Estudar para concursos é um projeto de médio ou longo prazo. Os editais costumam trazer muitas disciplinas, vários detalhes de lei, conteúdos específicos e uma cobrança intensa por questões objetivas bem resolvidas. Sem uma rotina planejada, o concurseiro se sente sempre perdido, com a sensação de estar atrasado em tudo.
Neste texto, você vai aprender a montar uma rotina de estudos voltada para concursos públicos, com foco em edital, ciclos de matérias, revisões e prática com questões. A ideia é criar um sistema que você consiga sustentar por meses, até a aprovação chegar.
Comece pelo edital e pelo nível da prova
O edital é o mapa do caminho para todo concurseiro. É nele que você encontra:
Resolva exercícios e atividades acadêmicas
- As matérias que caem na prova
- O peso de cada disciplina
- O tipo de prova (objetiva, discursiva, prática)
- O conteúdo programático de cada tópico
Antes de qualquer rotina, leia o edital com atenção e faça:
- Uma lista de todas as disciplinas
- Uma marcação das que você já conhece melhor e das que são totalmente novas
- Uma percepção dos pesos: qual matéria tem mais questões? Qual costuma eliminar muita gente?
Se ainda não saiu o edital, use editais anteriores do mesmo concurso ou de concursos parecidos da mesma banca.
Organize as disciplinas em blocos e prioridades
Depois de listar as matérias, agrupe-as e priorize:
Encontre o professor particular perfeito
- Disciplinas básicas que caem em quase todos os concursos (Português, Raciocínio Lógico, Informática, Direito Constitucional e Administrativo, por exemplo).
- Disciplinas específicas da área (Direito Penal, Contabilidade, Administração, Legislação especial, etc.).
- Matérias em que você é iniciante ou tem grande dificuldade.
Dê prioridade às matérias:
- Mais cobradas
- Mais eliminatórias
- Em que você está mais fraco
Elas devem aparecer com maior frequência na sua semana.
Use ciclos de estudo em vez de dias fixos por disciplina
Uma forma muito usada em concursos é estudar em ciclos em vez de se prender a “segunda é dia de X, terça é dia de Y” para sempre. O ciclo funciona assim:
- Você define uma sequência de matérias (por exemplo, Português, Constitucional, Administrativo, Raciocínio Lógico, Informática, Específica 1, Específica 2).
- Define quantos blocos de estudo (por tempo) cada uma terá dentro do ciclo.
- Vai avançando na sequência, independente do dia da semana.
Por exemplo, um ciclo de 10 horas pode ser:
- 2 horas – Português
- 2 horas – Direito Constitucional
- 2 horas – Direito Administrativo
- 2 horas – Raciocínio Lógico
- 2 horas – Matéria Específica
Você estuda 2 horas por dia, e a cada 5 dias completa um ciclo. Se um dia falhar, no dia seguinte você retoma de onde parou, sem “atrasar a segunda” ou “perder a quinta”.
Estruture cada bloco de estudo com teoria e questões
Para concursos, a combinação teoria + questões é essencial. Um modelo de bloco de 1 ou 2 horas pode ser:
- 20 a 30 minutos: leitura da lei seca, doutrina ou material de aula
- 30 a 60 minutos: resolução de questões da banca ou similares
- 10 a 20 minutos: correção das questões, anotando erros e dúvidas
A proporção pode variar conforme sua fase:
- Início dos estudos: mais teoria, para entender a base
- Fase intermediária: metade teoria, metade questões
- Fase avançada: predominância de questões, com teoria focada só nas dúvidas
Sempre que possível, use questões da banca que organizará seu concurso ou de bancas com estilo parecido.
Inclua revisões na rotina de concurseiro
Como o conteúdo é extenso, revisar é fundamental para não esquecer o que já estudou. Você pode adotar métodos de revisão espaçada, como:
- Revisar o conteúdo em até 24 horas após o primeiro estudo
- Fazer uma nova revisão cerca de 7 dias depois
- Fazer revisões mais espaçadas, como após 30 dias[1][2][3][5][6]
Na prática, isso pode ser incluído assim:
- Reservar 15 a 20% do tempo total de estudo para revisões.
- Ter 1 dia na semana mais voltado para revisar o que foi estudado nos dias anteriores.
- Usar resumos, marcações, flashcards e questões já resolvidas como material de revisão.
Use simulados e provas inteiras da banca
À medida que o concurso se aproxima, ou mesmo em períodos intermediários, é importante treinar com:
- Provas antigas inteiras da mesma banca
- Simulados completos, com o mesmo número de questões e tempo parecido com o da prova
Isso ajuda a:
- Treinar a resistência mental
- Testar a estratégia de prova (ordem das matérias, uso do tempo)
- Identificar disciplinas que estão mais fracas
Após cada simulado, separe um tempo para corrigir com calma, classificando seus erros (conteúdo, interpretação, falta de atenção) e usando isso para ajustar o foco das próximas semanas.[2][3]
Monte um exemplo de rotina semanal para concurso
Imagine alguém que pode estudar 3 horas por dia, 6 dias na semana (18 horas semanais). Um exemplo:
-
Segunda:
- 1h – Português
- 1h – Direito Constitucional
- 1h – Raciocínio Lógico
-
Terça:
- 1h – Direito Administrativo
- 1h – Informática
- 1h – Específica
-
Quarta:
- 1h – Português
- 1h – Constitucional
- 1h – Raciocínio Lógico
-
Quinta:
- 1h – Administrativo
- 1h – Informática
- 1h – Específica
-
Sexta:
- 1h – Revisão (conteúdos da semana)
- 2h – Questões de múltiplas matérias
-
Sábado:
- 2 a 3h – Simulado ou prova anterior
- Se possível, mais 1h para correção detalhada
É apenas um modelo. Você pode ajustar cargas, trocar disciplinas, inserir ou remover dias, sempre respeitando seu tempo e o edital.
Estudar para concursos é um projeto de longo prazo que exige disciplina, mas também flexibilidade. Sua rotina deve ser firme no propósito, mas adaptável às mudanças e ao seu ritmo de aprendizado. Com uma boa leitura de edital, uso de ciclos, mistura de teoria e questões, revisões e simulados, você constrói, dia após dia, a base para a aprovação.
Comece organizando as matérias do seu concurso, definindo prioridades e montando um primeiro ciclo de estudos. Com o tempo, você pode ir refinando esse ciclo conforme avança.