Nem toda dificuldade de leitura e escrita é falta de esforço ou problema de método. Algumas crianças têm transtornos específicos de aprendizagem (como dislexia), condições atencionais (como TDAH) ou outras questões neurológicas e emocionais que impactam a alfabetização. Reconhecer isso é fundamental para evitar rótulos injustos e buscar apoio adequado.
Neste texto, você vai ver sinais de alerta em sala, estratégias de apoio e quando é o caso de encaminhar para avaliação especializada.
Quando a dificuldade passa do “esperado” para o “sinal de alerta”
Algum nível de erro, troca de letras e lentidão é normal nas fases iniciais. Porém, é hora de acender a luz amarela quando:
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- A dificuldade é muito maior do que a dos colegas na mesma fase.
- Persiste por longos períodos, mesmo com boas intervenções.
- Há grande sofrimento da criança em relação à leitura e escrita.
Sinais frequentes:
- Trocas constantes de letras com sons próximos (p/b, t/d, f/v).
- Inversões de sílabas ou letras (fala “pra” e lê “par”).
- Leitura muito lenta, silabada, com perda de compreensão.
- Escrita com forte discrepância em relação à oralidade da criança.
Dislexia: o que é e o que não é
A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem da leitura, de base neurobiológica, que afeta sobretudo:
- Precisão na leitura.
- Fluência.
- Habilidade de decodificar palavras.[1][3][4]
Não é:
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- Falta de inteligência.
- Falta de interesse.
- Resultado de “preguiça” ou “desleixo”.
Alunos com dislexia costumam precisar de:
- Mais tempo para ler.
- Apoios visuais e orais.
- Trabalho intenso com consciência fonológica e fonema–grafema.
- Adaptações de avaliação (menos ênfase em velocidade, mais em compreensão).
TDAH e alfabetização
O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) não é uma dificuldade de leitura em si, mas afeta:
- Sustentação de atenção na tarefa.
- Organização do material.
- Controle de impulsos (responder antes de ler tudo, por exemplo).
Na alfabetização, isso pode aparecer como:
- Pular linhas ou palavras.
- Iniciar atividades e não concluir.
- Esquecer instruções simples.
Apoios possíveis:
- Atividades curtas e variadas.
- Orientações claras e repetidas, se necessário.
- Supervisão mais próxima na hora da leitura e escrita.
- Combinar sinais discretos para ajudar a retomar o foco.
O que a escola pode fazer antes de encaminhar
Antes de pensar em laudo, a escola precisa garantir:
- Oferta consistente de atividades de consciência fonológica.
- Trabalho sistemático com relação letra–som.
- Rotina de leitura e escrita significativa.
- Apoios diferenciados para alunos em maior dificuldade (reforço, atendimento em grupos menores).
Após um período razoável com boas práticas, se a dificuldade se mantém muito acentuada, faz sentido pensar em avaliação.
Quando encaminhar para avaliação especializada
É recomendável orientar a família a buscar avaliação com fonoaudiólogo, psicopedagogo, neuropediatra ou psicólogo quando:
- A criança apresenta dificuldades importantes e persistentes em leitura/escrita, apesar de intervenções pedagógicas bem feitas.
- Há histórico familiar de dificuldades semelhantes.
- O sofrimento emocional da criança é evidente (evita ler, chora, se revolta).
O papel da escola é:
- Descrever o que observa, com exemplos.
- Explicar que avaliação não é rótulo, e sim oportunidade de entender melhor e ajudar.
- Manter o acolhimento, independentemente de diagnóstico.
Nem toda criança aprende a ler e escrever no mesmo ritmo, e isso é normal. Mas algumas terão, sim, dificuldades específicas que exigem olhar mais cuidadoso e apoio interdisciplinar. Quando a escola diferencia “dificuldade de percurso” de “transtorno” e atua em parceria com a família, aumenta muito as chances de essa criança se desenvolver com autoestima e autonomia.
Pense em um aluno que você suspeita ter uma dificuldade maior. O que já foi tentado em sala? Que registros poderiam ser feitos para fundamentar uma conversa com a família e, se necessário, um encaminhamento?