Vivemos o que Guy Debord chamaria de Sociedade do Espetáculo. Nas relações com o próximo, o outro deixou de ser um indivíduo para se tornar um acessório de validação.
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A Amizade como Consumo: O "amigo" hoje é medido pela utilidade emocional ou social que ele provê. Quando a bateria da conveniência acaba, a relação é descartada.
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O Narcisismo de Massa: Olhamos para o próximo e buscamos apenas um reflexo de nós mesmos. Se o outro diverge, ele é "cancelado". Isso não é convivência; é um monólogo coletivo.
A Natureza como Cenário, não como Lar
Se a relação com o humano está em crise, a nossa relação com o ambiente beira o delírio. Deixamos de ser parte do ecossistema para nos tornarmos turistas do planeta.
Para a filosofia existencialista, essa futilidade nasce de um divórcio: tratamos o mundo como um estoque de recursos. O rio não é mais uma entidade viva, é um KPI de hidrelétrica; a floresta não é o pulmão, é o fundo para o seu próximo post no Instagram. É a futilidade da exploração que ignora a própria finitude.
"O homem moderno não vê mais a árvore; ele vê a madeira, o papel e o lucro, esquecendo que ele próprio é feito da mesma poeira estelar."
O Vazio da Modernidade Líquida
Zygmunt Bauman já nos avisava: nossos laços são "líquidos". Eles não mantêm a forma. A futilidade reside na nossa incapacidade de suportar o tédio do compromisso e a dor da alteridade.
Construímos pontes de papel em um mundo de tempestades. Relacionamo-nos com o ambiente e com as pessoas da mesma forma que usamos um copo plástico: usamos, saciamos nossa sede momentânea de atenção e jogamos no lixo, esperando que o "sistema" dê um jeito no entulho emocional que deixamos para trás.
Conclusão: Há Saída?
A futilidade não é um destino, mas um vício. Para romper isso, precisamos resgatar a Etiicidade. Ver o próximo não como uma ferramenta, mas como um fim em si mesmo (como diria Kant), e o ambiente não como um palco, mas como nossa própria carne.