Sonatina em dó maior de Muzio Clementi

Primeiro movimento

Piano Intermediário Erudito
Sonatina em dó maior de Muzio Clementi
Daniel P.
em 02 de Junho de 2020

A sonatina no 1 em dó maior opus 36, faz parte de um conjunto de 6 sonatinas e é uma das peças mais conhecidas de Clementi. As sonatinas são peças bem conhecidas e bastante tocadas por alunos de piano, a maioria toca uma ou duas sonatinas desse conjunto e geralmente são estudadas entre o terceiro e o quarto ano de estudos de piano.

Muzio Clementi (1752-1832) foi um compositor e pianista de origem italiana. Clementi mudou-se para a Inglaterra ainda na infância, onde recebeu instrução musical. Clementi foi um pianista conhecido na época e realizou várias turnês pela Europa e até chegou a participar de uma competição com Mozart. Apesar do apreço do público, Mozart não parecia apreciar a maneira como Clementi tocava chegando a afirmar que sua forma de tocar era baseada apenas em mecânica.

Além de pianista, Clementi foi muito importante para a pedagogia do piano. Seus estudos Gradus ad Parnassum inovaram bastante a escrita pianística da época, principalmente pelo uso das notas duplas e das oitavas que faziam a fama do compositor. Entre seus alunos estão: Johann Baptiste Cramer, Ignaz Mocheles, Ludwig Berger e John Field.

 

Sonatina nº 1 em dó maior

A peça tem um caráter alegre e é bastante rítmica. Há poucas harmonias dissonantes. O caráter alegre da música clássica deve ser levado em consideração na performance. É preciso ser bastante fiel e direto com as marcações da partitura, e lembrar que o estilo não permite grandes rubatos, então o fraseado precisa acontecer sem extrapolar a divisão rítmica.

Você pode acessar à partitura completa aqui

Ouça a interpretação da pianista Diane Hidy abaixo:

 

Análise da peça

De fato, a Sonatina O. 36 nº 1 de Clementi compartilha muitas qualidades com a forma de sonata maior em menor escala. Primeiro, a peça de Clementi é dividida em três seções, exposição, desenvolvimento e recapitulação, nas quais a forma de sonata das seções é dividida. Segundo, a seção de desenvolvimento e recapitulação exibe suas próprias formas binárias nas seções; ter formas musicais como binárias em uma seção maior é comum à forma de sonata. No entanto, diferentemente das sonatas, as seções de transição e retransição são praticamente inexistentes.

Editora Schirmer
Revisor Louis Köhler

 

O primeiro movimento está estruturado em exposição, desenvolvimento e recapitulação.

A exposição compreende os compassos de número 1 ao 15 (barra de repetição) e possui duas subseções b

Tema A’ compasso 1 ao 8 com modulação para o grau dominante: sol maior.

Exposição, a (c. 1 ao 8) modulação para sol maior em verde

Tema B’ do compasso 9 ao 15 com cadência em sol maior no final

Exposição: b (c. 9 ao 15) com confirmação da modulação pela cadência perfeita do grau V para o I

 

Desenvolvimento na região de dó menor acontece nos compassos de 16 à 23 com retorno a dó maior e início da reexposição.

As modulações ocorrem, mas são feitas dentro das próprias frases, em vez de ter uma grande parte da peça escrita especificamente para explorar e / ou sequenciar outras teclas. Além disso, a seção de desenvolvimento do m. 16-23 é muito curto e não viaja para nenhuma outra tecla além da menor paralela, C menor. Em comparação com uma sonata, transições / retransições e a seção de desenvolvimento de peças, como uma sonata maior de Beethoven ou Mozart, podem percorrer várias teclas, abrangendo muitas medidas para criar instabilidade harmônica nessas seções.

Reexposição ou recapitulação compassos 24 ao 38.

Tema A’ compassos 24 ao 31 em dó maior sem modulação para a dominante

Tema B’ compassos 31 ao 38 em dó maior (tônica)

Baixo de Alberti

Um elemento novo para quem ainda não enfrentou uma peça do período clássico é o tipo de acompanhamento realizado pela mão esquerda: o baixo de Alberti. Este estilo de acompanhamento, nomeado após Domenico Alberti (1710-1740) que o usava extensivamente, consiste em “quebrar” ou arpejar as notas de um acorde. Quando uma harmonia é arpejada, as notas são executadas uma por vez a partir da mais grave, já o acorde “quebrado” é executado alterando a ordem das notas mais agudas. Este tipo de acompanhamento foi utilizado predominantemente na música para teclado do período clássico.

Sugestão de estudo:

Praticar o acompanhamento executando as harmonias em bloco e depois “quebrando” ou arpejando.

1. Exemplo de acompanhamento com o acorde “quebrado”
2. Exemplo de acompanhamento com acorde arpejado

 

Como estudar?

 

Dedilhado e articulação

Estude cada mão separadamente e experimente o dedilhado sugerido. O dedilhado sugerido pode ser alterado quando necessário, lembre-se de anotar na partitura o novo dedilhado para

Fraseado

Como ocorre em muitas peças do período clássico, a Sonatina foi composta com frases de 4 compassos de extensão. Procure frasear os grupos de 4 compassos de modo que a linha melódica não se perca. Experimente articulações diferentes. As frases musicais costumam ser compostas de duas partes: antecedente (pergunta) e consequente (resposta). Procure descobrir qual parte de cada frase “pergunta” e qual “responde” ou resolve.

Dinâmica

Preste atenção nas frases e nas indicações dinâmicas da peça. É importante ter em mente o contraste entre os trechos em forte e os trechos em piano. Pense em como você quer conectar os trechos com dinâmicas contrastantes, quando não há indicação, podemos aumentar ou crescer quando a melodia vai para a região mais aguda e diminuir quando a melodia vai para a região mais grave.

Procure identificar os momentos onde a mão esquerda é mais importante ou tem igual importância que a direita. O objetivo principal é destacar a melodia, o que pode ser feito de duas maneiras: aumentamos o volume sonoro da melodia, ou diminuímos o acompanhamento. Na maior parte da peça, a mão direita detêm o material melódico, contudo, nos curtos momentos onde a mão esquerda detém interesse melódico eles precisam aparecer. Destacar um pouco estes trechos agregam mais variedade de textura e timbre na hora da execução.

Lembre-se de estudar o contraste dinâmico lentamente e sempre checando se o pulso e os braços estão relaxados e se o dedilhado continua confortável. Caso necessário, considere um dedilhado diferente.

Ritmo

A fórmula de compasso é ¢, que também pode ser escrita como 2/2, portanto a unidade de tempo – figura que vale um tempo no compasso – é a mínima. É importante estudar como se a fórmula de compasso fosse 2/4 para garantir que o ritmo esteja bem regular. Isto pode ser feito com a ajuda de um metrônomo, você pode estudar com cliques ou batidas por semínima e depois alterar os cliques para as mínimas. Você pode utilizar um metrônomo online como este aqui. As passagens com colcheias, e portanto mais rápidas, podem ser estudadas com variação rítmica, com a ideia de uma nota longa e uma curta ou uma curta e uma longa, imaginando que a primeira ou segunda nota seja pontuada.

Exemplo 1: nota longa – nota curta
Exemplo 2: nota curta – nota longa

 

Pedal

Na maior parte da peça, a mão esquerda executa o acompanhamento. O ideal é encontrar um tipo de pedalização que permita a ressonância do acompanhamento sem perder a clareza da melodia da mão direita. Vale lembrar que o pedal altera a cor, articulação e dinâmica. Experimente bastante até encontrar um bom equilíbrio.

Obrigado por ler até aqui! Comentários e sugestões são sempre bem vindos.

Daniel

 

Texto adaptado de: https://danielpadovanpiano.wordpress.com/2020/06/02/sonatina-em-do-maior-de-muzio-clementi/

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