Movies, Matchings e meia dose de pinga

Economia Problemas Ajuda
Movies, Matchings e meia dose de pinga
Ricardo Cataldi
em 29 de Agosto de 2014

Ao assistir ao filme "Deus e o Diabo na terra do sol", percebi duas coisas relacionadas a preferências. Primeiro, é difícil gostar de bons filmes. Quero dizer, filmes que são sucesso estrondoso de crítica, que geralmente entendo pouco, e gosto menos ainda. Esse gosto, que os economistas chamam simplesmente de preferências, é particularmente interessante quando tratamos de filmes. Existe uma coisa em economia chamada de matching (combinação, em tradução livre), que busca entender como os agentes econômicos buscam as melhores alternativas de trocas ­ que vão desde os bens preferidos em um leilão ao filme que se quer assistir num domingo à noite ­ disponíveis, e como estes indivíduos buscam a melhor forma de encontrar os outros agentes que possuem os bens que eles preferem.

Existem algumas coisas que fazem com que as pessoas mudem suas alternativas ou tenham problemas em encontrar as melhores opções. Uma delas é a falta de informação confiável que se tem sobre um determinado assunto, e algumas informações disponíveis podem, ao invés de ajudar, atrapalhar a escolha. Uma dessas coisas são as críticas renomadas a filmes. Por outro lado, existem coisas que tornam mais fácil qualquer decisão. Uma dessas coisas é o alcool e outras drogas, ou de forma mais romântica, meia dose de pinga.

Pois bem. Imaginem que vocês estão por aí, querendo assistir a um filme, qualquer filme, e se deparam com um cinema que só passa cults (tipo o Belas Artes, em São Paulo). Lógico, alguns de vocês vão saber de coro quais são os enredos de cada um dos filmes que passam ali, mas a maioria vai olhar pras telas e imaginar: "Qual o filme aqui que eu deveria escolher pra (digamos) ficar tranquilão?", e não vão fazer ideia da combinação perfeita de filme, companhia e pipoca.

Uma grande ajuda aqui seria uma crítica especializada. Mas essa crítica geralmente diz que esse tipo de filme, qualquer que seja, é muito bom, enquanto os blockbusters, que o cidadão médio considera muito bom, é muito ruim. Se você for ler a crítica pra te ajudar a decidir, pode ter um problema: os críticos vão concordar que o filme é bom, mas você vai achar que o filme é (nos desculpem as meninas) uma bosta. Você entra pra ver o filme e percebe que é uma daquelas re­encenações do cinema mudo, com um audio todo distorcido, e com uma narrativa completamente caótica, bem diferente dos blockbusters, com sua narrativa linear e seus efeitos especiais bem doidos.

Isso é um problema de matching. Você não vai querer perder tempo indo até outro cinema, se é que existe outro, pegar uma fila gigantesca, tanto pro ingresso quanto pra pipoca, pra assistir um filmezinho b que só tem pancadaria, tiro e mulher pagando peitinho. Também não vai querer assistir a qualquer filme nesse cinema que você está. O que fazer? Meia dose de pinga. Tudo o que você precisa é de meia dose de pinga: vai te deixar mais relachada(o) e, dependendo da dose, você vai até curtir aquele filme doidão, que nem você estará.

Ou, pra não dizerem que faço apologia às doidices aqui, você pode criar alguma combinação de bens que faça com que o filme seja mais divertido. Pode ser assistí-lo ao lado daquela guriazinha (ou gurizão), que curte filmes cult sem pé nem cabeça, ou pode querer construir as tuas preferências (algo à lá Economia Comportamental) para filmes cult. É sempre importante lembrar que a teoria econômica é capaz de mostrar que, ao mesmo tempo em que podemos ter bens substitutos - filmes cult e filmes blockbusters -, podemos ter bens complementares - fimes cult e guriazinhas cult - que fazem com que algo que não era preferido passe a ser.

No final das contas, é só saber usar o matching.

São Paulo / SP
Mestrado: Matemática Aplicada (Universidade de São Paulo (USP))
Sou graduado em Economia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Mestrando em Matemática pela Universidade de São Paulo. Fui monitor de Microeconomia durante a graduação e monitor de Microeconomia e Teoria dos Jogos durante o Mestrado. Acho importante que os as pessoas aprendam, mas entendo que cada um tem sua forma, seu ritmo e seu estilo de aprendizado. Por isto, procuro me adaptar ao estilo do aluno, trazendo não ...
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