Alfabetizar uma criança de 6 anos na escola urbana não é o mesmo que alfabetizar um jovem da EJA, um trabalhador rural ou alguém em um projeto comunitário. Os contextos mudam: tempo disponível, experiências de vida, motivações, relação com a escola. A metodologia precisa respeitar essas diferenças.
Alfabetização de jovens e adultos (EJA)
Na EJA, é comum encontrar:
- Pessoas com histórias de fracasso escolar e vergonha de não saber ler.
- Jornada de trabalho pesada, pouco tempo para estudar.
- Forte desejo de uso prático da escrita (assinar, ler bilhetes, usar no trabalho).
Alguns princípios:
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- Trabalhar com textos do cotidiano: formulários, avisos, receitas, contratos simples.
- Reconhecer e valorizar o saber de vida que esses alunos trazem.
- Usar situações reais como ponto de partida (ler um contracheque, por exemplo).
- Manter respeito absoluto, evitando infantilizar (sem atividades com cara de “1º ano infantilizado”).
Alfabetização no campo
No campo, características frequentes:
- Rotina influenciada por safra, clima, deslocamentos.
- Cultura local própria (festas, saberes, falares).
- Menor acesso a livros, bibliotecas, tecnologia.
Estratégias:
- Usar textos ligados ao contexto rural: folhetos agrícolas, receitas, cantigas, cordel, listas de insumos, mapas simples.
- Valorizar a oralidade e os saberes da comunidade.
- Integrar projetos de leitura e escrita a temas da vida no campo (cultivo, clima, histórias de família).
Alfabetização em contextos não escolares
Projetos em igrejas, associações, movimentos sociais, ONGs:
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- Muitas vezes, dependem de voluntários sem formação específica.
- Têm tempo reduzido por encontro.
- Trabalham com grupos muito heterogêneos.
Caminhos possíveis:
- Focar em objetivos muito claros (ler rótulos de remédio, assinar o nome, ler placas).
- Usar textos que circulam naquele espaço (hinos, estatuto da associação, cartazes).
- Manter clima de acolhimento, evitando fabricar constrangimento com erros.
Alfabetizar em EJA, no campo ou em contextos alternativos exige olhar respeitoso para o lugar e para as pessoas. Não se trata de “levar a escola tradicional para fora”, mas de construir práticas que façam sentido para aquele grupo, naquele tempo e espaço.
Se você pensasse em uma turma de EJA ou em um grupo de alfabetização de adultos, que três textos do cotidiano deles você usaria como ponto de partida?