Muitas crianças chegam à escola falando variedades regionais ou populares do português. Dizem “nóis vai”, “as criança”, “pra mim fazer”. Se o professor trata essa fala como “feia”, “errada” ou “pobre”, produz preconceito linguístico e atinge diretamente a autoestima do aluno. Alfabetizar é também educar para a diversidade de falares.
O que é preconceito linguístico
Preconceito linguístico é:
- Julgar a pessoa pela forma como fala.
- Tratar variedades populares ou regionais como “português errado”.
- Supor que só quem fala perto da norma padrão é “inteligente” ou “bem educado”.
Do ponto de vista linguístico, as variedades populares têm regras próprias, não são “bagunça”. A escola tem o papel de ensinar a norma padrão, mas sem deslegitimar o jeito de falar de casa.
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Como isso aparece na alfabetização
Na alfabetização, preconceito linguístico pode surgir quando:
- O professor corrige de forma humilhante a fala da criança.
- Escolhe exemplos apenas da norma culta, ignorando expressões da comunidade.
- Transmite a ideia de que a fala da casa é um “defeito” a ser consertado.
Resultado: a criança pode se calar mais, participar menos, sentir que “fala errado demais para aprender”.
Ensinar norma padrão sem desvalorizar a fala do aluno
Alguns caminhos:
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- Explicar que existem jeitos diferentes de falar em situações diferentes:
- Um jeito de falar em casa.
- Outro em uma entrevista de emprego, em um texto escrito, em uma prova.
-
Usar a metáfora de “roupas diferentes”:
- A gente não vai de chinelo à festa de gala, nem de terno para a praia.
- Com a língua, também aprendemos “roupas linguísticas” para cada situação.
-
Mostrar que aprender a norma padrão é ampliar repertório, não trocar de identidade.
Exemplos práticos em sala
Ao encontrar “nóis vai”:
- Em vez de “está errado, fala direito!”, você pode dizer:
- “Na nossa fala do dia a dia, a gente ouve muito ‘nóis vai’, né?
No modo que a gramática cobra na prova, a gente escreve ‘nós vamos’.”
- “Na nossa fala do dia a dia, a gente ouve muito ‘nóis vai’, né?
Registrar os dois no quadro, mostrando contextos de uso.
Ao trabalhar textos, incluir:
- Parlendas, músicas, histórias que reflitam a fala da comunidade.
- Textos em norma padrão, explicando seu contexto (livro, notícia, texto escolar).
Combater preconceito linguístico na alfabetização é ensinar que falar diferente não é “vergonha”, e sim marca de história e pertencimento. A escola amplia horizontes linguísticos, mas não apaga origens. Isso faz diferença direta na relação da criança com a leitura, a escrita e a própria identidade.
Reflita: em que momentos você já corrigiu a fala de um aluno? Como poderia transformar essas situações em oportunidades de reflexão, e não de humilhação?