Introdução à Economia - Quadro geral
Paulo S.
em 29 de Novembro de 2015

       

                    Economia

 

 

 

A Economia

 

A economia é uma ciência social que se dedica ao estudo dos processos de produção, intercâmbio (troca) e consumo de bens e serviços. O vocábulo deriva do grego e significa “normas da casa”.

 

Por que estudar Economia?

 

Questões econômicas têm importância na vida de todos nós. Por exemplo: a probabilidade de se obter bom emprego depende, essencialmente, do ritmo de expansão da atividade produtiva no País — ou seja, da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (o PIB, cuja definição e forma de medida vamos estudar). Quando a produção aumenta, as empresas necessitam de mais operários, mais técnicos, mais funcionários administrativos, etc., o que incrementa a criação de novos postos de trabalho. O crescimento do PIB em geral aumenta também a demanda por serviços do governo, assim como a receita de impostos, o que facilitará a abertura de concursos para o preenchimento de posições no serviço público.

Entender melhor o que se passa na economia é, assim, um objetivo importante. É bom sabermos o que está por trás de uma conjuntura benéfica — empregos abundantes, ausência de inflação, redução na desigualdade e na pobreza, etc.

 

 

 

  

I -  A economia como ciência:

A Economia é uma ciência social, e como todo ramo de conhecimento, tem sua história, com seus fundamentos, autores, e teorias e conceitos que a constituíram como ciência.

 

B) Mercantilismo: é o conjunto de práticas e ideias econômicas desenvolvidas na Europa na idade média. Na qual o objetivo central era a acumulação de riquezas por parte dos estados nacionais.

 B) Quesnay e Quadro Econômico

Médico e economista francês, fundador e principal líder da fisiocracia, a primeira escola francesa de economia, considerada a primeira escola sistemática de economia política e oposta ao mercantilismo. Defendia que a agricultura era a principal fonte de riqueza para um país. Em 1759, publicou a obra Tableau Économique ( Quadro Econômico)

C) Os Clássicos:

Adam Smith  foi um economista e filósofo escocês, nascido em 1723. É considerado como aquele que mais contribuiu para a moderna percepção da economia de livre mercado, o denominado liberalismo econômico.  Segundo seu livro mais importante, “Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações”, a riqueza das nações e dos indivíduos em geral eram frutos de seus interesses próprios. Ou seja, a promoção do bem com seria determinada pela busca e concorrência dos indivíduos pelo seu próprio beneficio.

 David Ricardo David Ricardo nasceu em Londres em 18 de Abril de 1772,

A principal questão levantada por Ricardo nessa obra trata da distribuição do produto gerado pelo trabalho na sociedade. Segundo Ricardo, a aplicação conjunta de trabalho, maquinaria e capital no processo produtivo gera um produto, o qual se divide entre as três classes da sociedade: proprietários de terra (sob a forma de renda da terra), trabalhadores assalariados (sob a forma de salários) e os arrendatários capitalistas (sob a forma de lucros do capital).

Karl Marx Economista, filósofo e socialista alemão, nasceu em Trier em 5 de Maio de 1818 e morreu em Londres a 14 de Março de 1883

Karl Marx trata em sua obra de uma análise do valor. De maneira sintética, o valor nasce do trabalho, pois Marx entende que é a partir do trabalho que as mercadorias surgem e adquire utilidade para a sociedade. Um bem, a marcadoria, apenas tem valor de troca se tiver utilidade. Em sua obra complexa, o autor de "O Capital" explica como as relações de trabalho, produção e circulação se processam e como chegamos à noção de riqueza.

Ainda, segundo Marx, o valor não era simplesmente o tempo que levou um individuo para fazer determinada mercadoria, mas sim o tempo médio, o que ele denominou de socialmente necessário, o que depende também do grau de

 

d) A escola Neoclássica

A escola neoclássica dominou o pensamento econômico até a década de 30 do século XX. Segundo a escola neoclássica, o preço de um bem ou serviço não representa o valor nele incorporado. O preço é determinado pelo equilíbrio entre oferta e demanda.  Ou seja, a relação entre a quantidade disponível e a procura por determinado bem ou serviço. Como os recursos são escassos, os agentes econômicos buscam a melhor alocação de recursos e realizam escolhas racionais em seus investimentos e compras.

 

 

 

e) John Maynard Keynes – Economista Inglês, nasceu em 1883.

Sua principal obra, a Teoria Geral do Emprego,do Juro e da Moeda, revolucionou o pensamento econômico do século XX.

Keynes demonstrou que não existia um equilíbrio automático entre a oferta  e a demanda agregada, como preconizava a economia neoclássica. Pode ocorrer uma subutilização ou capacidade ociosa na economia, o que determina o desemprego involuntário.

 Keynes propôs intervenções estatais na economia com o objetivo de estimular o crescimento e baixar o desemprego. Para intervir, os estados deviam ampliar os investimentos, baixar as taxas de juros para estimular investimentos privados na esfera produtiva. O investimento estatal gera o um efeito multiplicador, o que amplia a demanda agregada.

A Revolução Keynesiana não influenciou somente a teoria econômica, mas se fez presente no âmbito das políticas econômicas nos países desenvolvidos no pós guerra.

II - A Macro e a Microeconomia:

 

Macroeconomia e microeconomia são as principais divisões da ciência econômica. A microeconomia é o ramo que estuda o comportamento dos agentes econômicos (unidades individuais) em relação ao mercado consumidor, empresas, donos dos recursos de produção. Chamada também por teoria dos preços, um exemplo de seu trabalho é o estudo das alterações do comportamento de empresas e pessoas em casos de oscilações de preços.

A macroeconomia estuda o desempenho global, ou seja, a economia como um todo. Produção de bens e serviços, taxas de inflação, taxas de desemprego, poupança, consumo, investimentos e governo. É a economia das cidades, nações, dos grandes sistemas econômicos. É ela que estuda e propõe soluções, por exemplo, para situações de desemprego em massa, ou grandes crises de um dado mercado.

III - Como podemos mensurar se a economia está crescendo e em que ritmo?

 

PIB ou Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território econômico de um país, independentemente da nacionalidade dos proprietários das unidades produtoras. O PIB pode ser mensurado de três formas :

Pela ótica da produção, o PIB corresponde à soma dos valores agregados líquidos, ou seja, o valor da produção dos bens e serviços descontados os insumos utilizados para determinado fim, dos setores primário, secundário e terciário da economia, mais os impostos indiretos, mais a depreciação do capital, menos os subsídios do governo

 Pela ótica da renda, o PIB é calculado a partir das remunerações pagas dentro do território econômico de um país, sob a forma de salários, juros, aluguéis e lucros distribuídos; somam-se a isso os lucros não distribuídos, os impostos indiretos e a depreciação do capital e, finalmente, subtraem-se os subsídios.

 Pela ótica do dispêndio, resulta da soma dos gastos em consumo das unidades familiares e do governo, mais as variações de estoques, menos as importações de mercadorias e serviços e mais as exportações. Sob essa ótica, o PIB é também denominado Despesa Interna Bruta.

O PIB de uma maneira geral é a forma de mensurar a riqueza de um país, apesar de ser um indicador muito questionado, ainda possui seu caráter de referência na economia de um território.

 PIB per capta é o valor do PIB distribuído pelo total de habitantes de um determinado território.Por exemplo, o PIB per capto de um pais, é o PIB dividido pelo número de habitantes.

Tabela 1 - Crescimento do PIB, anual

Ano

%

1994

5,33436

1995

4,416832

1996

2,150499

1997

3,375298

1998

0,035346

1999

0,254078

2000

4,306187

2001

1,313119

2002

2,658094

2003

1,14662

2004

5,712292

2005

3,159674

2006

3,957035

2007

6,091411

2008

5,171598

2009

-0,32973

2010

7,533688

2011

2,732805

Fonte: Ministério da Fazenda

Tabela 2 - PIB per capta em dólares

Ano

Total

1990

5177,313

1991

5345,083

1992

5346,565

1993

5631,116

1994

5960,657

1995

6272,33

1996

6421,735

1997

6663,958

1998

6658,803

1999

6673,809

2000

7010,455

2001

7162,658

2002

7371,988

2003

7519,124

2004

8074,357

2005

8509,426

2006

9037,932

2007

9774,803

2008

10407,79

2009

10344,22

2010

11127,06

 

 

Gráfico I – PIB per capita em Dólar ( 1980 a 1910)


O PIB per capta foi por muito tempo utilizado como parâmetro de comparação para perceber a distribuição de renda e qualidade econômica de um território, hoje indicadores diferentes são utilizados, como o Índice de Gini que mede a distribuição de renda, o IDH que é o Índice de Desenvolvimento Humano, entre outros propostos.

O coeficiente de Gine mede o grau de desigualdade na distribuição da renda domiciliar per capita entre os indivíduos. O valor pode variar de zero, quando não há desigualdade (as rendas de todos os indivíduos têm o mesmo valor), até 1, quando a desigualdade é máxima (apenas um indivíduo detém toda a renda da sociedade e a renda de todos os outros indivíduos é nula). Ou seja, quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade de renda.

 

Gráfico 2 – Desigualdade de Renda – Coeficiente de Gine (1976 a 2009)

 

IV - Setores da Economia e a Classificação das Empresas

A economia pode ser divida em setores:

Setor Primário: Engloba as atividades relacionadas à produção e comercialização de bens da natureza, como a agricultura, a pecuária, a silvicultura.

Setor Secundário: Engloba as atividades relacionadas aos bens industrializados, a transformação das matérias primas, como por exemplo: roupas, máquinas, automóveis, eletrônicos, e etc.

Setor Terciário: Engloba as atividades relacionadas ao comércio e a prestação de serviços.

 

 

As empresas podem ser classificadas:

 

a) por setor:

  •  Primário:

Exemplo:  uma granja

-     Secundário:

Exemplo: indústria automobilística

-      Terciário:

        Exemplo: Um Supermercado

b) pela forma jurídica:

  •  Empresa individual (industrial e/ou comercial) - com uma única pessoa;
  •  Sociedade Comercial Ltda. (industrial e/ou comercial) - com dois ou mais sócios;
  •  Sociedade Civil Ltda. (de prestação de serviços) - com dois ou mais sócios;
  •  Sociedade Anônima (não pode ser microempresa).- Segundo a Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, “a companhia ou Sociedade Anônima terá o capital dividido em ações e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço da emissão das ações subscritas ou adquiridas.” Podem ser de capital aberto, quando tem ações negociadas em bolsas de valores. Quando não tem ações na bolsa de valores, são denominadas de capital fechado.
  •  

c) pelo porte (tamanho):

  •  O número de empregados e o faturamento bruto anual são os critérios mais utilizados para definir o porte das empresas.

 

 

 

 

 

 

Quadro I – Classificação das Empresas  segundo o número de empregados

 

Porte da Empresa

Números de Empregados

Comércio e Serviços

Indústria

Micro Empreendedor Individual

Até 2

Até 2

Microempresa

Até 9

Até 19

Empresa de Pequeno porte

10 a 49

20 a 99

Empresa de Médio porte

50 a 99

100 a 499

Empresa de Grande porte

100 ou mais

500 ou mais


 

Quadro II – Classificação das Empresas  segundo a receita

Classificação

Receita operacional bruta anual

Microempresa

Menor ou igual a R$ 2,4 milhões

Pequena empresa

Maior que R$ 2,4 milhões e menor ou igual a R$ 16 milhões

Média empresa

Maior que R$ 16 milhões e menor ou igual a R$ 90 milhões

Média-grande empresa

Maior que R$ 90 milhões e menor ou igual a R$ 300 milhões

Grande empresa

Maior que R$ 300 milhões

 

 

 

 

 

 

 

O que é a inflação?

A inflação é o aumento contínuo de preços de bens, produtos e serviços em uma determinada região durante um período. Ao mesmo tempo em que os produtos se tornam mais caros, o poder de compra da moeda nacional diminui.

Por exemplo: em um país com inflação de 1% ao mês, um trabalhador compra uma cesta de produtos em determinado mês e paga R$ 100. No mês seguinte, para comprar a mesma cesta, ele vai precisar de R$ 101.

O Brasil conta com diferentes índices que medem a inflação. Os principais são o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, a inflação oficial que abrange as famílias com rendimentos mensais entre 1 e 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte de rendimentos) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC, que abrange as famílias com rendimentos mensais compreendidos entre 1 e 6 salários mínimos). Ambos são medidos pelo IBGE.

Há ainda o Índice Geral de Preços (IGP) calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

 

 

 

 

 

 

Por meio do Quadro III é possível observar as altas taxas de inflação no período pós o Plano Cruzado, e anterior ao Plano Real. Em fevereiro de 1990, a taxa chegou a 71%, o que caracteriza uma hiperinflação. Nestas condições, a moeda perde a sua referência. Aqueles que possuíam conta bancária aplicavam o dinheiro em operações diárias, via open - market. Caso o dinheiro não fosse aplicado, o salário recebido no inicio do mês, poderia perder até metade do seu poder de compra, com taxas que chegaram até 46%, como em junho de 1994.

Quadro III – Série Histórica – taxas de Inflação - IPCA

Ano

mês

Taxa

1986

2

14,98

1987

2

14,11

1988

2

17,65

1989

2

11,8

1990

2

71,68

1991

2

21,11

1992

2

24,79

1993

2

26,51

1994

1

42,19

1994

2

42,41

1994

3

44,83

1994

4

42,46

1994

5

40,95

1994

6

46,58

1994

7

24,71

Fonte: IPEADATA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Observe as taxas atuais e os diferentes índices. Lembrando que o IPCA – IBGE é o índice oficial. O IGPM – (FGV), normalmente é usado para o reajuste de aluguéis.

 

Quadro IV

Inflação

Variação no período - em %

 

jun/13

mai/13

Acumulado em

2013 *

2012

12 meses *

IPCA (IBGE)

-

0,37

2,88

5,84

6,50

INPC (IBGE)

-

0,35

3,02

6,20

6,95

IPCA-E (IBGE)

0,38

0,46

3,45

5,78

6,67

IGP-DI (FGV)

-

0,32

1,08

8,10

6,20

Núcleo do IPC-DI (FGV)

-

0,41

2,45

4,81

5,24

IPA-DI

-

0,01

-0,18

9,13

6,07

IPC-DI

-

0,32

2,93

5,74

5,96

INCC-DI

-

2,25

4,82

7,12

7,56

IGP-M (FGV)

0,75

0,00

1,74

7,82

6,31

IPA-M

0,68

-0,30

0,59

8,63

6,10

IPC-M

0,39

0,33

3,35

5,79

6,19

INCC-M

1,96

1,24

5,61

7,23

7,88

IGP-10 (FGV)

0,63

-0,09

1,66

7,42

6,17

IPA-10

0,43

-0,39

0,48

8,06

5,95

IPC-10

0,39

0,39

3,49

5,73

6,08

INCC-10

2,48

0,79

5,39

7,05

7,86

IPC (FIPE)

-

0,10

1,57

5,10

5,11

ICV (DIEESE)

-

0,61

3,63

6,41

6,87

Obs.: IGP-M 2ª prévia de jun/13 = 0,74% e IPC-FIPE 3ª quadrissemana de jun/13 = 0,30%

Fonte : FGV, IBGE, FIPE, DIEESE. Elaboração: Valor Data. * Acumulado até o último mês indicado.

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