Salas de alfabetização são, por natureza, diversas: crianças com histórias, ritmos, linguagens e condições muito diferentes. Entre elas, podem estar alunos com deficiência intelectual, TEA, deficiência auditiva, visual, física, entre outras. A perspectiva da educação inclusiva defende que todos têm direito a aprender juntos, com apoios e adaptações necessárias.
Neste texto, você vai ver princípios e estratégias para tornar a alfabetização mais inclusiva, sem abandonar expectativas de aprendizagem, mas ajustando caminhos.
Princípios da alfabetização inclusiva
Alguns pontos de partida:
Resolva exercícios e atividades acadêmicas
- Todos podem aprender, ainda que em ritmos e níveis diferentes.
- A meta não é “igualar” todos, mas garantir participação e progresso de cada um.
- Adaptação não é “facilitar demais”, é tornar o acesso possível.
- A turma inteira ganha quando as estratégias são diversificadas (não só o aluno com deficiência).
Adaptações possíveis em atividades de leitura
Para alunos com maior dificuldade ou com deficiência:
- Textos com fontes maiores e espaçamento ampliado.
- Uso de imagens de apoio mais claras.
- Leitura em voz alta pelo professor antes de pedir qualquer tarefa.
- Uso de recursos auditivos (áudio de histórias, leitura gravada).
- Pausas para checar compreensão em pequenos trechos.
Para alunos cegos ou com baixa visão, quando possível:
- Material ampliado, alto contraste.
- Apoio de recursos de leitura tátil ou áudio.
- Descrição oral das imagens.
Adaptações em atividades de escrita
Algumas alternativas:
Encontre o professor particular perfeito
- Permitir que o aluno dicte o que quer escrever, enquanto o professor/apoio registra.
- Oferecer palavras de apoio em cartões, quadros ou pranchas de comunicação.
- Reduzir a quantidade de itens em uma mesma atividade, focando na qualidade.
- Para alunos com dificuldade motora: apoiar uso de lápis adaptados, teclado ou recursos digitais simples.
Em todos os casos, valorizar a intenção comunicativa é essencial, mesmo quando a escrita ainda não é convencional.
Uso de recursos visuais, concretos e multimodais
A inclusão se fortalece quando você:
- Usa objetos concretos para associar palavras (brinquedos, alimentos, materiais).
- Trabalha com figuras, fotos, pictogramas para apoiar compreensão.
- Integra música, movimento e dramatização às atividades de leitura e escrita.
- Ajusta a linguagem oral (frases mais curtas, clareza, repetições necessárias).
Isso beneficia não só quem tem deficiência, mas todos que aprendem melhor com múltiplos canais.
Trabalho em dupla e em grupo
Estratégias colaborativas:
- Duplas em que um aluno apoia o outro na leitura, sem fazer por ele, mas ajudando a decifrar.
- Grupos pequenos para produção de listas, bilhetes, cartazes.
- Rodas em que cada um contribui com o que consegue (uma palavra, uma ideia, um desenho).
É importante ensinar às crianças que ajudar não é dar a resposta pronta, mas caminhar junto.
Alfabetizar de forma inclusiva é reconhecer que a turma é heterogênea e que isso não é um problema a ser “resolvido”, mas uma realidade a ser acolhida com planejamento e criatividade. Com pequenas adaptações, uso de múltiplas linguagens e apoios específicos quando necessário, é possível garantir que todos participem, aprendam e avancem.
Olhe para sua turma (ou para o público que você atende) e identifique: que barreiras existem hoje para alguns alunos? Que pequenas mudanças de material, tempo ou forma de propor a atividade poderiam tornar a alfabetização mais acessível para eles?