A alfabetização é responsabilidade da escola, mas o apoio da família faz muita diferença. Crianças que crescem em ambientes com livros, conversas, histórias e curiosidade sobre a escrita tendem a ter mais facilidade para aprender a ler e escrever. Ao mesmo tempo, muitas famílias se sentem inseguras (“não sei ensinar”) ou sobrecarregadas. O papel da escola não é culpar, e sim orientar com propostas simples e possíveis.
Neste texto, você vai ver como envolver a família no processo de alfabetização sem delegar a ela o que é função do professor.
Explique para a família o que é alfabetizar hoje
Antes de pedir qualquer apoio, é importante alinhar conceitos:
Resolva exercícios e atividades acadêmicas
- Alfabetizar não é só “copiar letra”.
- A criança precisa brincar com sons, ouvir histórias, escrever de forma espontânea.
- Erros fazem parte do processo; a escrita “não certinha” é etapa, não fracasso.
Você pode explicar isso em reuniões, bilhetes ou vídeos curtos, mostrando:
- As fases da escrita (pré-silábica, silábica, etc.).
- O tipo de apoio que a família pode dar (escutar, incentivar, ler junto), sem “ensinar como a professora”.
Sugira ações simples de leitura em casa
Famílias muitas vezes perguntam: “O que eu faço, então?”. Dê orientações claras e simples, por exemplo:
- Ler uma história por dia ou alguns dias na semana, mesmo que rápida.
- Conversar sobre a capa, os personagens, o que aconteceu.
- Deixar a criança folhear livros, revistas, gibis, mesmo que ainda não leia convencionalmente.
- Mostrar que adultos também leem (receitas, mensagens, avisos).
Não precisa ser perfeito, nem exigir 1 hora por dia. Mesmo 10 a 15 minutos de leitura com atenção real já fazem diferença.
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Incentive a escrita espontânea no cotidiano
A família pode aproveitar situações reais para envolver a criança na escrita:
- Listas de compras: a criança pode escrever alguns itens ou “do jeito dela”.
- Bilhetes: “Vamos escrever um bilhete para o papai/mamãe?”
- Anotações simples: nomes em etiquetas, recados rápidos, calendário de atividades.
Oriente os responsáveis a:
- Valorizar a tentativa, mesmo que a palavra saia “errada”.
- Evitar riscar a escrita da criança na hora; podem escrever a forma convencional ao lado.
- Elogiar o esforço e o interesse, não só o acerto.
Mostre o que NÃO é necessário (nem desejável)
Muitas famílias acreditam que ajudar é:
- Dar muitas cópias de letras e frases.
- Obrigar a criança a preencher páginas de caderno todos os dias.
- Criticar fortemente quando erra.
Explique que:
- Cópia excessiva e mecânica não garante alfabetização.
- O mais importante é a criança entender o que está escrevendo e ler com sentido.
- Pressão e punição podem gerar rejeição à leitura e à escola.
Sugira que, se quiserem propor alguma atividade escrita em casa, que seja curta, com propósito claro e dentro do que a escola está trabalhando.
Crie canais de comunicação acessíveis
Famílias têm dúvidas, e muitas vezes não perguntam por vergonha. Ajuda muito:
- Manter um canal de recados (caderno, grupo de mensagens com regras claras, mural).
- Fazer reuniões específicas sobre alfabetização, com exemplos concretos de atividades.
- Enviar bilhetes com orientações práticas e linguagem simples.
Quanto mais a família entender o que vocês estão fazendo e como isso ajuda a criança, mais colaborativa ela tende a ser.
Envolver a família na alfabetização é trazer os responsáveis para perto, oferecendo caminhos possíveis e respeitando sua realidade. Não se trata de “mandar lição para os pais”, mas de mostrar como pequenas atitudes do dia a dia – ler, conversar, escrever bilhetes, valorizar tentativas – podem reforçar o que a escola faz.
Pense em três orientações simples que você poderia enviar ainda este mês para as famílias da sua turma, incentivando a leitura e escrita em casa de maneira leve e praticável.