Como aprender mais rápido do que o outro

Saiba como você poder desenvolver sua habilidade não se comparando

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Como aprender mais rápido do que o outro
Renato V.
em 18 de Novembro de 2019

Quando eu peguei em um violão pela primeira vez 13 anos atrás, por quase 3 anos eu me comparei com outros que já tocavam há algum tempo em analogias desse tipo: "o fulano toca violão há três anos e em três anos eu tenho que estar bom como ele".  Resumindo a história, não foi assim que aconteceu. 

Existe uma máxima de que "cada um aprende no seu tempo" dentro do universo da música. Para além dos três primeiros anos, essa tese foi o meu conforto pelo fato de ter falhado em tocar como o "fulano em três anos".

Porém, os anos se passaram e eu dei cada vez mais duro para aprender e muito logo consegui ultrapassar aqueles com os quais eu me comparava. "Ultrapassei" inclusive meus professores e muitas outras pessoas, até eu perceber que as minhas comparações eram inúteis (e sempre foram). 

Uma questão permaneceu e eu fiz dela todo o motivo de ser professor de violão: existe um jeito de padronizar os resultados? Resposta rápida: existe.  Caso você queira saber em detalhes, eu já escrevi aqui para o blog uma série de artigos sobre como montar a sua rotina de estudo. Ela vai ser a chave de todo o resto que você vai ler aqui. Vou deixar uma lista com todos os artigos que você vai ler para compreender mais:

Como estudar música: entendendo suas fraquezas
Como estudar música: descobrindo suas virtudes
Como estudar música: montando o repertório
Como estudar música: tirar música de ouvido
Como estudar música: construindo SUA rotina

Carro bom, pneu ruim, motorista perdido

Eu quero que você imagine que você dirige um carro e outra pessoa ao lado dirige o mesmo carro que você. Vocês estão na mesma pista parados, o sinal fechado, debaixo das mesmas condições exceto pelo fato de que os seus pneus são piores do que os de outra pessoa. Eles aderem menos ao asfalto. O sinal abre e vocês partem inicialmente juntos, mas depois de um tempo o outro carro está há alguns metros de distância de você. 

Agora eu quero você imagine essa mesma situação. Vocês parados no sinal, os pneus de vocês agora são iguais. O sinal abre. Vocês arrancam juntos só que o outro em algum momento, ainda que vocês tenham exatamente o mesmo carro, consegue uma vantagem sobre você. Sem entender e frustrado, você se pergunta o porquê se agora vocês tem o mesmo equipamento e em tese teriam a mesma performance. 

Na primeira história, os pneus são uma analogia aos fundamentos musicais que você tem em relação aos fundamentos do outro. Pneus piores, fundamentos piores. Com fundamentos piores, você vai ficar para trás sempre. 

Na segunda história, a diferença é o modo de condução ou, em nossa analogia, a forma de operar que produz resultados distintos. Se você não leva o seu estudo ao limite você não vai chegar lá na mesma velocidade, embora você esteja evoluindo talvez tão bem quanto outras pessoas e talvez até bem melhor que a maioria. 

Os fundamentos

Parte das frustrações do processo de evolução de um aluno está ligado ao fato dos objetivos não serem refletidos no estudo. Sem objetivos claros não tem como saber qual pneu comprar. Então, suponhamos que o seu objetivo seja tocar violão espanhol: Sor, Albeniz, Tárrega, Joaquín Rodrigo, Segovia, entre outros. 

A primeira coisa é fundamentar o que você precisa: um violão de nylon bom, apoio de perna, unhas polidas da maneira correta, ter escutado as peças, conhecer e gostar delas, aprender a postura do violão erudito, aprender o posicionamento de cada uma das mãos. Veja só: descrevi um monte de coisas que nada têm a ver com executar a música ainda. 

Por fim, você vai precisar das partituras das peças que você quer tocar, aprender a ler essas e praticar como fazer isso mais rápido ou até a ler a primeira vista. A partir desse ponto a sua prática de "violão na mão" será muito simples e rápida porque existe uma base muito bem fundamentada dando suporte ao seu estudo. 

Os objetivos

Percebeu que nesse exemplo do violão espanhol em momento algum eu citei coisas como harmonia e improvisação? Porque não é necessário improvisar quando se tem como objetivo tocar algo que já está escrito. Conhecimentos de harmonia facilitariam na memorização das peças, mas não fazem parte do fundamento. 

Em outra situação se o seu objetivo fosse tocar rock: a habilidade em tirar as músicas de ouvido, de perceber bem os timbres e saber imita-los no seu jeito de tocar são o que garantem o fundamento que você precisa para definir a sua rotina de estudos. Você nunca estudaria coisas como leitura de partitura, ou harmonia, improvisação, contraponto, escalas maiores ou menores. 

Os resultados

Resumindo tudo: você tem de decidir o que é que você quer e o que você precisa de fundamentos para aquilo que você quer. No dia que você perceber que o aprendizado é necessariamente medido apenas por quantas metas você atinge, você vai perceber que se comparar com o outro é inútil porque outro músico tem outras metas. 

Na verdade, a sua corrida é contra você mesmo. Contra e a favor ao mesmo tempo. Porque ao mesmo tempo em que você se esforça pra se superar a cada dia, você melhora para se superar mais ainda no dia seguinte. 

Voltando no primeiro parágrafo do texto, eu queria tocar bossa nova e jazz e me comparava com quem tava tocando hard rock. É óbvio que com três anos nós não estaríamos no mesmo lugar.

No entanto, no dia que eu falei que queria aprender hardrock, eu aprendi em menos de três meses porque a minha fundamentação era infinitamente superior do que a dos roqueiros. Mas, deixa esse assunto pra outro dia.

Renato Verissimo é multi-instrumentista e professor de música. 

Goiânia / GO
Música - Violão e Guitarra Violão Nível Vestibular Violão Jazz Teoria Musical com Violão Iniciação ao Violão Violão para Música Brasileira Violão Nível Ensino Médio
Professor de Violão, Guitarra
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