A REFORMA PROTESTANTE
Alcides B.
em 13 de Outubro de 2020

INTRODUÇÃO

 

“Lutero opôs-se à igreja não porque ela exigisse demais, mas porque exigia muito pouco”. [1]

 

A reforma protestante foi o evento que selou a ruptura entre a igreja Católica e o que posteriormente foi denominado como protestantismo. Embora as abordagens anteriores à história da Reforma fornecem discernimentos valiosos para a compreensão de um período complexo, segundo nos propõe George (1993), “devemos reconhecer que a reforma foi essencialmente um evento religioso; seus mais profundos interesses, foram teológicos” [2]. Em outro aspecto, a Reforma foi considerada um movimento que desencadeou um reavivamento, considerando que os protestantes voltaram seus corações no sentido que os principais personagens, “desejavam uma reforma a partir da própria igreja”, contendo o aspecto central e vocacional da pregação reformista. Contudo, outro ponto que fica evidente neste período é o seu caráter revolucionário, que para isso, os reformadores desafiaram a autoridade dos bispos, cardeais e até mesmo do Papa, algo inconcebível, considerando que este detinha um poder teocrático. [3]

Em contra partida, “a maioria das nações que adotaram os princípios da Reforma jamais havia integrado o Império Romano ou seus territórios limitrifes”, como defende Cairns (2008).  Neste contexto, temos Martinho Lutero como um dos mais importantes reformadores do século XVI. A visão acerca de Lutero diverge muito com relação à historiografia. Por exemplo, a católica tradicional “retrata um monge louco, um psicótico demoníaco derrubando os pilares da Igreja Mãe”. Seguindo esta linha, Timothy (1993), segue argumentando que para os protestantes ortodoxos, “Lutero foi o cavaleiro divino, um Moisés, um Sansão, um Elias, até mesmo o Quinto Evangelista e anjo do Senhor”. Embora não tenhamos a intenção de exaltar a figura de Lutero, no decorrer desta breve pesquisa, evidenciaremos como este “vocacionado ao trabalho divino” se tornou um dos principais expoentes do movimento reformista.

 

A FORMAÇÃO TEOLÓGICA DE MARTINHO LUTERO

 

Segundo consta, Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, situada ao leste da Alemanha. Era filho de um minerador de prata de classe média que foi destinado ao estudo do Direito onde teve um encontro divino e voltou-se para o mosteiro onde se dedicou ao ensino teológico, onde ampliou seu conhecimento acerca de Deus, sua fé e consequentemente da própria igreja[4].

Em meados de 1507, Lutero foi ordenado e neste mesmo ano celebrou sua primeira missa como sacerdote. Passado este que seria um experimento que marcaria de uma vez por todo seu ministério, em 1508, passou a ensinar teologia por um semestre na nova universidade, fundada em Wittenberg em 1502 por Frederico o conhecido eleitor da Saxônia. Contudo, esses estudos aguçaram ainda mais uma intensa luta interior que Lutero convivia com relação à vida e a fé. Sabe-se que Joham Von Staupitz (c.1469 -1524), foi um importante conselheiro do monge que dizia que ele deveria “confiar em Deus e a estudar mais a bíblia”. Todas as narrativas sobre a vida e obra de Martinho Lutero, apresentam um homem que estava em constantes batalhas espirituais e que certamente o levaram cada vez mais em busca por algo que o convencesse de sua realidade conturbada e uma constante agonia existencial.

Mas foi em meados de (1510 e 1511) que sua ordem o enviou em uma missão a Roma, o que para muitos historiadores consideram com o marco da “consciência reformista” de Lutero. Segundo argumenta Cairns (2008), “lá viu um pouco da corrupção e da luxúria da Igreja romana, onde começou a compreender a necessidade de mudanças na Igreja”. Isso foi possível devido a inúmeras visitas que fez as igrejas onde observou as diversas relíquias que pertencia a Igreja e que para ele significava que algo estava errado e em descompasso com a Escritura Sagrada. Na verdade, Lutero, desde seu chamado ao serviço do reino foi condicionado a pensar a Igreja a partir da própria Igreja. Nunca foi sua intenção romper com a Igreja Católica, ou como bem definiu o teólogo e católico Hans Kung “Martinho Lutero foi o homem certo na ocasião certa [...] Para ele, sem Lutero não teria sido possível a Reforma na Alemanha”. [5] Um ponto que deixa isso bem evidente é sem dúvidas a própria argumentação inicial que foi utilizada no cartaz de convite no momento que foi afixado as 95 teses em Wittenberg, como se segue abaixo:

 

[...] por amor à verdade e no empenho de sondá-la, as seguintes proposições deverão ser discutidas em Wittenberg, sob a presidência do digníssimo padre Martinho Lutero, mestre das Artes e da santa Teologia e catedrático dessa disciplina nessa localidade. Portanto, ele solicita que os que não puderem estar presentes para debater conosco oralmente o façam, mesmo que ausentes, por escrito. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo, amém. [6]

 

Contudo, a descrição acima deve ser avaliada de modo pacífico e sereno. Com isso, refiro-me a ideia de que Lutero tinha por objetivo convocar aos interessados e acadêmicos ao debate das 95 teses, surgidas a partir dos eventos ocorridos no seio da Igreja. Na verdade, o próprio conceito desta obra remete ao disputatio que abrange justamente ao convite para envolver ou participar todos aqueles que tivessem interesse aos assuntos ali tratados. Era um convite para o debate ou ainda, uma oportunidade de se colocar em evidência os temores advindos dos eventos realizados pela Igreja.

Em 1511, Lutero foi transferido para Wittenberg. Logo, tornou-se professor de Bíblia e recebeu seu título de doutor em teologia. Essa foi na verdade a posição que ele carregou até os últimos dias de sua vida, o ensino “teológico e bíblico”. Na universidade e após diversas missas realizadas, Lutero aceita “a justificação pela fé”, o que posteriormente foi amplamente discutido por professores, alunos e amigos e pessoas leais que aceitaram a fé, o que não demorou muito para este conceito se espalhar por toda a Alemanha. Este seria um dos grandes pontos da teologia Luterana.

Em seguida, temos o surgimento do termo “que somente na Bíblia se podia encontrar verdadeira autoridade”. Isso foi possível graças ao seu interesse pelas línguas originais das Escrituras, o que era indispensável para lecionar e ensinar os livros da Bíblia. Esses eventos o prepararam teologicamente para entreves e debates acerca das escrituras que Lutero teria nos anos que estavam por vir. Contudo, de acordo com Cairns (2008), enquanto preparava suas aulas, “ele encontrou a paz interior que não conseguira nos ritos eclesiásticos”, o que posteriormente ficou caracterizada por Lutero como uma fé mecânica que consistia na infantilização dogmática dos costumes. Para ele, o simples fato de congregar não representava um amadurecimento espiritual na vida dos católicos, como se isso, fosse capaz de satisfazer os diversos entraves existenciais que homens tendem a conviver.  

Sobretudo, os estudos acerca dos livros de Romanos, Gálatas e Hebreus é que surge o conceito da justificação pela fé (sola fidelidade), principalmente nos que diz respeito ao verso de 17 do capítulo 1 de Romanos. [7] Segundo nos remete Carson (2008), “a leitura deste texto o convenceu-o de que somente pela fé em Cristo era possível alguém tornar-se justo diante de Deus”. Para Lutero, nenhum outro subterfúgio seria capaz de se sobrepor ao que ele considerava como a “justiça de Deus”.

De acordo com Vieira (2016), a “Fé é a resposta, ou ato de vontade com a qual a pessoa apega-se à palavra da promessa, ou seja, ao evangelho. Pode ser dito que a fé tem dois como objetivo: Deus e a palavra da promessa. Sem fé não se alcança nada via meios moralistas, porque não há nada de bom no homem”. Essa definição é muito oportuna porque evidencia a temática central do pensamento Luterano. [8]

Contudo, Em 1545, na introdução da primeira edição de suas obras em latim, Lutero fala do seu rompimento com a igreja e expõe suas questões pessoais sobre o tema da justiça de Deus:

 

Eu fora tomado por uma extraordinária paixão em conhecer a Paulo na Epístola aos Romanos. Fazia-me tropeçar não à firmeza de coração, mas uma única palavra no primeiro capítulo: “A justiça de Deus é nele [no Evangelho] revelada” (Rm 1.17). Isso porque eu odiava esta expressão “justiça de Deus”, pois o uso e o costume de todos os professores me havia ensinado a entendê-la filosoficamente como justiça formal ou ativa (como a chamam), segundo a qual Deus é justo e castiga os pecadores e injustos. Eu não amava o Deus justo, que pune os pecadores; ao contrário, eu o odiava. [...] Aí Deus teve pena de mim. Dia e noite eu andava meditando, até que, por fim, observei a relação entre as palavras: “A justiça de Deus é nele revelada, como está escrito: o justo vive de fé”. Aí passei a compreender a justiça de Deus como sendo uma justiça pela qual o justo vive através da dádiva de Deus, ou seja, da fé. Comecei a entender que o sentido é o seguinte: Através do evangelho é revelada a justiça de Deus, isto é, a passiva, através da qual o Deus misericordioso nos justifica pela fé, como está escrito: “O justo vive por fé”. Então me senti como que renascido, e entrei pelos portões abertos do próprio paraíso. [9]

 

Segundo nos propõe Vieira (2016), Lutero entendia que essa “justiça”, era o meio pelo qual “Deus manifestava sua ira punindo os pecadores. Mesmo sendo um monge e tendo uma vida exemplar, não sentia paz consigo, o pavor do pecado o seguia. Junto a isso havia aquela sensação de não agradar a Deus com suas obras”. Neste sentido, Lutero compreendia, a obra humana como pré-requisito para a justificação, isso é, algo que o pecador poderia fazer antes que pudesse ser justificado. Aos pouco, Lutero entendeu que isso não era possível, foi então que descobriu um novo sentido para a expressão “justiça de Deus”. Essa não era mais uma justiça punitiva, era a “justiça” que Deus concede ao pecador. [10]

               Posteriormente, surgem os conceitos da sola scriptura, a ideia segundo a qual as Escrituras são a única autoridade para o pecador procurar a salvação, e o princípio de sola sacerdos, o sacerdócio dos crentes, “passaram a ser os pontos principais de seu sistema teológico”, afirma Carson (2008). [11]

A ritualização das missas era utilizada apenas como atos dogmáticos e puramente temporários. Em seus sermões inflamados, Lutero afirmava com fervor acerca da vida prática e devocional que seus membros deveriam ter. Não demorou muito quando ele começou a atacar a comercialização de itens considerados sagrados pela Igreja. Neste período, tudo era utilizado como meio de arrecadação em nome da fé. Pedaços de cruz, ossos dos santos, viraram relíquias primorosas que eram utilizadas como forma de persuadir o povo que as considerava valiosas e santas.

Estes eventos, sobretudo, levaram o povo a irar-se com os constantes pedidos de dinheiro feitos pela direção de uma instituição que não parecia retribuir com o serviço as comunidades que se associavam à igreja. Em linhas gerais, os fatores morais são considerados uns dos principais pontos que culminaram com os eventos da Reforma Protestante. Sem dúvidas, ao analisarmos a postura adotada pela Igreja, não seria difícil imaginarmos que cedo ou tarde eventos revolucionários fariam parte dos embates enfrentados pela instituição católica. No entanto, é preciso destacar sobre as palavras de Timothy (1993), “longe de tentar fundar uma nova denominação, Lutero sempre viu a si mesmo como um fiel e obediente servo da igreja”.

 

O PENSAMENTO TEÓLOGICO DE MARTINHO LUTERO

 

Ao lermos a bibiografia de Lutero e seus escritos teológicos, vemos um homem cheio da perspectiva do Reino, baseada em uma mente sagaz para serviço do Eterno. Ele jamais tentou ou quis influir uma revolta contra a Igreja Católica, mesmo que isso significasse abusos por parte dela. Sobretudo, segundo nos conta Timothy, “longe de tentar fundar uma nova denominação, Lutero sempre viu a si mesmo como um fiel e obediente servo da igreja” (1993, p. 55). Com isso, é um erro atribuir a Lutero um espírito “revolucionário revoltado”, como o que foi pintado pela Igreja.

Sabe-se que ao surgir os primeiros protestantes na Europa, como na Inglaterra, França e Alemanha, Lutero mostrou-se muito preocupado com a ideia de que estes estavam considerando ser seguidores do homem Martinho Lutero e não do Cristo que redimiu seu povo da perdição. Atualmente, vivenciamos isso de muitas maneiras na igreja brasileira, sobretudo no que diz repeito ao “culto da personalidade”, onde o pastor, teólogo e outros arrastam multidões em nome de suas causas e interesses próprios.[12] Abaixo vejamos o que Lutero considerou sobre esta possibilidade;

 

[...] a primeira coisa que peço é que as pessoas não façam do meu nome e não chamem luteranas, mas cristãs. Quem é Lutero? O ensino não é meu. Nem fui crucificado por ninguém. Como eu, miserável saco de fétido de larvas que sou, cheguei ao ponto em que as pessoas chamam os filhos de Cristo por meu perverso nome? [13]

De acordo com Timothy (1993), Lutero não via a si mesmo como agente da revolução eclesiástica, um Lenin ou um Robespierre do século XVI que abalaria o mundo e derrubaria reinos. Isso porque, “o que Lutero realmente fez o que realmente foi chamado para fazer, ouvir a Palavra. Ou ainda, “se você perguntar a um cristão qual a sua tarefa e por que ele é digno do nome cristão, não pode haver nenhuma outra resposta senão que ele ouve a Palavra de Deus, isto é, a fé”. Os ouvidos são os únicos órgãos do cristão”.

 

AS 95 TESES DE MARTINHO LUTERO

 

O contexto que antecedeu as 95 teses, retratava uma Igreja em decadência onde as indulgências faziam parte do que ficou conhecido como “economia da salvação ou ação retributiva”. Este sistema consistia no fato de que quando os cristãos pecassem e confessassem, eles são perdoados e não recebem mais a condenação eterna no mundo de dor e tomento que a bíblia relata, mas podem ainda ser passíveis de castigo temporal. Tal punição poderia ser quitada pelo penitente com a realização de obras de misericórdia. Se esta punição temporal não for quitada durante a vida, ela precisaria ser no purgatório. Com uma indulgência, esta punição temporal poderia ser diminuída. Com o abuso do sistema de indulgências, o clero se beneficiava com a venda destas, e o papa dava uma sanção oficial em troca de uma taxa. [14]  Neste sentido, Lutero defendeu seu ponto de vista na tese 72 quando disse: “Bem-aventurado é aquele que luta contra a dissoluta e desordenada pregação dos vendedores de perdões”.

No que se referem às vendas, os papas são autorizados a conceder indulgências plenárias, que fornecem completo perdão para qualquer punição temporal restante devido aos pecados, estas eram compradas em nomes de entes que se acreditava estarem no purgatório. Isso levou à criação do dito popular: "Assim que a moeda no cofre cai, a alma do purgatório sai".

Apesar de haver discurso mais contundente no período de Lutero contra as indulgências, estas foram duramente criticadas pelos pré-reformadores. Entre os opositores mais antigos das indulgências inclui-se John Wycliffe (1320 – 1384), que negou que o papa tivesse jurisdição sobre o purgatório. Jan Hus (1369 – 1415) e seus seguidores defendiam um sistema mais severo de penitências, no qual as indulgências não estavam disponíveis. Já os governantes políticos tinham interesse em controlar as indulgências porque as economias locais sofriam quando determinados territórios eram utilizados como pagamento das indulgências. Os governantes, muitas vezes, procuravam receber uma parte dos lucros ou das indulgências proibidas, como fez Jorge, Duque da Saxônia no Eleitorado da Saxônia de Lutero. [15]

No ano de 1515, o Papa Leão X concedeu uma indulgência plenária destinada a financiar a construção da Basílica de São Pedro em Roma, que seria aplicável a quase todos os pecados, com exceção do adultério e do roubo.  Todas as outras pregações de indulgência cessariam em um período de oito anos, enquanto esta seria oferecida a quem doasse valores para ajudar na construção do que atualmente é o centro da Igreja Católica. Aos pregadores de indulgência foram dadas instruções rigorosas de como as indulgências deveriam ser pregadas, sendo que estas deveriam ser muito mais laudatórias do que as anteriores. Johann Tetzel (1465 - 1519) foi o encarregado de pregar e oferecer esta indulgência em 1517, e sua campanha em cidades próximas à Wittenberg atraiu muitos dos moradores para viajarem a tais localidades para comprá-las, uma vez que sua venda havia sido proibida em Wittenberg e outras cidades saxônicas.

O próprio Lutero chegou a ter experiência com as indulgências relacionadas à Igreja do Castelo de Wittenberg.  Ao venerar a grande coleção de relíquias da igreja, qualquer um poderia receber uma indulgência. No entanto, ele já pregava desde 1514 contra o abuso das indulgências e o modo como eles barateavam a graça (um dos principais temas da teologia Luterana) ao invés de exigir um verdadeiro arrependimento. Lutero ficou preocupado principalmente em 1517, quando os seus paroquianos, ao retornarem da compra de indulgências oferecidas por Tetzel, afirmaram que eles não precisavam se arrepender e mudar as suas vidas para serem perdoados de seus pecados. Contudo, depois de escutar o que Tetzel discorria sobre as indulgências em seus sermões, Lutero começou a estudar cuidadosamente o assunto. Ele realizou diversas pregações em sobre as indulgências, sempre explicando “que o verdadeiro arrependimento era mais eficaz do que a compra de uma indulgência”. Lutero dedicou-se a ensinar que receber uma indulgência “pressupunha que o penitente havia se confessado e se arrependido, caso contrário de nada valia”. Para ele, um pecador verdadeiramente arrependido também não procuraria uma indulgência, “porque amava a justiça de Deus e desejava receber o castigo interior de seu pecado”. Estes sermões cessaram de ser pregados entre abril e outubro de 1517, presumivelmente enquanto Lutero escrevia as 95 Teses. Ele redigiu um Tratado Sobre a Indulgência e a Graça no início do outono de 1517, sendo este um exame cauteloso e uma pesquisa sobre o assunto. Ele contatou os líderes da igreja por meio de cartas, incluindo o seu superior Hieronymus SchulzBispo de Brandemburgo, alguns dias antes de 31 de outubro, que foi quando ele enviou as 95 Teses para o Arcebispo Alberto de Mainz.

Portanto, foi nesse cenário que Lutero em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que desejava discutir com os teólogos católicos, dos quais versavam principalmente sobre a penitência, indulgências e a salvação pele fé.[16] Este evento marcaria o início do que posteriormente ficou conhecido como Reforma Protestante. Esse era o modo usual de se anunciar uma disputa. Esse aspecto fazia parte da vida acadêmica e não havia nada de incomum neste ato de Lutero. Devido à incontrolável repercussão, eclodiu o movimento que ficou conhecido como Reforma Religiosa do Século XVI.

Em consonância, Lutero escreve “Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade, discutir-se-á em Wittenberg sob a presidência do Rev. Padre Martinho Lutero o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratar do assunto verbalmente conosco, poderão fazê-lo por escrito. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém”.

Contudo, devemos destacar que a primeira tese tornou-se muito famosa: "Ao dizer: 'Fazei penitência', etc. que tem base no texto de (Mateus 4:17), o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência." Nas primeiras teses, Lutero desenvolve a ideia de arrependimento do cristão em uma luta interna contra o pecado, invés de um sistema externo de confissão sacramental. Para ele, nada poderia validar o verdadeiro arrependimento de coração, até mesmo os atos sacramentais.

Depois, nas teses (5–7) afirmam que o papa só possui o direito de libertar as pessoas de punições que ele mesmo impôs por decisões próprias ou dos cânones, e não da culpa do pecado. O papa só possui o direito de anunciar o perdão de Deus da culpa do pecado no nome dele. De certo modo, Lutero defendia que Igreja estava colocando julgo desnecessário sobre seus membros e que toda opressão e dores causados neles eram frutos das obras da própria instituição e não de Deus.

Já nas teses (14–29), Lutero desafiou as crenças comuns sobre o purgatório. As teses (14–16) discutem a ideia de que a punição do purgatório pode ser comparada ao medo e ao desespero sentidos pelas pessoas que morrem. Esse era ponto principal do qual a Igreja se detinha. A ideia de resgatar um ente querido do purgatório, sem dúvidas, moveu milhares de fieis a comprarem indulgências na esperança de salvarem aqueles que poderiam esta lá.

Contudo, as teses de (17–24), “ele afirma que nada pode ser definitivamente dito sobre o estado espiritual das pessoas que se encontram no purgatório”, e conclui nas teses (25 e 26) negando que o papa tenha qualquer poder sobre as pessoas no purgatório. Nas teses (27–29), ele ataca a ideia de que, assim que o pagamento é feito, a alma do ente querido do pagador é libertada do purgatório. Ele vê isso como uma maneira de encorajar a ganância pecaminosa, e diz “que é impossível ter certeza porque somente Deus tem poder supremo em perdoar punições no purgatório”.

As teses de (30–34) tratam da desconfiança que Lutero possuía sobre os pregadores de indulgência que as ofereciam para os cristãos. Uma vez que ninguém sabe se uma pessoa está verdadeiramente arrependida, uma carta que assegura uma pessoa de seu perdão é perigosa e de certo modo, muito suspeita. Em paralelo a isso, as teses (35 e 36), Lutero ataca diretamente a ideia de que uma “indulgência torna o arrependimento desnecessário”. Isso leva à conclusão de que a pessoa verdadeiramente arrependida, que só pode se beneficiar da indulgência, já recebeu o único benefício que ela proporciona. Os cristãos verdadeiramente arrependidos, segundo Lutero, já foram perdoados de seus pecados e respectivas culpas.

Com relação às teses (37 e 38), Lutero deixa explícito que as “indulgências não são necessárias para que os cristãos recebam todos os benefícios proporcionados por Cristo”. Seguindo uma relação semelhante, Lutero nas teses (39 e 40) argumenta que as “indulgências tornam o verdadeiro arrependimento mais difícil. O verdadeiro arrependimento deseja a punição de Deus para com o pecado, mas as indulgências ensinam a evitar a punição, uma vez que esse é o propósito de comprar uma indulgência”.

Nas teses (41–47), temos Lutero criticando diretamente “as indulgências com base em que estas desencorajam obras de misericórdia por aqueles que as compram”. Aqui ele começa a utilizar a frase "Deve-se ensinar aos cristãos que..." para indicar como ele acha que as pessoas devem ser instruídas sobre o valor das indulgências. Elas devem ser ensinadas que dar aos pobres é incomparavelmente mais importante do que comprar indulgências, já que a compra de uma indulgência sem dar nada aos pobres provoca a ira de Deus, e fazer boas obras torna uma pessoa melhor, enquanto a compra de indulgências não provoca este efeito.

Depois, nas teses (48–52), Lutero discorre sobre o papel do papa, dizendo que se o papa soubesse o que estava sendo pregado em seu nome, ele "preferiria reduzir a cinzas a Basílica de São Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas." As teses (53–55) são lamentações sobre as restrições na pregação da Palavra enquanto havia o oferecimento de indulgências. Lutero critica a doutrina do tesouro do mérito, ou tesouro da Igreja, que serve de base para a doutrina das indulgências, durante todas as teses (56–66). Ele afirma ainda que “os cristãos não entendem a doutrina verdadeira e estão sendo enganados, pois, para ele, o verdadeiro tesouro da Igreja é o Evangelho de Jesus Cristo”. Contudo, para Lutero, este tesouro acaba sendo odiado "pois faz com que os primeiros sejam os últimos", segundo palavras de Mateus 19: 30 e Mateus 20: 16. Lutero utiliza de metáfora e de jogo de palavras para descrever os tesouros do evangelho como redes para pescarem homens de riqueza, enquanto os tesouros das indulgências são redes para pescar a riqueza dos homens.

Durante as teses (67–80), Lutero discute ainda mais sobre os problemas causados pela forma como as indulgências estavam sendo pregadas, conforme carta que enviou ao Arcebispo Alberto. Os pregadores têm promovido indulgências como a maior das graças disponíveis na igreja, mas na verdade só promovem a ganância. Segundo Lutero, os bispos foram ordenados a oferecer reverência aos pregadores de indulgência que entram na sua jurisdição, mas os bispos também são acusados ​​de proteger o seu povo de pregadores que pregam de forma contrária à intenção do papa. Ele então ataca a crença supostamente propagada pelos pregadores de que a indulgência poderia perdoar alguém que violou a Virgem Maria. Lutero afirma ainda que as indulgências não podem tirar a culpa nem do mais leve dos pecados veniais.

Nas últimas partes, Lutero enumera várias críticas feitas por leigos contra indulgências nas teses (81–91). Ele as apresenta como difíceis objeções que seus fiéis estão trazendo, invés de realizar suas próprias críticas. Como ele deveria responder àqueles que perguntam por que o papa não esvazia o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas? O que ele deveria dizer àqueles que perguntam por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que o papa não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos? Lutero afirmou que parecia estranho para alguns que pessoas piedosas no purgatório pudessem ser redimidas por pessoas ímpias e vivas. Lutero também menciona a questão de por que o papa, que é muito rico, requer dinheiro de crentes pobres para construir a Basílica de São Pedro. Ele afirma que ignorar estas questões significa expor a igreja e o papa à zombaria dos inimigos e fazer os cristãos infelizes. Ele apela ao interesse financeiro do papa, dizendo que se os pregadores limitassem sua pregação de acordo com as posições de Lutero sobre as indulgências as objeções deixariam de ser relevantes. Lutero encerra as Teses exortando os cristãos a imitar Cristo, mesmo que traga dor e sofrimento: "E que confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz”.  

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Em suma, Martinho Lutero depreendeu que o antigo meio de justificação, participação infusão, não era viável, pois ninguém pode contribuir com Deus para a salvação. Nesta medida, propôs uma ideia forense, onde justificação é imputação. Por meio da fé Deus imputa a salvação no ser humano sem o auxílio das obras. Era isso que Lutero tanto defendeu ao destacar a fragilidade e a incapacidade das indulgências de ter condições de transformar os homens de seus tormentos.

Em seguida, verificamos que a formação teológica e bíblica que Lutero recebeu, foi fundamental para os diversos entraves que seguiriam durante os anos da Reforma na Alemanha. Contudo, analisamos um homem devoto e apaixonado pelo Reino e principalmente pelo seu amor a Igreja. Conforme a historiografia, em nenhum momento Lutero teve o objetivo criar ou formar outra instituição. Em suma, vemos um homem que se dedicou ao chamado da restauração da Igreja a partir da própria Igreja.

Por fim, na breve compilação das 95 teses, compreendemos os motivos que estavam ligados diretamente aos eventos produzidos pela Igreja Católica. Nesta obra, Lutero convoca todos os interessados para um debate onde se pudesse tirar proveito e encontrar uma saída válida e restauradora das ações da Igreja, principalmente no se refere à prática e vendas indiscriminadas das indulgências.

 

REFERÊNCIAS

 

CAIRNS, Earle Edwin. O Cristianismo Através dos Séculos. Uma História da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2008.

CARSON, D. A. Comentário Bíblico. São Paulo: Vida Nova, 2009.

GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1993.

HANS, Kung, Os grandes pensadores do cristianismo. Lisboa: Editorial Presença, 1999.

LUTERO, Martinho. Uma Coletânea de Escritos. Tradução de Johannes Bergmann, Arthur Wesley Duck e Valdemar Kroker. São Paulo: Vida Nova, 2017.

LUTERO, Martinho. A Epístola do Bem-aventurado Apóstolo Paulo aos Romanos. In: Martinho Lutero Obras.

NUNES, R. História da Educação na Idade Média. São Paulo: Edusp, 1979.

 

TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. 4. ed. Trad. Jaci Maraschimn. São Paulo: Aste, 2007.

VIELHAUER, Philipp. História da Literatura Cristã Primitiva: introdução ao Novo Testamento, aos Apócrifos do Novo Testamento e os Pais Apostólicos. Trad. Ilson Kayser. São Paulo: Academia Cristã, 2012.

 

[1]  Oswald Spengler, in The Declino of the West. 

 

[2]  Os fatores e acontecimentos que culminou com Reforma são bastante ambíguos se tentarmos elencar o principal. Contudo, a historiografia aponta que este movimento foi condicionado por diversos fatores, dentre eles os políticos, sociais, econômicos, morais e intelectuais. Mas, acima de tudo, foi um movimento religioso liderado por homens interessados em uma reforma verdadeira do cristianismo a partir da própria Igreja. No entanto, cabe-nos ressaltar que o fator Moral foi sem duvidas, um dos principais elementos que instigou as ações reformistas. Os anos antes da Reforma Protestante também foram marcados pela corrupção moral e o abuso de posição na igreja Católica Romana. Ainda mais, o sacerdócio era culpado de vários abusos de privilégios e responsabilidades, inclusive simonia que consistia em “usar as próprias riquezas ou influência para comprar uma posição eclesiástica” ou ainda o pluralismo que era o ato de “ocupar vários cargos simultaneamente” e absentismo, que em por menores representava “a falha em residir na paróquia onde deviam administrar”. A prática do celibato que foi imposta pela igreja no sacerdócio muitas vezes era abusada ou ignorada, levando a conduta imoral por parte do clero. Padres ignorantes com mentes mundanas corromperam suas posições pela negligência e abuso de poder. Estes eventos tornaram-se solo fértil para a eminente e contundente Reforma. 

 

[3]  Trata-se da definição do substantivo feminino que estabelece uma forma de governo em que os membros da Igreja interpretam as leis e têm autoridade tanto em assuntos cívicos quanto religiosos. A palavra vem do grego theos, que significa Deus, e kratein, que significa governar.

 

[4] Refiro-me, ao desejo de seu pai que Lutero estudasse direito. No entanto, Lutero, ficou apavorado durante uma perigosa tempestade na estrada perto de Erfurt, em 1505, prometendo a Santa Ana tornar-se monge caso fosse poupado da morte. Não obstante, crescia sua preocupação com a sua alma e que deveria dedicar seu coração aos serviços eclesiásticos como forma de gratidão e absolvição de sua tormenta. Frustrado, seu pai considerou este evento como “uma tramoia do diabo” que tinha a intenção de ludibriá-lo. Cairns, Earle Edwin. O Cristianismo Através dos Séculos. Uma História da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 259.

[5]  Hans Kung, Os grandes pensadores do cristianismo (Lisboa: Editorial Presença, 1999), p. 125 -6.

 

[6] Lutero, Martinho. Uma Coletânea de Escritos. Tradução de Johannes Bergmann, Arthur Wesley Duck e Valdemar Kroker. São Paulo: Vida Nova, 2017, p. 40.

 

[7] Refiro-me, certamente, ao texto que diz “Visto que a justiça de Deus se revela no Evangelho, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito; o como justo viverá pela fé”. De acordo com D. A. Carson (organizador), a ansiedade de Paulo para pregar o evangelho em Roma (verso 15) leva diretamente à descrição que ele faz desse evangelho nos versos 16,17. Na verdade resalta Carson, que estes versículos expressam “o tema central de Romanos e fazem a transição entre a introdução (1.1 -15) e o corpo da carta (1.18-15.13)”. A palavra-chave nessa declaração do tema bem o motivo central da carta é o evangelho. No verso 1.1, Paulo, afirma que “não se envergonhar do evangelho”, provavelmente, indica um orgulho e o reconhecimento que ele tinha do mesmo. Para o apostolo Paulo, o “evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”. Para ele, o evangelho é a fonte do poder de Deus para salvar visto que a justiça de Deus se revela nela. Sobretudo, a parte final do verso, resalta que a justiça de Deus é experimentada pela fé e por nada mais além da fé. Neste momento, Lutero luta contra a contradição das bênçãos alcançadas por meios das obras, sobretudo, por meios das indulgências. Carson, D. A. Comentário Bíblico. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 1686.  

 

[8]  Tillich lamenta que a “frase sola fide é a mais mal-entendida e prejudicada expressão da Reforma. As pessoas entendem, em geral, que se fizermos a boa obra da crença, especialmente crendo em algo não acreditável, nos tornaremos bons perante Deus. A frase não deveria ser, “apenas pela fé”, mas “apenas pela graça, recebida unicamente por meio da fé”. Fé significa nada mais do que a aceitação da graça”. TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. 4. ed. Trad. Jaci Maraschimn. São Paulo: Aste, 2007. p. 235. Assim também Aulén acrescenta que a história do dogma mostrou que essa palavra (fé), tomou muitos significados, sendo que, em muitos desses, se tentou obscurecer a natureza essencial do cristianismo, ao invés de aclará-la. Contudo, no meio popular tem-se atribuído a fé um sentido de conhecimento duvidoso, o que é totalmente incoerente ao pensamento cristão tradicional. Aulén por vez argumenta o seguinte: “Entre todos os significados que a palavra porventura possa ter tido, nenhum é mais inexato de que a fé é uma espécie de conhecimento subalterno ou opinião incerta sobre Deus e sua ação”. AULÉN. A Fé Cristã, 2002, p. 36.

 

[9]  LUTERO, Martinho. A Epístola do Bem-aventurado Apóstolo Paulo aos Romanos. In: Martinho Lutero Obras. São Leopoldo – RS: Sinodal, 2006.

 

[10] É importante salientarmos que a ideia de justificação pela fé que Lutero defendeu no séc. XVI decorre da cosmovisão paulina, expressa na Epístola aos Romanos. Segundo nos apresenta Vielhauer, baseando-se no livro da Bíblia Hebraica, Habacuc, Paulo defende a ideia de que “o justo viverá da fé” (cf. Hb 2.4; Rm 1.16-17). Tida como a prothesis – a tese sobre a qual a argumentação posterior deve ser provada e explicada –, Paulo argumenta que a justiça de Deus é opera somente pela fé para todos, sem privilégios (cf. 1,18-4,25); e que a graça é concedida a todos que são de Cristo (cf. 5-8). A Epístola aos Romanos, é uma das mais brilhantes obras da literatura neotestamentária. Nela encontra-se o pensamento acurado e desenvolvido do apóstolo Paulo, pois essa seria, segundo os estudiosos, a última das obras escritas por Paulo. A Carta aos Romanos expõe o pensamento de Paulo que se observa nas demais cartas anteriormente escritas ou supervisionadas por ele. Temas como: a “teologia natural” I Co 1.21; a justificação exclusiva pela fé Gl 3s.; Fp 3; Adão e Cristo I Co 15.22ss., 45ss.; Abraão Gl 3s.; a Igreja e os dons da graça I Co 12, e muitos outros que foram anteriormente abordados pelo apóstolo, podem ser observados aqui. Porém, Paulo os tratou lá sempre em oposição a determinados adversários cristãos ou grupos na comunidade. Entretanto, na Epístola aos Romanos, esses temas não são postos em confrontação a um grupo ou comunidade, mas são apresentados como reflexão em princípio cf. VIELHAUER, Philipp. História da Literatura Cristã Primitiva: introdução ao Novo Testamento, aos Apócrifos do Novo Testamento e os Pais Apostólicos. Trad. Ilson Kayser. São Paulo: Academia Cristã, 2012, p. 217.

 

[11]  Esta ideia significava que autoridade da Igreja Romana foi substituída pela autoridade da Bíblia, que qualquer indivíduo poderia ler livremente. De acordo com Carson, o crente, individualmente, seria agora o seu próprio sacerdote e o mentor direto de sua própria vida religiosa em comunhão com Deus, depois de aceitar seu Filho como seu Salvador, ou pela fé somente. Com isso, o poder que era absoluto da Igreja e consequentemente dos seus representantes, passaria a ser diluída não apenas por alguns mais para todos que se enquadrasse nesta admoestação. Cairns, Earle. E. O cristianismo Através dos Séculos: Uma História da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 250. 

[12] Lutero chega a ser ainda mais contundente ao dizer “simplesmente ensinei, escrevi a Palavra de Deus; não fiz nada. E então, enquanto eu dormia, ou bebia cerveja de Wittenberg com meu Filipe e meu Amsdorf, a Palavra enfraqueceu tão intensamente o papado que nenhum príncipe ou imperador jamais fez estrago assim. Não fiz nada. A palavra fez tudo”. Citado em Gordon Rupp, Luther`s Progress to the diet of Worms, p. 99.  Works of Marin Luther (Filadélfia: Muhsenberg Pree), II, pp. 399-400.

 

[13] Citado em George, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 55. WA 8. P. 685.

 

[14] Na visão de Alderi Souza de Matos, “as indulgência, palavra que significa “tolerância”, “benevolência”, é o meio através do qual a igreja concede a remissão total ou parcial do castigo temporal devido ao pecado já perdoado”. Disponível em http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/318/as-indulgencias-a-reforma-protestante-e-o-significado-do-evangelho. Consulta efetuada em 01/10/2017.

[15]  Todos estes nomes são considerados pela historiografia cristã como pré-reformadores que anteciparam diversos dos temas debatidos e discutidos durante a Reforma Protestante. A Pré-Reforma, contudo, foi o período anterior à Reforma Protestante no qual se iniciaram as bases ideológicas que posteriormente resultaram na reforma iniciada por Martinho Lutero na Alemanha e demais reformadores na Europa.

 

[16] As 95 Teses ou Disputação do Doutor Martinho Lutero sobre o Poder e Eficácia das Indulgências (em latimDisputatio pro declaratione virtutis indulgentiarum) são uma lista de proposições para uma disputa acadêmica. Tais teses discorrem sobre as posições de Lutero contra o que ele viu como práticas abusivas por pregadores que realizavam a venda de indulgências, que tinham por finalidade reduzir a punição temporal de pecados cometidos pelos próprios compradores ou por algum de seus entes queridos no purgatório. Em suas Teses, Lutero afirmou que “o arrependimento requerido por Cristo para que os pecados sejam perdoados envolve o arrependimento espiritual interior e não meramente uma confissão sacramental externa”. Ele argumentou que as indulgências levam os cristãos a evitar o verdadeiro arrependimento e a tristeza pelo pecado, acreditando que podem renunciá-lo comprando uma indulgência. Em outra medida, as 95 teses de acordo com Lutero, “desencorajam os cristãos de dar aos pobres e realizarem outros atos de misericórdia, acreditando que os certificados de indulgência eram mais valiosos espiritualmente”. Apesar de Lutero ter afirmado que suas posições sobre as indulgências estavam de acordo com as do Papa, as teses desafiaram uma bula pontifícia do século XIV, as quais afirmavam que o Pontífice poderia usar o tesouro do mérito e as boas obras dos santos do passado para perdoar a punição temporal pelos pecados. Todas as 95 testes de Martinho Lutero podem ser encontradas na sua íntegra em LUTERO, Martinho. Uma Coletânea de Escritos. Tradução de Johannes Bergmann, Arthur Wesley Duck e Valdemar Kroker. São Paulo: Vida Nova, 2017, p. 29-38.

 

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