A educação infantil não é “mini 1º ano”. Seu papel não é antecipar exercícios formais de leitura e escrita, mas construir bases para o letramento e a alfabetização: linguagem oral rica, brincadeiras com sons, contato com livros, exploração de marcas gráficas. Quando isso é bem feito, o 1º ano encontra terreno fértil.
O que é importante antes do 1º ano
Na educação infantil, são prioridades:
- Desenvolvimento da linguagem oral: conversas, relatos, narrativas.
- Contato frequente com histórias, músicas, parlendas, cantigas.
- Brincadeiras com sons da fala: rimas, aliterações, sílabas.
- Exploração de marcas de escrita presentes no ambiente (placas, rótulos, nomes).
- Desenvolvimento motor (coordenação fina) para futura escrita manual.
O que não é adequado exigir
Não é função da educação infantil:
Resolva exercícios e atividades acadêmicas
- Fazer treino massivo de cópia de letras e palavras.
- Obrigatoriamente “ensinar a ler” no sentido de decodificar.
- Cobrar cadernos cheios, lições repetitivas, tarefas de casa pesadas.
Isso pode:
- Cansar e desmotivar a criança.
- Produzir rejeição precoce à escola.
- Favorecer memorização mecânica sem compreensão.
Atividades que preparam para alfabetização
Alguns exemplos adequados:
- Rodas diárias de leitura de histórias e conversa.
- Brincadeiras de rima (“quem conhece uma palavra que rima com…?”).
- Jogos com o nome próprio (montar, reconhecer, procurar letras).
- Desenho livre com escrita espontânea do próprio jeito (“o que você quer escrever aqui?”).
- Explorar cartazes de rotina, calendário, lista de chamada.
O foco é que a criança entenda que a escrita tem função, não que repita traçados sem sentido.
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Papel da família e da escola
Ambos podem:
- Evitar a ansiedade do “meu filho tem que sair lendo”.
- Valorizar progressos na oralidade, atenção, curiosidade por livros.
- Entender que cada criança tem um tempo, e que a alfabetização formal se consolida, em geral, no ciclo seguinte.
Educação infantil que respeita sua função não está “atrasando” alfabetização; está construindo as bases corretas, de forma lúdica e significativa. Forçar o código cedo demais pode dar uma impressão de avanço, mas cobra um preço depois.
Se você trabalha com EI, olhe para suas propostas: elas estão mais para “treino de letra” ou mais para linguagem, brincadeira e contato com textos? Que ajuste poderia aproximar ainda mais sua prática do que se espera para essa etapa?