Divisão Celular - Mitose
Artur Ramos
em 27 de Junho de 2014

Nas nossas duas últimas aulas a gente conversou um pouquinho sobre as estruturas que compõem as células e quais suas funções, por isso, falamos brevemente sobre algumas das atividades celulares como, por exemplo, a síntese e secreção de proteínas. Nesta aula, falaremos de uma das mais importantes atividades presentes nas células: a capacidade de se dividir.

Em tese, toda a célula é capaz de se dividir, afinal possui uma maquinaria intracelular destinada a esse fim. Nesta aula iremos esclacer os processos e etapas que estão envolvidos em um dos diversos tipos de divisão celular, a mitose. Nas divisões por mitose, uma única célula (chamada de célula mãe) dá origem a duas células filhas idênticas a ela, tanto em número de cromossomos como em composição genética. Ou seja, as células filhas são clones entre si e da célula mãe.

Todo a sequência de eventos que no final levará ao surgimento das duas células filhas é detalhadamente regulado e controlado por sinais químicos emitidos e recebidos pela célula. Afinal, caso haja um descontrole da multiplicação celular, podemos observar uma série de problemas entre os quais se destaca o surgimento de tumores. A seguir, então, iremos analisar cada uma dessas etapas que levam à divisão da célula mãe em duas células filhas, destacando os eventos mais importantes de cada uma das fases.

1. Intérfase

Essa primeira fase é dividida em outras 3 etapas: intérfase G1, intérfase S e intérfase G2.

A intérfase G1 é a fase na qual a célula está metabolicamente ativa, sem se preparar para a divisão, ou seja, a maioria das células que encontramos em um organismo estará nessa fase, realizando suas funções. É justamente o fim da intérfase G1 e o início da intérfase S que indica o início do processo de divisão celular. É comum vermos referências à intérfase G1 como um período de pouso da célula. Trata-se de uma referência incorreta, afinal, nesse período, o metabolismo celular é intenso.

Na intérfase S, ocorre um dos eventos mais importantes da divisão celular. Isso ocorre mesmo sendo essa etapa a mais curta da intérfase. O evento que marca a intérfase S é a duplicação do material genético, ou seja, em certos pontos da cromatina, ela começa a criar uma cópia de si mesma, que continua presa à cromatina original por uma região chamada de centrômero. Dizemos que cada uma dessas cópias de cromatina são agora cromátides irmãs e as duas cromátides irmãs, presas pelo centrômero, formam o cromossomo. Na intérfase S, então, podemos dizer que a quantidade total de DNA da célula dobra.

A intérfase G2 não é marcada por eventos de grande importância quando consideramos aquilo que é cobrado no vestibular, mas devemos ter emente que se trata de um ponto importante de regulação para a divisão celular, ou seja, essa etapa garante que a divisão celular só prossiga quando a duplicação das cromátides estiver completa.

2. Prófase

Ao fim da intérfase G2, as fitas de DNA começam a se espiralar e a se tornar cada vez mais curtas e mais condensadas, o centríolo se divide e os dois centríolos resultantes migram para polos opostos da célula formando uma estrutura chamada de áster. É a partir dos ásteres que irá se originar uma estrutura microtubular de fundamental importância na mitose, o fuso acromático. No final da prófase, a membrana nuclear desaparece, bem como o nucléolo. Assim, o conteúdo nuclear (principalmente o material genético) é liberado no citosol e fica acessível aos eventos que ali estão ocorrendo e que irão promover a divisão celular.

3. Metáfase

Nessa fase, observamos que as fitas de cromatina continuam, sua espiralização e chegam ao limite de condensação, formando o que chamamos de cromossomo. Os cromossomos se ligam ao fuso acromático pelo centrômero e se alinham na região equatorial da célula. Frequentemente, ao olharmos uma célula em metáfase no microscópio, utilizamos esse arranjo para determinar o cariótipo da célula, isto é, quantos e como são seus cromossomos, porque nessa etapa os cromossomos são bem visíveis, diferenciados e organizados.

4. Anáfase

No início da Anáfase, ocorre a divisão dos centrômeros e, com isso, as cromátides irmãs se separam e passam a formar 2 cromossomos não duplicados. Então as fibras do fuso acromático, que se livam de cada lado do centrômero começam a se encurtar, levando os cromossomos iguais um para cada polo da célula. Nesse processo de deslocamento dos cromossomos, começamos a observar a sua desespiralização, que os torna progressivamente menos condensados.

5. Telófase

A telófase é a última fase da mitose, sendo assim, é nessa fase que observaremos efetivamente o surgimento das duas células filhas. Os componentes do citoesqueleto começam a produzir um "estrangulamento" da região mais central da célula, em um processo que chamamos de citocinese. A citocinese faz com que o citoplasma se divida entre as células filhas e, como os cromossomos divididos foram carregados para lados opostos das células, cada uma das células filhas irá receber uma cópia do genótipo da célula mãe. Nessa fase podemos notar também o reaparecimento da membrana nuclear e do nucléolo.

São Paulo / SP
Graduação: Medicina (USP - Universidade De São Paulo)
Estudante de Medicina na USP. Atuou como como professor e plantonista na rede Singular Anglo. Professor e fundador do curso pré-vestibular on-line Kinapse (www.kinapse.com.br)
Biologia para Vestibular, Biologia para ENEM, Fisiologia Humana, Bioquímica, Histologia para Medicina, Física para Ensino Fundamental, Física para Ensino Médio
Oferece aulas online (sala profes)
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