolvimento, dormem o tempo todo, e idosos são conhecidos por sua insônia crônica. Sem falar dos hábitos de sono dos animais, extensos em suas variedade. Orcas assassinas podem passar até três semanas sem dormir, e gatos dormem até 16 horas por dia. Porém, duas hipóteses científicas propuseram respostas diferentes para essa pergunta.

ALGUMAS HIPÓTESES

A primeira hipótese: o sono é uma adaptação do gerenciamento do tempo. Em outras palavras, dormimos quando não temos o que fazer. Para nossos ancestrais, o Homo sapiens da savana, havia momentos em que caçar ou coletar não era uma atividade muito segura. Ficar acordado podia ser dispendioso. Há exemplos na natureza que contribuem com essa hipótese. O morcego, por exemplo, dorme cerca de 20 horas por dia, saindo para a caça de insetos apenas à noite, nas quatro horas restantes. É o mamífero que mais passa tempo dormindo. Isso se deve ao fato de que, se sair de dia, ele pode ficar vulnerável a predadores com habilidades de voo melhores que a dele.

A segunda hipótese: o sono é responsável pela consolidação da memória. Ao longo do dia, nos deparamos com muitos sinais e informações. Palavras ditas a nós, uma música que ouvimos tocar enquanto caminhamos pela rua, um olhar de desdém, mensagens no Whatsapp etc, etc. Há informação vinda de todos os lados. Sequer temos tempo para processar tudo e pensar no que essas coisas significam. Por isso existe o sono: é o momento do dia em que se separa o importante do trivial. Quem nunca foi dormir ansioso com alguma questão e, ao acordar, ficou surpreso ao ver que achou a solução?

A MAGIA DO SONO POR TRÁS DAS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS

Conta-se que o químico August Friedrich Kekulé descobriu a fórmula química do benzeno após tirar um cochilo e ter sonhado com cobras mordendo as próprias caudas. Outro caso foi o de Dmitri Mendeleev, também químico. Ele, após virar noites seguidas de intenso trabalho, só encontrou os elementos que faltavam em sua tabela periódica quando por fim decidiu dormir. Acordou exaltado, com a solução na mente, como se ela tivesse surgido do nada.

Parece evidente que durante o sono, alguma tipo de mágica acontece em nosso cérebro. Conexões são feitas, outras são supridas, e os esforços diurnos para se aprender algo, após uma noite bem dormida, se torna algo mais, a compreensão. Essas duas hipóteses, embora abordem pontos distintos do sono, se complementam. Mas há uma descoberta que levou as investigações ainda mais longe.

A DESCOBERTA DO SONO REM

Eugene Aserinsky, quando ainda era estudante de graduação da Universidade de Chicago, trabalhava com pesquisas experimentais sobre o sono. Uma noite, ele havia levado seu filho Armond, um menino de 9 anos, para ser a cobaia dos experimentos. Aplicou nele um offner dynagraph (o antecessor do eletroencefalograma) e observou as ondas que o aparelho tecia sobre o papel, indicando a atividade cerebral de Armond. O menino logo pegou no sono, e Aserinsky percebeu que algo estranho estava acontecendo: o offner dynagraph descrevia atividades intensas do cérebro, com ondas curtas e rápidas, mas ao olhar para Armond, viu que ele estava em sono profundo. Tentou acordá-lo, uma, duas vezes. Os olhos de Armond pareciam se mexer sob as pálpebras. Quando enfim acordou, Armond disse que estava sonhando. Aserinsky ficou perplexo com esse fato. Afinal, por que, em um sono profundo, a atividade cerebral parecia tempestuosa?

Uma semana depois Aserinsky repetiu esse experimento com seu filho. O resultado foi idêntico. Como não tinha suficiente expertise em técnicas experimentais para explicar esse fenômeno, comentou o fato a seu orientador. Nos meses seguintes o experimento foi realizado com várias outras pessoas. Obtiveram o mesmo resultado, o que levou à hipótese de que esse fenômeno era uma fase natural do sono, denominado, em um artigo publicado na Science, em 1953, Rapid Eye Movement (REM). O sono REM.

A ARQUITETURA DO SONO

Pesquisas posteriores feitas com eletroencefalograma trouxeram outros resultados e hoje é fato que há uma arquitetura por trás do sono. O REM é apenas um dessas fases. A fase 1, a ponte que separa o sono da vigília, é onde as ondas irregulares da percepção consciente começam a suavizar. Na fase 2, as ondas se tornam mais regulares, como uma onda senoidal. Nas fases 3 e 4, as ondas se alongam, até parecerem como as ondas de um oceano. É a chegada do sono profundo. Ao longo de uma noite de sono essas fases se repetem, em ciclo. Chega-se a correr de 4 a 5 fases REM enquanto dormimos.

Cada fase do sono é responsável por consolidar um tipo diferente de habilidade. Há evidências de que o sono REM é um campo de memória criativa, onde construímos diferentes associações, fazendo combinações de maneiras diferentes. Quase como um laboratório, ou uma sessão de terapia. Em termos gerais, o sono REM é a fase responsável pelo reconhecimento de padrões.

A fase 1 é o ponto de partida do sono, apenas. A fase 2 é responsável pela consolidação de nossa memória motora. Para aprender uma atividade manual, seja andar de bicicleta ou tocar um acorde no violão, precisamos dessa fase do sono. Por fim, as fases 3 e 4 são responsáveis pela retenção da memória: vocabulários, histórias, conceitos filosóficos e até fofocas. Sem as fases 3 e 4 a memória de longo prazo dificilmente ganha forma.

MANIPULANDO O SONO A FAVOR DOS ESTUDOS

Sabendo disso, da função que cada fase do sono desempenha, se matar de estudar pode ser mais produtivo se manipularmos o sono a nosso favor. Claro que ter uma dose de cada uma dessa fases é importante, mas há ocasiões que uma delas é mais essencial.

Se no dia seguinte houver um recital ou um jogo de futebol, em que se requer habilidade motora, é mais indicado ficar acordado até tarde do que dormir cedo, já que o trecho mais longo da fase 2 é um pouco antes de acordar. Logo, atletas que acordam às 5 da manhã estão cometendo um erro.  Caso seja uma prova de Matemática ou Química, em que é essencial a habilidade de reconhecer padrões, a mesma lógica se repete: como a maior dose do sono REM acontece no final do sono, entre os “pulos” da fase 2, durma até o galo cansar de cantar e aperte o botão de soneca sem dó. Por último, se for uma prova de história, em que o importante é a capacidade de retenção de conteúdo, durma no horário normal, acorde bem cedo (no final das fase 3 e 4)  e faça uma revisão rápida.

É importante ressaltar que o aprendizado não acontece apenas enquanto estamos estudando. Ao contrário, é um processo contínuo, que também acontece inconscientemente. Passar o dia inteiro estudando pode não ser muito produtivo. É preciso de um momento de descanso, para que o cérebro, por si só, faça o trabalho de processar a informação e transformá-la em aprendizagem.

OS BENEFÍCIOS DO COCHILO

Dica final para conciliar o sono com os estudos: cochile. Pode parecer uma dica contraditória para quem busca produtividade, mas não é. Como sabemos, cochilar também é dormir. Um cochilo de uma a uma hora e meia passa por todas essas fases do sono, trazendo os benefícios de uma noite bem dormida. Um cochilo no meio do dia pode ser um bom hábito a se cultivar para aprimorar a aprendizagem e melhorar a saúde mental. Na Grécia, onde a sesta é um hábito cultural, a expectativa de vida é maior que a dos outros países europeus. Claro que isso não funciona para todas as pessoas, mas de algum modo, dormir mais prolonga a vida.

Afinal, dormir também é aprender.

São Lourenço da Mata / PE
Graduação: Química (UFPE)
Professora de física, química, matemática e tudo o que tiver a ver com exatas ;)
Oferece aulas online (sala profes)
Oferece aulas presenciais
R$ 50 / aula
Conversar Whatsapp do professor Mylena S. Whatsapp do professor Mylena S. Ver WhatsApp
1ª aula demonstrativa
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em 27 de janeiro de 2021

gostei

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em 23 de janeiro de 2021

e essa pintura do van Gogh? ksk

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em 23 de janeiro de 2021

perfeito

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em 23 de janeiro de 2021

parabéns!

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em 23 de janeiro de 2021

isso tá muito bem escrito

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em 23 de janeiro de 2021

gostei, de verdade

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em 23 de janeiro de 2021

muito bom!

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