O ENSINO/APRENDIZAGEM DE LITERATURA
Sidileide B.
em 02 de Agosto de 2020

INTRODUÇÃO

 

A literatura é entendida por Aristóteles em sua obra Os pensadores (1973) como uma das mais belas artes. Segundo o filósofo, o poeta não narra o que exatamente aconteceu, mas o que poderia ter acontecido, pois “o imitar é congênito no homem (e nisso difere dos outros viventes, pois, de todos, é ele o mais imitador, e por imitação, aprende as primeiras noções), e os homens se comprazem no imitado” (ARISTOTELES, 1991, p. 248). Dessa forma, o objeto da literatura são as ações do homem, sendo assim, a literatura possui amplas possiblidades de estudo e interpretação possibilitando, dessa forma, o amadurecimento sensível e intelectual do seu estudante e um profundo conhecimento de mundo.

Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo analisar a importância do ensino da literatura e a leitura do conto contemporâneo em sala de aula, pois o conto é um gênero que instiga o leitor a adquirir um hábito de leitura literária, pois é uma narrativa curta que permite a apreciação rápida da história, essa brevidade faz com que a leitura da narrativa não seja interrupta, o que causa, segundo Puchalski (2014) um efeito preservado e momentâneo de encantamento, terror, medo, confusão ou angústia; contudo esses efeitos duram pouco tempo o que fará o aluno buscar novos textos literários na ânsia de sentir novamente esses efeitos.

Nesta perspectiva, obedecendo essa linha de reflexão, faremos uma leitura das obras referidas à luz dos estudos realizados por Gotlib (2006), Puchalski (2014), Gancho (1999), entre outros estudiosos que refletem a respeito do gênero literário conto e sua importância no ensino/aprendizagem da literatura. De maneira geral, verifica-se que a literatura é um agente humanizador e tem a sala de aula como um dos principais meios de manifestação.  A leitura literária é essencial para que o aluno fomente seu senso crítico e sua criativa, além de levar ao aperfeiçoamento da escrita por meio do domínio da palavra.

           

 

 

A LITERATURA E O SEU PAPEL NA FORMAÇÃO DO ALUNO

           

A literatura busca dásignificado à vida recontando na ficção as diversas imensidões da sua realidade, por meio da obra de arte são transmitidos valores e ideais, pois o artista vai sempre encontrar um universo social desconcertado, onde ele, por meio da escrita vai buscar perceber os problemas sociais ainda não solucionados pela teoria e conseguir superá-los.   Puchaulski (2014) afirma que, a literatura possui amplas possibilidades de estudo e interpretação, o estudo de literatura em sala de aula tende a proporcionar ao aluno um amadurecimento pessoal e uma sensibilidade voltada para a busca da liberdade individual. Contudo, o professor encontra-se, muitas vezes, confrontado com questões que envolvem tanto a escolha das obras a serem trabalhadas quanto à metodologia a ser utilizada, pois é preciso certo cuidado ao se trabalhar com literatura em sala de aula, em razão de, “ao situar a literatura como apenas mais um discurso linguístico, o documento perde de vista o caráter artístico e cultural que caracteriza a obra literária, capaz de comportar estrutura, finalidades e linguagem diferenciadas com relação aos demais discursos” (PUCHAUSKI, 2014, p. 11).  Dessa forma, é preciso levar em conta que o ensino de literatura não abrange apenas o seu modo discursivo, é importante destacar que o objeto literário é um bem de grande valor cultural e artístico que acompanha o ser humano desde épocas remotas, instigando-o a questionar os paradigmas sociais e o significado da vida.

Para Zinani & Santos (2002) o ensino de literatura em sala de aula é um tanto conturbada, tendo em vista que a literatura integra uma modalidade de ensino canalizada em textos fragmentados presentes no livro didático, além de focar de maneira assídua nos períodos históricos das construções das obras de arte, impedindo, dessa forma, a leitura atenta ao texto literário e o desenvolvimento do senso crítico analítico do aluno.

 

A situação da literatura como disciplina escolar não tem merecido a devida consideração, uma vez que sofreu sensível apagamento na Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 e nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Na tentativa de otimizar o ensino da literatura, estudiosos da área buscam encontrar alternativas, com a finalidade de resgatar a importância da disciplina na formação humanística do aluno (ZINANI & SANTOS, 2002, p. 03).

 

Sendo assim, segundo os autores o ensino de literatura na formação do aluno tem como principais objetivos desenvolver no estudante o seu senso crítico e argumentativo, que possibilitará uma formação mais humanizadora, pois é por meio da leitura que o indivíduo vai ser capaz de “compreender melhor sua realidade e seu papel como sujeito nela inserido. Os textos, especialmente os literários, são capazes de recriar as informações sobre a humanidade, vinculando o leitor aos indivíduos de outros tempos” (ZAFALON, 2010, p. 05).

Contudo, Zafalon (2010) salienta que em sala de aula o ensino de literatura vem enfrentando uma grave crise, é perceptível o afastamento dos jovens das obras de arte e a busca por atrativos mais modernos e sofisticados, como o computador. Isso é um efeito causado pela massificação social que cultua o uso exagerado de tecnologia. A comunicação por meio digital é veloz, prático, rápido e dinâmico. O homem possui a possibilidade de conexão mundial em tempo real. Infelizmente o ser humano está começando a perder o controle tecnológico, já não se permite viver fora do universo digital. Dessa forma, como afirma Adorno (2003) o sujeito contemporâneo não possui a possibilidade de narrar, pois vive em um mundo onde a invariabilidade governa, dessa forma a atitude de ler um livro é algo trivial e arcaico em um mundo atrativo tecnologicamente. É nesse ponto, Segundo Zafalon (2010) que o professor precisa atuar fazendo com que o aluno ache a leitura de uma obra atrativa e não algo improdutivo.

 

Há um desinteresse crescente pela literatura entre os alunos. Unido a isso, ocorre despreparo de muitos professores quanto à abordagem da obra literária, pois não estão inserindo na sua prática, dinamismo e motivação capazes de ir ao encontro das aspirações dos alunos. Isso advém não apenas das dificuldades inerentes à didática do ensino, mas também, por causa da própria experiência de leitura. Ler é algo que parece estar “escasso” entre nossos estudantes. É comum os alunos não encontrarem “utilidade” para o ensino da literatura e não sentirem prazer com esse aprendizado (ZAFALON, 2010, p. 2). 

 

 

Segundo os PCNs o ensino de literatura deve abranger a aprendizagem em uma concepção coletiva e interacionista, pois o conhecimento é algo dinâmico que se revela, também, por meio de diferentes pontos de vista sobre determinados assuntos. Dessa forma, o professor precisa “levar o aluno para um contexto social vivenciado fora dos limites escola e dos conhecimentos repassados na escola. Com isso, a aprendizagem torna- se significativa, pois o aluno acaba identificando-se com o que a escola propõe” (SOUZA, 2012, p.08). Sendo assim, o ensino de literatura busca desenvolver e articular os conhecimentos de cada aluno no que diz respeito ao desenvolvimento da leitura e a habilidade de concentração e absorção do conteúdo trabalhado.  Souza (2012, p. 10) afirma que:

 

A literatura quando aplicada como disciplina representa grande importância quanto às demais, visto que, é por ela que o aluno tem acesso a linguagem como instrumento para comunicação e faz parte da língua portuguesa. Aliás, um uso a linguagem de forma consciente, de um código que já utiliza oralmente e agora se revela também por meio da escrita, da interpretação e produção.

 

 

Nesta perspectiva, a literatura como disciplina pretende desenvolver no aluno, por meio da compreensão de textos literários, competências reflexivas, argumentativas e artísticas, essas competências são aperfeiçoadas principalmente por meio do discurso literário que é extenso e complexo, pois a literatura é constituída de diversos pensamentos, pluralidade de vozes e textos, apresentando um brincar com as palavras. Na construção de suas obras os autores tendem a privilegiar a expressividade da língua, em suas varias formas, fonológico, morfossintático, dentre outros, vivenciando dessa forma a linguagem de todas as maneiras possíveis.

 

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DO CONTO CONTEMPORÂNEO EM SALA DE AULA.

 

A arte de contar é comum ao homem, desde os tempos remotos ele utiliza-se da linguagem para comunicação e por meio dela desenvolve o contar, que é um ato constante na vida das pessoas. Desde a antiguidade (ainda sem a tradição da escrita) o homem realiza essa prática com a transmissão de ensinamentos, contagem de lendas, comunicação com pinturas rupestres, transmissão do evangelho aos fiéis, entre outros. Até a contemporaneidade, conforme Gotlib (2006), essa prática se faz presente com a transmissão de informações através dos jornais, do rádio, entre outros cantados diariamente, na rua, no trabalho, no lar.

 

Narrar é uma manifestação que acompanha o homem desde sua origem. As gravações em pedra nos tempos da caverna, por exemplo, são narrações. Os mitos — histórias das origens (de um povo, de objetos, de lugares) —, transmitidos pelos povos através das gerações, são narrativas; a Bíblia — livro que condensa, história, filosofia e dogmas do povo cristão compreende muitas narrativas: da origem do homem e da mulher, dos milagres de Jesus etc. Modernamente, poderíamos citar um sem-número de narrativas: novela de TV, filme de cinema, peça de teatro, notícia de jornal, gibi, desenho animado... Muitas são as possibilidades de narrar, oralmente ou por escrito, em prosa ou em verso, usando imagens ou não. (GANCHO, 1999, p. 06)

 

Assim como a linguagem faz parte do homem e é por excelência dialógica (BAKHTIN, 2003), e multiforme, heteróclita e social (SAUSSURE, 1966, p. 25), a arte de contar é “[...] a ficção, a arte de inventar um modo de se representar algo. Há, naturalmente, graus de proximidade ou afastamento do real” (GOTLIB, 2006, p. 12). Nesse sentido, como essa arte faz parte da natureza humana, ela está sempre presente na vida destes que cotidianamente falam, se comunicam, contam, (re)criam tudo o que está a sua volta. Através disso inferimos que,

 

A linguagem tem uma função referencial e uma pretensão representativa. Entretanto, o mundo criado pela linguagem nunca está totalmente adequando ao real. Narrar uma história, mesmo que ela tenha ocorrido, é reinventá-la. Duas pessoas nunca contam o mesmo fato da mesma forma: a simples escolha de pormenores a serem narrados, a ordenação dos fatos e o ângulo de que eles são encarados, tudo isso cria a possibilidade de mil e uma histórias, das quais nenhuma será a “real”. Sempre estará faltando, na história, algo do real; e muitas vezes se estará criando, na história, algo que faltava no real. Ou melhor, algo que, ao se produzir na história, revela uma imperdoável falha no real. (PERRONE-MOISÉS, 1990, p.105).

 

Essa característica tão comum da linguagem literária é também comum ao conto, que permite ao homem (re)contar, (re)inventar o sua realidade.  Com efeito “O conto, no entanto, não se refere só ao acontecido. Não tem compromisso com o evento real. Nele, realidade e ficção não tem limites precisos. Um relato, copia-se; um conto, inventa-se, afirma Raúl Castagnino”. Gotlib (2006, p. 12). Acrescentando ainda que, “[...] há fases de evolução dos modos de se contarem estórias”, (GOTLIB, 2006, p.6, grifo do autor) conforme a autora os contos dos mágicos (contos egípcios), apresentam-se como os mais remotos aproximadamente há 4 000 anos antes de Cristo. Assim, surge também a estória de Caim e Abel (estória Bíblica). Em VI a.C apresenta-se o conto Pantchatantra e no século X as Mil e uma noites, na Pérsia (contos do Oriente). Em 1350, surge o Decameron, de Bacaccio (conto erótico), entre outros que tomaram impulso e foram surgindo desencadeadamente, como apresenta a autora:

 

Se o século XVIII exibe um La Fontaine, exímio no contar fábulas, no século XIX o conto se desenvolve estimulado pelo apego à cultura medieval, pela pesquisa do popular e do folclórico, pela acentuada expansão da imprensa, que permite a publicação dos contos nas inúmeras revistas e jornais. Este é o momento de criação do conto moderno quando, ao lado de um Grimm que registra contos e inicia o seu estudo comparado, um Edgar Allan Poe se afirma enquanto contista e teórico do conto. (GOTLIB, 2006, p. 7)

 

A partir disso, o conto passou a ganhar história, público, status de gênero e reconhecimento. De acordo com Gotlib (2006, p. 13) “A história do conto, nas suas linhas mais gerais, pode se esboçar a partir deste critério de invenção, que foi se desenvolvendo. Antes, a criação do conto e sua transmissão oral. Depois, seu registro escrito. E posteriormente, a criação por escrito de contos [...]”.  Essa arte tomou impulso e ganhou ares, alcançando voos intensos, fantásticos, eróticos, misterioso que conforme a escolha do leitor ao lê-lo, voa consigo.

Essa narrativa permite ao leitor ousar em sua imaginação, haja vista que sua descrição não é minuciosa. Isso permite uma vinculação forte entre o autor, o leitor e o texto, de modo a criar em seu imaginário a fisionomia, a estatura física, o comportamento, enfim, às características das personagens, do espaço, possibilitando um enlace intenso entre essa tríade narrativa.  Nesse sentido, esse gênero,

 

É uma narrativa mais curta, que tem como característica central condensar conflito, tempo, espaço e reduzir o número de personagens. O conto é um tipo de narrativa tradicional, isto é, já adotado por muitos autores nos séculos XVI e XVII, como Cervantes e Voltaire, mas que hoje é muito apreciado por autores e leitores, ainda que tenha adquirido características diferentes, por exemplo, deixar de lado a intenção moralizante e adotar o fantástico ou o psicológico para elaborar o enredo. (GANCHO, 1999, p. 08)

 

O conto é um gênero narrativo que, geralmente, possui uma personagem central e um número pequeno de personagens, desenvolve apenas um conflito e trata-se de uma história curta, sendo essas algumas das características que o distingue dos demais gêneros narrativos. Estes que, por sua vez, também possuem particularidades, como a fábula que comporta uma moral e tem animais como personagens; a novela em que a história gira em torna de uma personagem principal; a crônica que está ligada aos acontecimentos cotidianos e o romance que é uma história extensa e comporta um núcleo central que ocorre simultaneamente com histórias secundárias.

 

O conto cumpre a seu modo o destino de ficção contemporânea. Posto entre as exigências da narração realista, os apelos da fantasia e as seduções do jogo verbal ele tem assumido formas de surpreendente variedade. Ora é o quase-documento folclórico, ora a quase-crônica da vida urbana, ora o quase-drama do cotidiano burguês, ora o quase-poema do imaginário ás soltas, ora, enfim, grafia brilhante e preciosa votada às festas da linguagem. (BOSI, 1997, p. 7)

 

Isso significa dizer que através desse gênero tem-se uma forma de manter viva a cultura, os costumes e as marcas de um povo, que depois de contadas passam a ser lembradas, não caindo no esquecimento. É um gênero que passou por aprovação tendo em vista sua estrutura simples, sua narrativa curta, contendo poucos personagens, por isso fácil de ser memorizada. Ele pode ser adaptado, alterando personagens, transformando o espaço, de acordo com o lugar e a cultura onde está sendo narrada, de modo a não desprender-se totalmente da matriz.

Assim, torna-se uma arte fascinante que encanta crianças, jovens e adultos por conter características típicas, sobretudo, pelos contos tradicionais com finais felizes, mas também pelo teor místico, fantástico e envolvente que ele comporta permitindo que o leitor trabalhe com sua imaginação. Esse gênero possibilita uma contribuição significativa na sala de aula, pois além de permitir o trabalho com a leitura, pode subsidiar atividades de interpretação e produção em sala de aula.

É pertinente lembrar que mesmo o conto possuindo essa caracterização que é padrão/ convencional não é tão simples demarca-lo como gênero, visto que ele acaba fugindo desses limites de teoria de caracterização, tanto é que temos o exemplo de O Alienista, de Machado de Assis (1882), que alguns críticos consideram conto e outros discordam.

 

TRABALHANDO O CONTO EM SALA DE AULA

 

O conto contemporâneo envolve o ser humano em seus múltiplos aspectos literários e reflexivos, apoderando-se de técnicas realistas e de uma visão de ambiente cotidiano para inserir o leitor em uma representação de mundo verossímil onde ele possa se identificar com a estória narrada.

Nesse sentido, trabalharmos com o gênero conto em sala de aula em nosso estágio supervisionado II, na Escola Estadual Profa. Maria Edilma de Freitas, na cidade de Pau dos Ferros/RN, em que elegemos os contos: “Para uma avenca partida”, “Eles” e “Oásis” do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, com o objetivo de analisá-los a partir das categorias da narrativa, além de buscar ampliar a capacidade interpretativa na leitura literária.

Verificamos que o estudo do gênero conto em sala de aula é importante para que o aluno possa desenvolver seu senso crítico a partir da apreciação da narrativa curta que possibilita a contemplação rápida da história o que causa um efeito momentâneo de encantamento e amadurecimento analítico, pois a linguagem  literária evoca a realidade e mostra as nuances de um tempo, e também os sentimentos que permeiam o ser humano como o medo, angústia, insatisfação.

Há nos contos do escritor gaúcho uma necessidade de ponderar e discutir. Dessa forma, os contos mantêm uma ligação natural com os acontecimentos da realidade, pois a literatura permite que os autores criem universos inspirados na sua existência, além de ter o poder de mudar significativamente à concepção de seu receptor sobre o mundo, é por meio dessa percepção que o sujeito descobre outra maneira de ser e agir. Isso possibilita ao aluno reflexão sobre a escrita literária o que desencadeia o estimulo ao desenvolvimento da leitura, pois a partir do momento que o aluno começa a conhecer o texto profundamente acontece o deleite e a instrução.

Buscamos trabalhar em sala de aula, primeiramente, com rodas de leitura, para que os alunos pudessem compartilhar da leitura dos três contos igualmente e trocarem opiniões entre si sobre as três narrativas. Seguidamente, a turma foi dividida em três grupos, cada grupo ficou com um conto para a realização de uma leitura mais aprofundada dando destaque às categorias da narrativa e ao teor poético da escrita do autor. Seguidamente, os grupos apresentaram o enredo, os personagens e o tempo onde se passa à narrativa. Houve uma discussão sobre o estilo de escrita de Caio Fernando Abreu que é muito poética e delimita o território da sensibilidade o que acaba causando no leitor uma reflexão sobre mundo e ser.

Logo após as discussões, trabalhamos com a reescrita, pedimos para que os alunos reescrevessem o desfecho dos contos, essa atividade possibilitou um processo mais assíduo de interação entre autor e leitor, pois reescrever é um componente fundamental no processo de leitura porque desenvolve o senso crítico. Segundo Bernardo (2010, p. 39)

 

Obviamente defendo o rascunho. Não acredito na inspiração. Acredito no esforço múltiplo de uma pessoa, que faz e desconfia do que faz, refaz e des- confia do que refez, até esgotar aquele movimento numa obra, num produto, de modo a partir para outros que devem ser feitos e refeitos. Para a redação, este esforço tem seu ponto no rasgar. Não, é claro, no rasgar desiludido que abandone o ato. Sim no rasgar ansioso e ativo, que instante contínuo reescreve.

 

Sendo assim, Bernardo defende o ato da reescrita porque essa prática possibilita o repensar de ideias e acontece principalmente por meio da leitura. É preciso muita leitura e refacção para que  nossas ideias transformem-se em um produto. Além de ser uma prática interativa entre o texto e o leitor.

Quando iniciamos o trabalho com os contos, percebemos um grande interesse pela maioria dos alunos em participar. Nas primeiras leituras os alunos mostravam timidez em argumentar, contudo isso foi mudando conforme nossa instigação. Decidimos, deixar os alunos à vontade para explorarem o texto da forma como eles imaginavam que poderia ser, para que assim pudessem ficar menos apreensivos e consequentemente, perdessem a timidez. Aos poucos começamos a auxiliá-los atentando para a interpretação do texto e na  reescrita, os alunos encontraram-se mais confiantes o que possibilitou alcançar uma atividade com resultados produtivos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

            Atividades realizadas através do gênero conto desenvolvidas no espaço escolar é uma importante ferramenta de aprendizagem, devido ao fato de que os alunos além de encontrarem a oportunidade de interagir e expandir seus conhecimentos culturais amplia ainda a capacidade interpretativa no momento da leitura literária.

            Durante o trabalho com os contos, foi possível perceber a obtenção de alguns resultados positivos tais como, desenvolvimento do senso crítico, gosto pela leitura, a capacidade de trabalhar em grupo, mas o que nos rendeu maior satisfação foi exatamente o fato de que os alunos interagiram com o texto literário de forma prazerosa, o que na maioria das vezes tem se tornado algo raro de se ver nas salas de aula.

Portanto, o trabalho com o gênero conto é uma prática pedagógica instigante, pois proporciona o desenvolvimento de habilidades de suma importância na formação do aluno, no tocante a sua imaginação, sensibilidade e criatividade, fazendo com que o sujeito reflita sobre a realidade e respeite a diversidade social.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

ARISTÓTELES. Coleção “Os Pensadores”. São Paulo: Editora Nova Cultura Ltda. 1991.

 

ADORNO, Theodor N. Posição do narrador no romance contemporâneo. Notas de Leite – rotura I. São Paulo: Editora 34, 2003.

 

BERNARDO, G. Redação inquieta. Rio de Janeiro: Rocco, 2010

 

PUCHALSKI, Francine Bystronski. Perspectivas para o ensino de literatura: o espaço do gênero conto e sua abordagem em livros didáticos. Dissertação. Porto Alegre, 2014.

 

SOUZA, Renata Junqueira de. Letramento literário: uma proposta para sala de aula. Univesp. São Paulo. 2012.

 

ZAFALON, Míriam. Leitura e ensino da literatura: reflexões. Artigo. Educadores. UEM 2010.

 

ZINANI, Cecil Jeanine Albert. Santos, Salete Rosa Pezzi dos. Ensino de literatura: possibilidades e alternativas. II CILLIJ. UCS, 2002.

 

 

 

 

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