A Teoria da Evolução precisa ser expandida?
Lavinia M.
em 16 de Janeiro de 2019

Muitos anos após a descoberta da seleção natural e a evolução das espécies, a teoria da evolução ainda segue os passos de Charles Darwin. Grandes avanços ocorreram ao longo do tempo e assim foi possível compreender melhor como a evolução acontece e quais os processos envolvidos. Contudo, atualmente entramos em um novo empasse sobre a evolução: a necessidade da teoria da evolução ser expadida ou não. Se levarmos em consideração artigos relacionados a discussões nesse aspecto, percebemos que ainda há uma restrição de alguns cientistas em abordar questões referentes a isso.  

Em sentido oposto, muitos pesquisadores sustentam hipóteses acerca da importância da expansão da teoria da evolução, enquanto outros defendem que a mesma já abrange todos os processos amplamente. Assim, vertentes foram criadas: a síntese moderna (MS, que engloba a seleção natural de Darwin, o pensamento em nível de populaçao e a herança mendeliana) e a síntese envolucionária expandida (EES, que defende uma abordagem da evolução centrada no organismo e em seu desenvolvimento e não somente nos genes).

Tendo como base essas duas vertentes, acredito que, a teoria da evolução pode ser expandida, mas isso não significa necessariamente que seja falha ou incompleta. Pelo contrário, ela abrange diversos processos que ocorrem na natureza e que fazem parte da evolução de cada ser. No entanto, se aprofundar em alguns desses ramos que são ligeiramente abordados na teoria da evolutiva contribuirá significativamente para melhorá-la, pois desde sua origem muitas tecnologias foram criadas e utilizá-las só tende a nos ajudar.  O biólogo evolucionário Kevin Laland e colegas acreditam que “uma pluralidade de perspectivas na ciência estimula o desenvolvimento de hipóteses alternativas e estimula o trabalho empírico”. Dessa mesma forma, diferentes perspectivas podem ampliar a teoria da evolução como um todo.

Além disso, ainda segundo Laland, gerações de biólogos evolucionistas
modificaram, corrigiram e ampliaram a estrutura da síntese moderna de inúmeras maneiras e da mesma forma que Darwin buscaram suas fontes em outros campos.  Assim, buscar um maior aprofundamento em alguns aspectos como desenvolvimento, plasticidade, nicho e ambiente, e não necessariamente corrigir a teoria, mas sim a ampliar pode proporcionar melhoras na forma como a compreendemos a evolução dos organismos.

Muitos pesquisadores acreditam que fenômenos são negligenciados na biologia evolutiva. Peças em falta incluem como o desenvolvimento físico influencia a geração de variação (viés de desenvolvimento); como o ambiente molda diretamente os traços dos organismos (plasticidade); como os organismos modificam os ambientes (construção de nicho); e como os organismos transmitem mais do que genes através das gerações (herança extragenética). Para teoria evolucionária padrão, esses fenômenos são apenas resultados da evolução. Para a síntese evolucionária expandida, eles também são causas (KEVIN LALAND; TOBIAS ULLER; MARC FELDMAN; KIM STERELNY. GERD B. MULLER; ARMIN MOCZEK; EVA JABLONKA; JOHN ODLING-SMEE, 2014).

Seguindo essa mesma linha de pensamento, Pigliucci sugere que há pelo menos quatro elementos principais faltando na síntese moderna: o desenvolvimento, a ecologia, ciências como genômica e proteômica, além de outras e por último a plasticidade. Na questão do desenvolvimento, o evo-devo (evolução do desenvolvimento) já busca nos mostrar uma visão mais clara de como o desenvolvimento dos organismos evoluiu. A ecologia está presente na teoria evolucionária padrão, mas ainda há muitas questões sobre esses fenômenos a serem levantadas. Ademais, tecnologias de áreas como genômica ainda são muito recentes e sua atribuições na evolução precisam ser melhor estudadas.  

No sentido oposto, Gregory Wray, Hopi Hoekstra e colegas acreditam que os elementos citados acima não são negligenciados na teoria evolutiva, mas precisam provar seu valor no mercado de teoria rigorosa, resultados empíricos e discussão crítica. De fato cada fenômeno precisa provar seu valor. No entanto, nem todos esses ramos podem ser estudados com atenção suficiente devido a grande quantidade de campos que a evolução abrange. Dessa forma, a evolução necessita de um aprofundamento que poderá nos levar a uma expansão da evolução.

Além disso, é razoável argumentar que a biologia evolucionária nunca passou por uma mudança de paradigma, pelo menos não desde Darwin (PIGLIUCCI, 2007). Desde 1859, quando o livro a Origem das Espécies foi publicado, muitas mudanças e tecnologias ocorrem e forma criadas.  Por exemplo, de acordo com Elizabeth Pennisi, agora os cientistas compreendem que a atividade gênica, os RNAs e as proteínas estão sob controle regulatório e que as mudanças nesses controles provavelmente impulsionam a evolução tanto quanto as mutações genéticas tradicionais que alteram a forma de uma proteína.

Além do mais, segundo Pennisi, a síntese moderna também não leva em consideração a epigenética. Uma pequena modificação química de uma base de DNA - a adição de um grupo metil, por exemplo - pode ligar ou desligar um gene tão facilmente quanto uma mutação. Muitas inovações surgiram desde o tempo de Darwin, utilizá-las ajudará no aprofundamento da teoria para passarmos a uma visão mais pluralista da evolução e que use diversos campos da biologia com a mesma ênfase e atenção.

A síntese moderna é incrivelmente boa em modelar a sobrevivência do mais apto, mas não é bom em modelar a chegada do mais apto. A teoria deve incluir um ambiente que é definido de forma ampla o suficiente para incluir o corpo em desenvolvimento, que é o contexto primário em que os genes são expressos (SCOTT GILBERT, 2008). Assim, a teoria evolucionária precisa abordar os genes e outros fatores hereditários, as formas e desenvolvimentos dos organismos e todos os outros ramos da biologia de forma igualitária. Biólogos evolucionistas tem muito que fazer devido à rápida quantidade de descobertas na biologia como um todo, sejam eles defensores da síntese moderna ou da síntese evolucionária expandida, ainda há muito trabalho a fazer e devemos apreciar a as discussões em torno da evolução, pois é assim que a teoria evolutiva crescerá.

 

REFERÊNCIAS

 

LALAND, K.; ULLER, T.; FELDMAN, M.; STERELNY, K.; MULLER, G.B.; MOCZEK, A.; JABLONKA, E.; ODLING-SMEE, J.; WRAY, G.A.; HOEKSTRA, H.E.; FUTUYMA, D.J.; LENSKI, R.E.; MACKAY, T.F.C.; SCHLUTER, D.; STRASSMAN, J.E. Does evolutionary theory need a rethink? Researchers are divided over what processes should be considered fundamental. Nature, Vol 514, 2014.

 

PIGLIUCCI, M. Do we need an extended evolutionary synthesis? The Society for the Study of Evolution, 2007.

 

Santa Maria / RS
Especialização: Educação Ambiental (UFSM - Universidade Federal de Santa Maria)
Microbiologia Bioquímica Histologia Biologia para 2º Ano Ecologia Embriologia Biologia a domicílio
Professora de Ciências e Biologia com experiência no Ensino Fundamental e Médio.
Oferece aulas online (sala profes)
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