O SUCESSO SEGUNDO A BÍBLIA
Alcides B.
em 13 de Outubro de 2020

INTRODUÇÃO

O termo sucesso tal como conhecemos atualmente, apresenta questões próprias que não pode ser harmonizado com a definição bíblica. Isto porque, desde pequenos, fomos ensinados que buscar o sucesso é o correto a se fazer, pois o mundo contemporâneo respeitará apenas aqueles cujas vidas testificam de alguma forma, que chegaram lá, venceram. Junto a definição moderna do termo “sucesso” foi incorporada uma ideia quantitativa, correspondendo aos anseios do homem moderno.

Suponha que você estivesse tentando retratar a ideia de sucesso por meio de um gráfico, como ele seria? Como você traçaria seu caminho rumo ao sucesso? Não é de estranhar que muitos de nós o apresentariam da seguinte forma:

Fonte: Google Imagens.

 

No entanto, aceitar esses preceitos como escolha de vida cristã, parece ser o mesmo que se conformar e seguir um padrão de normalidade mundana. Grandes homens que seguiram à vontade e o caminho trilado por Deus, em vez de alcançarem grandes feitos, glórias terrenas e prestígios, contudo, na sua maior parte, tiveram suas expectativas frustradas. Isto porque, o “chamado” direciona o servo a cumprir o que lhe foi proposto, como um desafio de viver na contramão do mundo, ao invés de buscar mais para si, que segundo a lógica do Reino, não possui nenhuma representação quantitativa.

O que não pode ser ignorado é que o sucesso contemporâneo estabeleceu uma definição de “resultado” como prova final da ambição e da conquista humana. O sucesso é apresentado como algo maior e mais intenso, isso significa que nossa própria visão do sucesso é materializada na medida que os resultados estejam ligados a objetos e que tenha uma relação direta com os anseios dos homens, como carros, casas, dinheiro, poder, iates, boas relações e ótimos círculos, são todas provas materiais que testificam a maneira como os indivíduos são medidos.

Esses esclarecimentos preliminares, nos colocará diante de algumas indagações, das quais norteará toda a problemática desta pesquisa. Mas o que a bíblia define como sucesso? Embora não existe uma relação quantitativa nas Escrituras, atualmente vemos a exemplo a teologias da prosperidade, propagando que os crentes não só têm o direito ao sucesso, como é possível conquista-lo de forma relacional, contrariando a máxima do evangelho que fala em perdas terrenas:

 

[...] Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará. Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma? Ou, o que o homem poderia dar em troca de sua alma? Marcos 8.35.

 

Enquanto à bíblia define sucesso como perda, o mundo contemporâneo trabalha com a lógica inversa como conquista e resultados. Em síntese, podemos dizer que o sucesso mundano é aquele que desperta nos homens uma sede desenfreada pelo extravagante, pelo brilhante, o incomparável. Basicamente “mais” é a definição do sucesso moderno. Diante disto, a distorção que há entre o sucesso bíblico e o mundano, se consumirá de forma problemática como se ver a seguir:

 

[...] a busca pelo sucesso mundano nos deixa com um anseio enorme por mais. Sentimos a perturbadora dor do vazio. Temos fome de algo que preencha as lacunas de nossa identidade fragmentada. Contentamo-nos com substitutos que podem ter um gosto agradável, mas que são espiritualmente danosos (GIBBONS, 2015, p. 54).

 

Atualmente, algumas igrejas, estão permeadas de esforços para o sucesso que mais parece com as definições dadas por gurus do mundo corporativo, que as vezes está estritamente ligado ao custe o que custar, do que propriamente com a definição bíblica que primordialmente, requer algum tipo de perda. Não obstante, o que vemos é uma apropriação irrestrita da definição mundana de sucesso, endeusando os anseios humanos para moldar um evangelho “retributivo”. Como veremos, a “teologia da prosperidade” aponta para uma problemática quando posta em comparação com a narrativa bíblica, uma vez que as motivações são próprias da ganância humana e não diz respeito com a vontade divina.

Para isto, encontraremos os argumentos iniciais no Antigo Testamento, que apresenta como “bem-sucedido”, aquele em que possui traços de fidelidade. Já no Novo Testamento, o sucesso ganha contornos de perda, esvaziamento de si e padecimento de causa. No entanto, segundo apresenta Gibbons, “há caminhos para o sucesso que lhe renderão aplausos e dinheiro, mas que, no final, tomarão de você a própria vida[1]”. Neste sentido, ganhar o mundo inteiro, obter todo o tipo de sucesso que ele oferece, na definição bíblica, implica diretamente no fracasso espiritual. E quanto mais se aprofunda à busca pelo sucesso mundano, maior a possibilidade de perde-se de si mesmo, pois conquistar o “mundo” no sentido bíblico, requer um distanciamento pessoal da “vontade divina”.

Não há dois caminhos, se quisermos alcançar aprovação de Deus no ministério e na caminhada cristã. A escolha de um, comprometerá diretamente no outro. A escolha do sucesso mundano, ainda que lhe ofereça aplausos, glamour e status, cedo ou tarde a vontade pessoal se chocará com o desejo divino. Portanto, precisamos compreender que no sistema econômico de Deus, sucesso geralmente começa com algo que não é nada espetacular, mas duvidoso e de pouco expressão perante os olhos humanos.

 

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE E SUCESSO MUNDANO

 

A teologia da prosperidade é um tipo de sucesso mundano que vem ganhando cada vez mais espaço na realidade evangélica brasileira. Devido à grande ênfase dada a conquistas de bens materiais. O grande problema deste erro teológico é que as motivações dos crentes, tornam-se semelhantes aos desejos puramente mundanos e corporativos dos nossos dias, onde os indivíduos colocam como fator determinante para o sucesso, sua própria condição e não a soberania divina. Mas a final, o que está errado com a teologia da prosperidade?

Segundo nos propõem Nicodemus (2012) a teologia da prosperidade é um tipo diferente de erro teológico. “Ela não nega diretamente nenhuma das verdades fundamentais do Cristianismo. A questão é de ênfase. O problema não é o que a teologia da prosperidade diz, e sim o que ela não diz”[2]. A questão não está na petição como (oração), mas sim na motivação e sua aplicação para comunidade e do testemunho da graça de Deus. Esta posição, pode ser claramente equiparada com a visão da soberania e vontade de Deus. Vejamos:

[...] a oração do cristão não é nenhuma tentativa de forçar a mão de Deus, mas um humilde reconhecimento da nossa impotência e dependência. Quando nos colocamos de joelhos, é porque sabemos muito bem que não somos nós que controlamos o mundo; não temos, portanto, o poder de satisfazer as nossas necessidades pela nossa própria força; tudo de bom que desejamos para nós mesmos e para os outros deve ser solicitado das mãos de Deus, quando o obtemos, se é que o obtemos, será como um presente das suas mãos (PACKER, 2002, p.9).

 

Assim como sucesso mundano, a teologia da prosperidade se assemelha quando propõem aos homens que “mais” é o resultado do favor de Deus e que “conquistar” é merecimento da ação humana. Com isso, notamos de forma expressiva a ênfase que é dada nas pregações que elevem os humores[3] dos homens, de modo que este seja motivado a ritualizar suas petições, de modo que Deus se veja encurralado a ceder e atender as petições, onde o Criador se torna um mero executor da vontade humana. Já aquele que não alcança, destina-se a ele a única explicação possível, a falta de fé. Se a falta de fé é de fato motivador exclusivo do agir de Deus nas vidas dos crentes. Sendo assim, isso significaria que a graça Deus seria nula, já que o resultado final é fruto da vontade humana. Porém, esta posição se mostrará contrária com esta descrição. Vejamos a seguir:

[...] do ato de fé participa todo nervo do corpo humano, toda aspiração da alma, todo impulso do espírito humano. Mas corpo, alma e espírito não são três partes isoladas do homem. Elas são dimensões do ser da pessoa e sempre estão entrelaçadas; pois o homem é uma unidade, e não um composto de diversas partes. Fé, por isso, não tange somente o espírito ou apenas a alma ou exclusivamente a vitalidade, e sim ela é a orientação da pessoa inteira em direção ao incondicional (TILLICH 1985, p. 69)[4].

 

Em termo gerais, ainda que a Fé tenha o seu desenvolvimento no homem, sua motivação primária vem de Deus. Sendo assim, a fé leva a pessoa em direção ao incondicional, trazendo uma relação pessoal e constante em relação a motivação final, pautada por uma relação ambígua de “vontade e graça”. Sendo assim, a partir da ausência motivadora que é centrada na vontade primária (ser conduzido por Deus), implicará diretamente na destruição da unidade pessoal, uma vez que a motivação é pessoal, vazia e sem qualquer relação à vontade divina. Isto, irá de certo modo, concordar com a definição dada por Tomás de Aquino, que diz que a “fé é um ato do intelecto que assente à verdade divina, sob a influência da vontade movida por Deus mediante a graça” (Suma Teológica II. II. q. 2a. 9)[5].

O fato de Deus ter o prazer em abençoar seus filhos nas mais variadas formas de bens que julgamos como sucesso, não significa que ele o faço por obrigação ou por que se encontre encurralado perante a imposição dos homens. Tudo que conquistamos e recebemos é o resultado advindo da sua graça indistinta e que segue por uma vontade unicamente divina. Isso porque, segundo nos apresenta (PACKER, 2002, p. 10) “Deus é o autor e fonte de todo o bem que experimentamos na vida, e de todo o bem que se espera para o futuro”. Portanto, o homem não pode condicioná-lo a agir e mover-se em direção as ambições e desejos humanos, sem contrariar sua própria soberania. Conforme destacamos no texto a seguir:

Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.
Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, a qual Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos (Efésios 2: 8 -10).

 

Por fim, a teologia da prosperidade, à semelhança da teologia da libertação e do movimento de batalha espiritual, “identifica um ponto biblicamente correto, abstrai-o do contexto maior das Escrituras e o utiliza como lente para reler toda a revelação, excluindo todas aquelas passagens que não se encaixam”, indica Nicodemus. O sucesso mundano segue por esta mesma lógica. Inicialmente, é apresentado como necessidade humana imprescindível para todos os homens. Depois, o esgotamento se dá uma vez que o “sucesso” será sempre momentâneo, condicionado a sua constante manutenção para obter aquilo que outros dizem e afirmam ser extremamente importante. O que não é dito, é que este sucesso materialista que temos mais assiduamente a partir da pós-modernidade[6], exclui a soberania de Deus na vida dos homens, uma vez que este passa ser o “motor gerador” do sucesso, mediante os seus próprios meios e Deus seria o “executor” da vontade humana que se vê obrigado a agir para atender as petições dos homens, desconsiderando sua própria essência divina, contrariando a proposta bíblica, que não condiz com a realidade bíblica do Deus soberano e que governa sobre todas as coisas:

Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade (Efésios1.11).

 

 Ao final, o que temos é uma religião tão diferente do Cristianismo bíblico que dificilmente poderia ser considerada como tal, um deus que se vê condicionado aos desejos e artimanhas humanas, realizando tudo aquilo que acreditam como essencial para serem felizes. Longe ter uma hegemonia teológica, a teologia da prosperidade se mostra frágil quando colocada em destaque os elementos que comprovam uma vontade soberana e que visa atender o ser humano, na maior parte, com recompensas transcendentais que para o mundo “evangélico” apresenta valor algum. Já que sua base é levar os crentes a iminência do sucesso terreno, materializado na própria cobiça humana. 

 

A CONCEPÇÃO DE SUCESSO NO ANTIGO TESTAMENTO

 

O termo sucesso no Antigo Testamento está longe de ter a mesma conotação que conhecemos atualmente. Isso porque, na maior parte da narrativa bíblica antiga, entende-se como “bem-sucedido” aquele cuja as ações elucidam uma vocação divina. Por certo é que esta “vocação” pode ser questionada em relação ao entendimento da causa, porém perceberemos que ainda que por caminhos amargos, incertos e com risco eminente de vida, o vocacionado pode se mostrar confiante, esperançoso ou até mesmo inseguro em relação ao socorro divino. No entanto, longe de caracterizar como bem-sucedido aquele que ganhou fama e bens, o sucesso é visto como uma qualidade daquele que permanece fiel, frente ao chamado de Deus.

A vida e obra de Moisés é sem dúvidas uma das mais belas histórias que encontramos no Antigo Testamento. Sua liderança, ainda hoje, continua a influenciar centenas de líderes corporativos e eclesiásticos, quanto sua brilhante forma de liderar e capacitar pessoas (Êxodo 3.1-22). É inegável o destaque dado quanto sua importância na libertação do povo das mãos do Egito, onde destacamos seu profundo relacionamento com Yahweh (Êxodo 3. 2). Apesar disto, sua missão, foi permeada por muitos desafios. Negação e críticas quanto aos métodos e formas recebidas de Deus, para conduzir o povo a terra prometida. Não obstante, a história mostra que apesar de sua importância e reconhecimento, seu fim, sua história final, destaca seu funeral, com apenas um verso. O homem responsável por mudar o curso da história de milhares de pessoas, termina da mesma forma que iniciou, sozinho em um cesto, sem aplausos, sem status, sem ninguém (Deuteronômio 34.5).

Ao lermos à história de Noé, aprendemos a importância da fidelidade, pois no meio de uma sociedade corrompida ele se colocou como um pregoeiro da justiça (II Pedro 2.5) dando ouvidos à voz de Deus e executando minuciosamente as ordens que lhe foram confiadas. Sendo assim, Noé é visto como aquele que foi um fracasso perante os padrões materialistas dos homens, quando deixou de buscar aquilo que era de seu interesse, para seguir um caminho incerto e duvidoso aos olhos humanos.

Um outro exemplo bastante significativo é o de Gideão, que pronto para enfrentar seus inimigos, foi orientado por Deus a diminuir a quantidade de combatentes para meros trezentos guerreiros (Juízes 7.1-7). Trezentos homens em confronto direto com milhares de inimigos poderosos dispostos a engoli-los vivos. Por mais que a lógica dissesse que “mais” poderia significar um resultado positivo, Gideão depositou sua confiança em Deus e por isso foi bem-sucedido. Como se vê a seguir:

 

[...] A distinção inicial deve ter sido entre aqueles que se ajoelharam e beberam com as mãos e aqueles (os 300) que puseram o rosto na água e a lamberam como cães. Assim é que, provavelmente, foram os mais improváveis que foram escolhidos, para deixar ainda mais claro que a vitória não era nenhuma realização humana (CARSO, 2009, p. 416)[7].

 

Em termo gerais, recebemos o bem de Deus com prazer, mas repudiamos os infortúnios que a vida nos condiciona. Esta foi a conclusão que Jó chegou após o inconformismo de sua mulher, diante das tragédias que lhes sobreveio. O certo é que em Jó 2, vemos que ele tinha total certeza que sejam as bênçãos, como perdas são oriundas e advindas de forma permissa da vontade divina. Portanto, seja como for, está com Deus não é garantia de que teremos todos os nossos problemas e petições atendidas, mas à certeza de que em todos os momentos Ele estará conosco[8].

Embora tenhamos a oportunidade de pedir bens materiais a Deus, precisamos compreender que a negativa é parte da sua vontade soberana, não tendo nenhuma relação a falta de fé ou fidelidade dos homens. Portanto, atribuir aos dízimos, ofertas e outros votos que façamos para Deus, é exatamente a relação de causa e efeito que move as motivações dos homens mundanos, que impregnados pelo materialismos, levam uma vida desenfreada pelo consumismo, onde todas as ações atuam como provas do seu próprio “eu”, na forma corrompida e deturbada a vontade do desejo intrínseco pelo criador que para isto, usará todos os recursos disponíveis para alcançar e conquistar o que acredita e dizem ser essencial para defini-lo de forma quantitativa como alguém bem sucedido.

Em seus tormentos, Jó lembrava de todos os favores recebidos de (Yahweh) e essa recordação lhe basta para continuar na esperança. Ou seja, o mal que vem de Deus não pode fazê-lo esquecer-se do bem que vem igualmente do mesmo Deus. A sua submissão não era uma simples resignação. E não estava ligada à honra do homem cuja nobreza o impedisse de gemer diante da dor, conforme se vê a seguir:

 

[...] ela era fruto do longo e íntimo conhecimento do Deus pessoal e revela o sentido da glória de Deus no contexto do teocentrismo hebraico, tanto do javismo como o dos profetas, dos salmistas e de alguns sábios. A tese do adversário é demonstrada falsa. Jó não pecou com seus lábios (TERRIEN, 1994, p.72).

 

Em uma sequência de perdas, dor e aniquilamento da sua mocidade, o profeta Jeremias se vê frente a uma missão fadada ao fracasso. Como consequência da sua fidelidade, ele se vê solitário (Jeremias. 16: 1-4), depois, castigado por sofrimento físicos (Jeremias 20: 1-3) e por fim, chega a uma profunda crise existencial (Jeremias 20: 7-9). Perante os homens e posteriormente perante ele mesmo, passa enxergar seu ministério como “fracassado” uma que vez que não lhe rendia nenhum glamour e fama, ao contrário, via a sua crescente rejeição. Essas e outras passagens mostram e enfatizam algo em comum a todos estes servos, ambos se mantiveram fiéis à Deus e a toda sua ordenação, ainda que alguns momentos narrativos, vemos esmorecerem as forças, como foram os casos de Jó e Jeremias.

Esses esclarecimentos, nos colocam diante de uma problemática que se mostra deturbada em relação a maneira como fazemos a obra de Deus. Ainda que não admitamos, nossa concepção de “sucesso” foi corrompida, nos impedindo de seguir a vontade divina para obter e conquistar aplausos terrenos. Trocamos a glória de Deus, pela glória dos homens. Preferimos o sucesso terreno ao sucesso eterno e que visa a vontade de Deus.

Em termo gerais, somos influenciados pela nossa cultura e por nosso meio de modo que o desejo pelo sucesso nunca satisfaz os homens. Daí se explica o por que tantas pessoas que alcançam o sucesso, sentem-se tão insatisfeita. Isso porque, a fonte movedora deste anseio, ao contrário de direcionar à Deus, culmina no distanciamento dEle.

A busca pelo sucesso mundano nos deixa com um anseio enorme por mais, reservando a perturbadora dor do vazio, que segundo (GIBBONS, 2014, p. 53) isto acontece por que “temos fome de algo que preencha as lacunas de nossa identidade fragmentada. E para isso, contentamo-nos com substitutos que podem ter um gosto agradável, mas que são espiritualmente danosos”[9].

 

 

A CONCEPÇÃO DE SUCESO NO NOVO TESTAMENTO

 

Como se viu até aqui, o termo “sucesso” apresentam características próprias que não são fáceis de harmonizar com a proposta de submissão bíblica. Isto porque, o termo na sua forma contemporânea, está cada vez mais distante da vontade divina, atendendo apenas expectativas terrenas. No Novo Testamento, o sucesso também está longe de ter uma conotação tal como a conhecemos atualmente. Seu entendimento, é visto de forma mais ampla e está intimamente ligado em síntese, a dois elementos básicos que permeará quase toda a narrativa dos evangelhos e das cartas paulinas.

Em termos gerais, no Antigo Testamento o homem “bem-sucedido” é visto como aquele que se mantém fiel diante do chamado e da sua vocação divina. Vocação esta que nos casos de Jó e Jeremias, apresenta-se visivelmente ligadas ao “sofrimento”. Já no Novo Testamento, além da apropriação do termo “fidelidade”, também apresenta uma conotação de “entrega e padecimento” pela causa da qual o servo foi chamado.

A história de João Batista[10], realça bem estas duas variantes que mostram exatamente a característica de um servo que se mantém fiel e que abraça o padecimento da causa dentro de um processo ambíguo. Em sintonia com esta afirmação, o próprio Jesus testifica a despeito do profeta dizendo “entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João, o Batista” [...] (Mateus 11:11). Na verdade, esta passagem mostra claramente que aquele que serve o Reino de Deus e sua justiça, estará condicionado a um caminho que normalmente reserva sacrifícios.

No entanto, parece que da prisão ele acompanhava o progresso daquele para quem tinha preparado o caminho nessa secção, não só vemos o veredito de João acerca do ministério de Jesus (Mateus 11: 2-6), mas também o veredicto de Jesus acerca de João (Mateus 11: 7-15), segundo nos aponta (CARSON, 2009, p.1380).

Comumente, o grande destaque excessivo quanto a afirmação de Jesus que João Batista é “maior entre os homens”, ao nosso ver, não só mostra uma corrupção do termo sucesso continua, como também, é tirado de seu contexto original para enfatizar uma verdade mundana e terrena.

O texto de Mateus verso (5), está intimamente ligado ao texto de (Isaías 35: 1-10 e Isaías 61: 1), o que segundo a tradição, tratam-se das profecias messiânicas que ensinavam que o Messias operaria milagres[11].

Por este viés, ao contrário do ministério “triunfalista” que ouvimos em muitas pregações sobre João Batista, o texto de (Mateus 11: 1-15) parece indicar que o herói, apesar de ter desempenhado um papel divino, isso não lhe pouparia da prisão e de sua eminente condenação e morte. Ao enviar alguns mensageiros até Jesus para saber se ele era de fato o Messias, ele se defronta com uma resposta comum a todos os heróis bíblicos. O verso 5 de Mateus diz “os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados” [...], claramente destacando as atribuições e poder divino do Messias. Mas quando comparado com os textos de Isaías 35:1-10 e 61:1, indica que de forma intencional Jesus se apropria do título de Messias ao falar sobre as várias formas de milagres, porém não menciona o livramento que o Messias irá proporcionar aos seus 35: 8 “E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará caminho Santo” [...].

Ao contrário de uma resposta triunfalista, João recebe a confirmação que Jesus era de fato o Messias, onde seus mensageiros puderam o ver realizando milagres espantosos. A mensagem em paralelo com o texto messiânico de Isaías, apenas confirma o objetivo central do seu ministério “abrir o caminho” para o “Cordeiro de Deus”, mas seria com o custo de sua própria vida. Esta “missão divina” não lhe garantiu nenhuma isenção ao sofrimento para o ministério. Aquele cujo testemunho do Cristo indicava ser o “maior”, foi o menor neste mundo terreno. O sucesso de João o Batista, pode ser resumido da seguinte forma “solitário e melancólico”, como veremos a seguir:

 

Entretanto, ao seu fiel arauto João, que sofre inocentemente na fortaleza, o Senhor não diz nenhuma palavra de consolo, de fortalecimento. O que Jesus manda dizer a João, seus discípulos já lhe haviam dito há tempo. Foi justamente nesses atos magníficos de Jesus que o Batista se escandalizara. Eram exatamente eles que lhe haviam proporcionado tantas infindáveis lutas espirituais durante o longo tempo no cárcere (RIENECKER, 1998, p. 123).

 

A narrativa da vida e testemunho de João Batista, mostram que uma vida associada ao serviço do Reino, recobrará uma renúncia sobre humana das vontades e desejos dos homens. Perante a lógica deste mundo, João foi extremante fracassado não cursou boas universidades, não tinha influência, jamais foi visto entre os grandes mestres e doutores da Lei. Sua vida foi fadada a preparar o “caminho” e sua missão tinha muito mais a ver com Ele (Jesus), do que consigo mesmo. Por este viés, ao recebemos o chamado para executarmos o trabalho para o Reino de Deus, devemos ter mente que tem muito mais a ver com Ele, do que propriamente nós mesmo. Sendo assim, nosso papel no sistema econômico de Deus é claro. Plantamos e regamos as sementes. Mas Escrituras nos dizem que a responsabilidade pelo crescimento é de Deus. Ou seja, somos chamados para preparar o caminho:

 

Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento (1 Coríntios 3:5-7).

 

“Não importa a ideia ou crença pessoal de alguém acerca de dele, Jesus de Nazaré vem sendo a figura dominante na história da cultura ocidental há quase vinte séculos. ” Assim escreveu Jaroslav Pelikan no início de seu abrangente livro Jesus through the Centuries (Jesus através dos Séculos).[12] Não só isso. Mas também Jesus é o eixo das Escrituras. A bíblia não é uma coletânea aleatória de documentos religiosos (STOTT, 2006, p. 11).

Como Jesus mesmo disse, “as Escrituras [...] testificam de mim” (João 5.39). No geral, os estudiosos cristãos reconhecem isso. A exemplo, Jerônimo o grande patriarca da igreja nos séculos IV e V, escreveu que “a ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo”. [13]

Não obstante, no século XVI é notável que tanto Erasmo da Renascença como Lutero da Reforma tenham dado ênfase à mesma centralidade de Cristo. A bíblia vos dará Cristo”, escreveu Erasmo, “numa proximidade tão estreita que ele vos seria menos visível, caso se postasse diante de vossos olhos”. [14]

Lutero, de maneira semelhante, em seus sermões em Romanos, deixou claro que Cristo é a chave das Escrituras. Em sua glosa sobre (Romanos 1.5)[15] escreveu: “Aqui escancaram-se as portas para o entendimento das Sagradas Escrituras, ou seja, que tudo precisa ser compreendido em relação a Cristo”. E adiante, escreveu: “a escritura inteira, em cada parte dela, só trata de Cristo” (Idem Ibidem p.11-12).

De certa forma, resta-nos saber como a igreja contemporânea têm retratado Jesus Cristo nos dias de hoje? Assim como vimos anteriormente, existe uma problemática na Teologia da Prosperidade que é um tipo de sucesso mundano. O problema não está na sua aplicação, mas na sua ênfase. Ela não nega diretamente nenhuma das verdades fundamentais do Cristianismo, conforme definiu Nicodemus (2012) anteriormente. O problema é que Jesus têm sido vendido como amuleto da sorte, quase de forma instantânea não só resolve as tribulações humanas, como também garante a seus adeptos uma vida louvável e cheia possiblidades materiais.

Pela lógica deste sucesso mundano, Jesus[16] foi o mais fracassado de todos.  A vida de Jesus, inicia da maneira mais simplória e objeta possível, se compararmos com a grandeza e importância do seu ministério. O que está estritamente ligado com o que já dissermos e definimos anteriormente, “no sistema econômico de Deus, o sucesso geralmente começa com algo que não é nada espetacular” (GIBBONS, 2015, p.58).

Em termos gerias, Jesus é a definição perfeita do que é ser bem-sucedido na Bíblia. Ele não só permanece fiel à sua vocação como missão, como entrega-se ao padecimento físico e moral à causa que lhe fora proposta. De forma prática, a vida e o ministério de Jesus evidenciam que o sucesso dentro da concepção bíblica, só pode ser compreendido quando for seguido de uma atitude fidedigna à vocação do chamado, ou seja, quando o vocacionado é motivado por uma apropriação irrestrita da causa divina.

O senhor Jesus disse-nos, em tom bastante sério: “Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto” (João 12.24). A seguir, acrescentou: “Aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna” (João 12.25), que pode ser melhor compreendido, conforme definição a seguir:

 

A metáfora inicial de Jesus sobre a sua própria trajetória é repetida como regra inequívoca para todos. No entanto, mesmo agora ele não está ensinando uma “moral”, mas somente nos confronta com fatos e deixa a opção conosco (RIENECKER, 1998, p. 183).

 

 No entanto, em outras palavras, “a vida frutífera e a vida eterna vêm de morrer como uma semente e de odiar sua vida neste mundo”, como uma entrega irrestrita para o chamado do “evangelho”, afirma-nos (PIPER, 2010, p. 15).

Deus nos ensina que o sucesso é mais que energia gerada por nós mesmos; tem mais a ver com a maneira como chegamos lá, a jornada em si. Embora saibamos, é preciso compreender que no reino de Deus, “o sucesso está mais ligado a viver de forma responsiva do que a uma vida pautada pelas próprias iniciativas”. (GIBBONS, 2015, p. 59). Segundo a Escrituras, só é possível alcançar o sucesso quando se segue o Pai, não importando para qual caminho ele aponte. O caminho trilhado por Jesus, foi marcado por dor, sofrimento e solidão.

Apesar de cumprir a vontade e o chamado do Pai, Ele não ficou isento de viver dias que se alternavam entre “agradáveis e dolorosos”, que na maior parte da narrativa dos evangelhos, apresentam um caminho cheio de provações e desafios constantes.

Por fim, no exemplo do ministério e vida de Jesus, encontramos traços do modelo proposto de sucesso na Escrituras. Na verdade, se refere a “servir”. Jesus tinha um propósito bastante claro para sua vida, um propósito que demonstrou do início ao fim, como definir o sucesso. Isto porque, segundo propõem (Idem Ibidem, 2015, p. 62) “sua história começa onde a maioria das histórias termina, no pináculo do sucesso”.

E não apenas veio para servir, mas escolheu servir das maneiras mais improváveis. Foi onde ninguém queria ir. Pregou para aqueles que eram marginalizados. Deu voz e desmitificou a cultura judaica ao falar com mulheres consideradas impuras.  Nasceu numa cidade pequena, foi criado na cidade operária e marginalizada de Nazaré. As pessoas faziam comentários sobre aquela cidade, dizendo coisas como: Nazaré? Pode vir alguma coisa boa de lá? (João 1: 46), o que apesenta uma conotação de total desprezo. Na verdade, este era o último lugar onde alguém procuraria um rei:

 

Essa pergunta não inclui somente menosprezo por esse pequeno lugar. Belém

tampouco era uma cidade importante, mas foi chamada já pelo profeta expressamente de ―pequena (Mq 5.1). Contudo, sobre Belém pairava a límpida profecia de Deus, e de Nazaré não se falava em parte alguma da Bíblia! Somente uma presunção autocrática podia levar um homem de Nazaré a se apresentar como Messias. O que, afinal, podia ele apresentar que o capacitasse para cumprir a grande tarefa do Messias? Há não muito tempo os galileus haviam tido uma amarga experiência com um movimento messiânico impotente, quando Judas, o Galileu (At 5.37), co-fundador do partido dos zelotes, tentou desencadear um levante contra o censo fiscal de Quirino (Lc 2.1s). Será que agora viria novamente de Nazaré alguma coisa ―boa‖ como essa?   (RIENECKER, 1998, p. 38).

 

O maior escândalo de todos, porém, talvez tenha sido o fato de que aquele homem – Deus encarnado – acabou alvo de cuspidas e de ofensas, sendo brutalmente espancado e chicoteado e depois pendurado numa cruz romana. Pelos padrões comuns de sucesso, pelo julgamento da sabedoria do mundo, isso não fazia sentido. Por que o Reis dos reis aceitaria ser executado ao lado de criminosos comuns? Ou seja, a verdadeira medida do sucesso é saber que o Pai se agradou.

Apesar de Jesus ter o poder realizar qualquer coisa, Ele o faz segundo a sua vontade e soberania e apesar de pedimos e espernearmos, não significa que Ele fará aquilo que pedimos. Daí, surgem o desapontamento, a descrença e desmotivação. Se Ele é poderoso, porque ele não realiza o que preciso para eu ser visto como alguém bem-sucedido?

Por certo, como sugerir no decorrer deste texto, a bíblia trabalha por uma lógica inversa do sucesso tal como o conhecemos atualmente e toda vez que homem inverter negadas e ignorada pelo divino é muito grande. E por mais que “gurus evangélicos” queiram minimizar esta verdade, os próprios desafios do ministério nos colocarão em direção à verdade. 

O caminho proposto pelas Escrituras, sugere-nos uma via dolorosa, um caminho de sofrimento.  Definitivamente, significa uma morte literal do próprio eu. Apesar de toda energia que gastamos buscando o sucesso, o mais importante é saber como nossa vida será julgada. Porque no final, o sucesso não tem nada a ver com agradar massas. Tem a ver com obedecer Um só.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Por certo, como vimos até aqui, a importância em que os tópicos de forma reduzida trataram, demonstraram a inesgotabilidade do assunto, onde em eventos futuros o Centro Educacional logos acrescentará a continuidade de temáticas que fertilizam a ampla verve literária, campos de discussão que contribuam ainda mais para a expansão deste conhecimento.

Objetivo deste trabalho, não foi esgotar o assunto ou apresentar todas as nuances envolvendo este tema, mas mostrar de forma introdutória como o termo “sucesso” vem sendo deturpado e moldado de acordo com interesse dos homens, inclusive pela igreja contemporânea. Dentre elas, destacamos a Teologia da Prosperidade que é um tipo de erro teológico, onde as motivações dos homens passam a dar vasão excluindo a vontade soberana de Deus. Ele na verdade, torna-se um mero executor das exigências dos crentes, dentro de uma teologia moral de “causa e efeito”.

Não obstante, como vimos de forma breve, o Antigo Testamento o termo “sucesso” está longe de ter a mesma conotação que conhecemos atualmente. Em resumo, o termo bem-sucedido no AT está estritamente ligado em aquele cujas ações, vida e ministério estão enraizadas em único conceito, o da “fidelidade”, como foram os casos de Moisés, Noé, Gideão, Jó e Jeremias. O que de certa forma, provam que servir a Deus não possibilita a isenção do sofrimento na caminhada.

Já no Novo Testamento, o termo “fidelidade” ganha um contorno de “entrega e padecimento da causa”, sendo que agora aquele que se compromete a servir a Jesus Cristo, torna-se coparticipantes de suas aflições (I Pedro 4: 13). Vimos que João Batista, assim como foi o caso de Jó, ainda que advindo de um “elogio Divino” como “maior dentre os homens”, não foi poupado da dor e agonia. Ao contrário, teve seu fim decretado da forma mais ínfima possível.

Não obstante, a vida e ministério de Jesus Cristo igualmente não foi poupada da dor (João 11: 35), do abandono (Mateus 27: 46), da angustia e da tentação (Lucas 4: 1-13) e muito menos da morte (Mateus 27: 50). Apesar disto, contrariando toda e qualquer lógica humana, Jesus é o maior exemplo de “sucesso” que bíblia apresenta. Sua vida e ministério mostram que ao contrário, para agradar o Reino de Deus, é preciso morrer para este mundo. Libertar-se das amarras pessoais, mostrou-se em Cristo Jesus que é na verdade a morte literal do eu.

 

REFERÊNCIA

 

CARSON, D. A. Comentário Bíblico. Exposição ao Livro de Juízes. São Paulo: Vida Nova, 2009.

 

CHAMPLIN, R. N. O novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002.

 

DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova 2006, p. 691.

 

RIENECKER, FRITZ. Evangelho de Mateus. Comentário Esperança. Curitiba-PR: Editora Evangélica Esperança, 1998.

 

______. FRITZ. Evangelho de João. Comentário Esperança. Curitiba-PR: Editora Evangélica Esperança, 1998.

 

FÁBIO, Caio. O Enigma da Graça. São Paulo: Fonte Editorial, 2006.

 

GIBBONS, Dave. Xelotes. São Paulo: Mundo Cristão, 2015.

 

JOHN, R. Dicionário do Renascimento Italiano. Rio de Janeiro: RJ, p. 187- 188.

 

KELLER, Timothy. A Cruz do Rei. São Paulo: Vida Nova, 2014.

 

MACKENZIE, John. L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1983, p. 440.

 

MORELAND, J. P apud CRAIG, Lane, W. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005.

 

NICOMDEUS, Augustus. Mas afinal, o que Está Errado com a Teologia da Prosperidade? Disponível em: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2012/06/afinal-o-que-esta-errado-com-teologia.html. -  Consulta Efetuada em 29 de Abril de 2016.

 

PELIKAM, J. Jesus Through the Centuries. Yaele University Press, 1985. 

 

PACKER, J. I. A Evangelização e a Soberania de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.

 

TILLICH, Paul. Dinâmica da Fé. 3a ed. São Leopoldo: Sinodal, 1985.

 

 

[1] Livro Xelotes: O desafio de viver na contramão da normalidade. Capítulo “Sucesso”.

[2] Uma das razões pelo qual os evangélicos têm dificuldades em perceber o que está errado com a teologia da prosperidade é que ela é diferente das heresias clássicas, aquelas defendidas pelos mórmons e “testemunha de jeová” sobre a pessoa de Cristo, por exemplo, afirma Augusto Nicodemus.

[3] Termo hipocrático (460 – 377 a. C) onde apresenta à exposição da teoria dos quatros humores (sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra) sendo a doença causada por um desequilíbrio entre eles dentro de uma variável ambígua. Este termo, foi apropriado pela filosofia para indicar o indivíduo que possui variação de humor (melancólico), que significa uma alternância das ambições dos homens (poder, riqueza e visibilidade). John R. Dicionário do Renascimento Italiano. Rio de Janeiro: RJ, p. 187- 188.

[4] TILLICH, Paul. Dinâmica da Fé. 3a ed. São Leopoldo: Sinodal, 1985.

[5] Esse conceito de fé, foi desenvolvido pela teologia de cunho nitidamente racional da idade Média. Basicamente, esta definição concerne à definição da teologia católica, que parte da apropriação intelectual da teologia tomista. A partir da reforma, estabeleceu que a fé partia de um ato de confiança. MACKENZIE, John. L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1983.

[6] Trata-se de um termo histórico e cronológico quanto uma ideologia filosófica. Visto pela história, o pós-modernismo se refere à modernidade – período de pensamento que o precede e o qual rejeita. A modernidade é a era do pensamento europeu que se desenvolveu a partir da Renascença (séc. 16 a 17) e floresceu o iluminismo (séc.17 a 19) nas ideias de pessoas como Descartes, Locke, Berkeley, Hume, Leibniz e Kant. MORELAND, J. P apud CRAIG, Lane, W. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005.

[7] Comentário Bíblico Vida Nova, exposição ao Livro de Juízes.

[8] O admirável em Jó é sua capacidade – pela via de sua própria dor – de entender que a existência pode ser tornar tão desesperada, que a própria morte passa a ser desejada com “estranho prazer”.  Livro “O Enigma da Graça”.

[9] Nossa cultura consumista e materialista nos condiciona a responder com comportamentos intensos e viciantes. Todos nós mostramos sinais da energia nervosa de uma pessoa que busca outra dose para levá-lo ao “próximo nível”. As pessoas que nos amam e que convivem conosco – usam a forma mundana de medição do sucesso para medir e avaliar nossa vida. Portanto, socialmente, bem-sucedido será aquele (a) que visivelmente dispõem de recursos que possam ser mensuráveis. Na ótica dos amigos de Jó, esta relação se deu por meio da teologia de “causa e efeito”. Na medida que era possível ver a prosperidade do servo Jó, não haveria argumentos para tira-lo do status de bem-sucedido. Bastou que seus recursos fossem tirados, para que o juízo se invertesse, fazendo de Jó alguém, cuja atenção divina aplicara uma punição, quanto seus supostos pecados ocultos (grifo nosso).

[10] Seu envolvimento profético deve ter enredado um rompimento com qualquer grupo essênio ou similar com o qual porventura estivesse previamente em contato. Depois que o Espírito da profecia desceu sobre ele, imediatamente sua fama se espalhou como um pregador que conclamava ao arrependimento nacional. Multidões se reuniam para ouvi-lo falar, e muitos de seus ouvintes foram por ele batizados no rio Jordão, sob confissão de pecado. DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. SP: Vida Nova 2006, p. 691.

[11] É possível que as predições como as de Isaías 35: 5-6 estivessem na mente de Jesus quando replicou aos mensageiros de João o Batista. E também em Isaías 61: 1 “O Espirito do Senhor Jeová está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar – boas novas – aos mansos: enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar a liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos. CHAMPLIN, R. N. O novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002, p.373.

[12] J. Pelikam, Jesus through the Centuries (Yaele University Press, 1985), p. 1.

[13] P. Brierly (ed.), UK Religious Handbook, Religious Trends (Christian Research, 1999).

[14] Introdução ao Novo Testamento Grego de Erasmo (1516).

[15] Sermões em Romanos no vol. 25 de Luther´s Works (1515; versão em inglês, Concordia, 1972). Glosa sobre Romanos 1.5 (p.4) e comentários sobre Romanos 10.65 (p. 405).

[16] Jesus, o Cristo, tal como aparece no Novo Testamento, Cristo tornou-se um nome pessoal, que é nosso uso atual; originalmente, porém, era um título, a forma grega de “Jesus, o Messias”. O título pretendia identifica Jesus com o Messias do AT e do Judaísmo. Esse dado de fato não deve ser entendido, porém como uma simples identificação, pois o título de Messias não é suficiente para Descrever Jesus e sua missão. Assim, o NT acrescenta a ele uma série de outros títulos, que são “messiânicos” somente no sentido de que descrevem alguns aspectos da pessoa e da missão de Jesus e definem o sentido no qual o Messias – Cristo era entendido pela igreja primitiva. MACKENZIE, John. L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1983, p. 440.

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