Revolução Industrial
Angélica I.
em 10 de Julho de 2020

Início do século XVII na Inglaterra

Uma das grandes perguntas entre os estudantes da disciplina de História, é por qual motivo ou quais características que levaram a Inglaterra a iniciar o processo de Revolução Industrial. Foram inúmeras características politicas e de mudanças sociais que conduziram o país a inaugurar os avanços tecnológicos ocidentais. 

Um dos motivos que auxiliaram a Inglaterra a iniciar o processo de Revolução Industrial, foi o fato de que desde o século XVII a Inglaterra foi palco de mudanças politicas que levaram ao fim o Absolutismo monárquico. E no mesmo século citado, a nação européia estava recém saída de dois grandes conflitos civis sangrentos que embora tenham abalado a sociedade e levou os cidadãos a avanços democráticos importantes. Dois episódios muito importantes antecederam a Revolução Industrial inglesa. 

Devemos nos referir na verdade, defendem alguns autores, aos conflitos sociais e políticos do século XVII na Inglaterra à Revolução Inglesa, mesmo que tenham havido dois momentos distintos; como a Revolução Puritana em 1640 e terminou com a Revolução Gloriosa em 1688. Porém o período entre as duas revoluções, estão repletos de acontecimentos que nos fazem compreender de maneira mais didática a Revolução Industrial e seus desdobramentos.

 O contexto das Revoluções são um sintoma do descontentamento dos ingleses em sua maioria dos camponeses, que eram prejudicados quanto à política de terras e que viam seus ganhos ou suas propriedades serem tomadas ou expropriadas para a criação de ovelhas utilizadas na produção de lã para a indústria têxtil inglesa. Para complicar a situação geopolítica, o contexto religioso do século anterior, irá influir diretamente nós acontecimentos da Revolução Inglesa.

O rei Henrique VIII havia rompido com a Igreja Católica no século XVI, criando o anglicanismo, uma religião que era um misto; de aparência católica e de conteúdo calvinista, uma religião que estreitava os vínculos entre Estado e burguesia. Esse fator embora deslocado de nosso contexto será imprescindível para a compreensão de nosso cenário que é a Inglaterra no início do século XVII.

Quando avançamos os acontecimentos, no reinado de Carlos I (1625-1648), o mesmo ampliou os poderes dos nobres, lhes garantindo vantagens politicas aos católicos. Porém, a maioria da burguesia, já seguia o Cristianismo Protestante, e se sentiram ameaçados quanto aos seus interesses comerciais e o temor da ascenção de um governo centralizado de orientação católica.

A Revolução liderada por Oliver Cronwell

Os burgueses unidos aos campesinos empobrecidos e liderados por Oliver Cronwell, criaram o Exército Puritano, que teve tamanho impacto político que conseguiu dissolver os partidários ingleses e instituíram um novo governo. Dentro de suas medidas mais importantes no governo de Cronwell, está o Ato de Navegação em 1649, que era um aceno de incentivo para as políticas econômicas da burguesia. Após a sua morte, o sucede seu filho, Richard Cronwell em 1658, que não consegue resistir às forças da burguesia monarquista. Sendo assim, a dinastia Tudor retorna ao poder na Inglaterra com Jaime II.

Esse último fato, leva à um temor do retorno da Monarquia Absolutista na Inglaterra. Isso levou a burguesia a se aliar ao genro de Jaime II, Guilherme de Orange. Após a união dessas forças para que a Revolução Gloriosa fosse deflagrada e assim, o campesinato e burguesia derrotou a realeza e tutelado pela mesma, Guilherme de Orange chegou ao trono. O Rei ainda assinou a Declaração de Direitos, que submetia o mesmo ao Parlamento e trazia inúmeros benefícios à burguesia e às suas atividades comerciais.

Revolucão Gloriosa

A Declaração de Direitos, não se limitou os poderes do Monarca, mas determinou certas leis civis, liberdade de expressão e a especificação do funcionamento do Parlamento e o sucessor da Coroa Britânica. A Revolução Gloriosa (1688), mesmo que não tenha sido sangrenta, deixou importantes consequências para os poderes do Parlamento do Reino Unido e da Coroa Britânica. A Declaração de Direitos impediu o retorno de um católico à Monarquia e enterrou de vez as recorrentes tentativas recentes da reinstalação do Absolutismo monárquico nas ilhas britânicas. 

Muitos historiadores consideram que a Revolução Gloriosa faz parte das Revoluções Britânicas que tiveram como pauta os interesses da burguesia, tais como, liberdade comercial e científica, impostos mais baixos e controlados pelo Estado, proteção da propriedade privada, segurança jurídica e o fim das intervenções monarquicas e arbitrárias no setor privado de comércio e manufatura. A acumulação de capital e a criação de inovações tecnológicas, que foram essenciais para o desenvolvimento da indústria. Porém, até 1746, ocorreram diversas Levantes Jacobitas, que tinham como intenção reconduzir Jaime II e sua linhagem à Coroa Britânica.

Do artesanato às grandes fábricas

No continente europeu entre os séculos XVII, XVIII e XIX uma nova forma de produção de bens surgiu, onde os trabalhadores recebiam salários e não mais eram servos e agora as ferramentas de trabalho, eram máquinas e não mais aquelas rudimentares que foram usadas ao longo de muitos séculos. Porém, é importante sempre compreender que os processos históricos não ocorrem de maneira uniforme em todos os territórios, ou seja, cada país teve pontos bem característicos em sua Revolução Industrial.

A produção de bens e mercadorias antes da Revolução Industrial tinham outra forma  de serem produzidas, como o artesanato e a manufatura. 

O artesanato era uma forma de produção manual e realizada com ferramentas simples que dependiam apenas da motricidade humana e que produziam poucas peças em um determinado espaço de tempo. O economista Adam Smith ilustrou esse modo de produção com o exemplo de um artesão que tinha de fazer alfinetes precisava saber endireitar um arame, cortar o mesmo, afiar uma ponta, colocar a cabeça na outra extremidade e dar o polimento final. Além de exercer todas as tarefas o artesão era o proprietário de todas as ferramentas assim como da matéria prima. 

Em outros países como a França e a Inglaterra, a transformação de matérias primas foi organizada em manufaturas, que podem ser explicadas como grande oficinas onde diversos artesãos exerciam as mesmas atividades do modo de produção anterior, porém com a diferença de que as ferramentas e a matéria prima eram de propriedade de uma única pessoa que comandava e ditava o ritmo da produção, sendo também na indústria manufatureira que veremos surgir a produção em série e divisão do trabalho. Agora cada artesão era responsável por apenas uma parte do processo de produção e devia se especializar na mesma. Isso aumentava a capacidade de produção. 

Com a especialização do trabalhador em determinadas tarefas, a maioria acabou por perder a noção da cadeia produtiva como um tido. Ao considerar os países envolvidos na Revolução Industrial e de acordo com as inovações tecnológicas, há uma divisão feita pelos historiadores para que possamos compreender os momentos da Industrialização. São três momentos distintos e muitos estudiosos defendem que já estamos no quarto momento da Revolução Industrial, após o advento da informática. 

Primeiro momento (séculos XVIII e XIX) 

O primeiro momento da Industrialização ficou concentrado no território do Reino Unido, tendo como destaque o tear mecânico utilizado na indústria têxtil. O aperfeiçoamento e a utilização de máquinas a vapor, foram cruciais para o desenvolvimento das fábricas. Ou seja, temos assim a Primeira Revolução Industrial.

Segundo momento (séculos XIX e XX)

A Industrialização já estava consolidada em algumas áreas da Europa para além da Inglaterra, em países como a Bélgica, França, Alemanha, Itália e Rússia e chegando em outros continentes como a América; nos Estados Unidos; na Ásia, no Japão. O processo de avanços tecnológicos foram tão significativos que foram caracterizados como a Segunda Revolução Industrial. As principais inovações tecnológicas foram a utilização do aço, a utilização da energia elétrica e dos combustíveis fósseis como o petróleo, a invenção do motor a explosão e o desenvolvimento de uma indústria química eficiente. 

Os meios de transporte e comunicação também surgiram nesse período, como por exemplo, o automóvel, o avião, o telefone, o rádio e o cinema. É significativo que a maioria dessas inovações tecnológicas foram acessíveis à maioria da população ocidental. 

 Impactos da Revolução Industrial na sociedade

As mudanças que a chamada Revolução Industrial causaram inúmeras transformações econômicas, sociais, nas relações de trabalho, na demografia e nas paisagens urbanas.

Uma questão muito bem debatida entre historiadores, sociólogos, economistas, entre outras áreas, discutiram as condições de trabalho dos trabalhadores da Inglaterra. Os capitalistas, proprietários dos meios de produção, visavam lucros maiores e a expansão da produção, assim como a abertura de novas empresas; para tanto; era preciso se empenhar em obter liberdade econômica, mercado consumidor para sua produção e uma mão de obra que fosse muito barata, mais uma vez, a tentativa de expansão do lucro. 

Sendo assim, os trabalhadores das empresas do início do século XIX recebiam salários muito baixos. Os valores muito baixos, obrigavam todos os membros a trabalharem nas fábricas para que pudessem sobreviver. Outro fator importante a ser considerado, eram as jornadas de trabalho, que podiam chegar a ter mais de 15 horas por dia, em instalações precárias que comprometiam a saúde dos trabalhadores. Mesmo que a Medicina estivesse avançando junto aos avanços tecnológicos, a propagação de doenças ligadas às péssimas condições de trabalho e da moradia dos trabalhadores.

Outra problemática do período, foi o trabalho infantil e feminino; que embora não tenha surgido na Revolução Industrial; a partir desse momento passava a disputar espaço junto aos homens e também era prática unânime, mulheres e crianças receberem salários menores e suportarem jornadas de trabalho iguais aos dos homens adultos. As mulheres além de todas essas questões, ainda possuíam a tarefa dos trabalhos domésticos e de cuidados dos filhos.

Movimento de luta dos trabalhadores

Muito se enganam aqueles que imaginam que os operários não reagiram às tais condições de trabalho e de vida aos quais foram impostos. Para tanto, foram criados logo no início do século XIX, grupos de operários que quebravam e destruíam fábricas e maquinários que acreditavam ser a origem da exploração pelas quais os mesmos passavam. No mesmo período, foram criados os primeiros sindicatos, que estão presentes atualmente em diversas categorias de trabalhadores, para defender os interesses dos mesmos. 

Crescimento demográfico e a urbanização

Mesmo com as péssimas condições de vida e de trabalho, a população mundial ao redor do mundo cresceu de maneira significativa nos séculos posteriores à Revolução Industrial. Para que possamos uma dimensão exata desse crescimento, temos de analisar os dados do historiador René Remond, onde ele demonstra que em 1801, apenas Londres e Paris possuíam mais de 500 mil habitantes. Porém, no final do século XIX a cifra de cidades com mais de meio milhão de habitantes sobe para 19.

Outra realidade após a Revolução Industrial é a inversão no número da população urbana e rural. Ou seja, até o início do século XIX, a maioria da população mundial residia na área rural, porém esse quadro se altera bruscamente no início do século XX e atualmente temos mais de 85% da população mundial vivendo em centros urbanos. 

Os palcos das próximas etapas da Revolução Industrial, vão ocorrer em outros continentes e com inovações tecnológicas cada vez mais avançadas. Sendo a industrialização e o modo capitalista de produção sendo disseminado em todos os países ao redor do globo terrestre.

Maringá / PR
Graduação: Licenciatura em História (Universidade Estadual de Maringá (UEM))
História - 1ª Guerra Escravidão no Brasil América Pré-Colombiana Revoluções História - 2ª Guerra Baixa Idade Média História Geral
Professora de História formada por uma das melhores Universidades Estaduais do país. Assim como também dançarina de Zumba a mais mais de 5 anos
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