O Livre Mercado e seus Inimigos – L. von Mises

Economia Microeconomia
O Livre Mercado e seus Inimigos – L. von Mises
Samuel S.
em 14 de Setembro de 2020

O Livre Mercado e seus Inimigos – L. von Mises – Resumo

Introdução

O livro trata de uma série de palestras tradas na Fundação para a Educação Econômica em Nova Iorque por Mises por volta dos seus 70 anos. Os administradores desse instituto tinha muito apreço por mises, e isso começou logo quando se conheceram. No primeiro jantar que tiveram juntos Mises foi perguntado o que faria caso se tornasse, por algum advento divino, um ditador. Ele prontamente respondeu que renunciaria. Demonstrando assim sua sabedoria, ao nem cogitar uma posição definitivamente má e antieconômica.

1ª PALESTRA: A ECONOMIA E SEUS OPONENTES
 
 Desde Platão é defendido, por alguns intelectuais, que a força é a maior virtude de um governo, pois assim é possível colocar em prática planos, que sabemos hoje ser utópicos e negativos ao individuo. Devido aos conhecimento desenvolvidos por vários econômicas clássicos e austríacos, sabemos que o que o que gerá a melhor de vida e conforto das pessoas é o acumulo de capital, e isso ocorre não porque "o padeiro quer fazer bem aos outros", mas porque quer lucrar com seu serviço.
 Pare vencer todas essas doutrinas falaciosas, é necessário fazer diferente do que a maioria dos filósofos faz até hoje: deixar de atacar as consequências nefastas e começar a atacar a base filosófica fraca. Só é possível com a consciência de que essa guerra não é uma falsa dialética, a luta não está entre esquerda e direita, até porque desde o começo esquerda e direita por vezes se uniram em seus objetivos, um exemplo é o Nazismo, que em muita parte se deu graças ao intelectuais considerados "hegelianos de direita".

2ª PALESTRA: PSEUDOCIÊNCIA E COMPREENSÃO HISTÓRICA

 Não podemos nos referir ao conhecimento nas ciências humanas da mesma forma que fazemos nas ciências naturais. A estrutura epistemológica dessas duas ciências são distintas. No campo das ciências naturais não temos os conhecimentos dos fins. Entendemos o porque os planetas giram em torno do Sol, mas não sabemos o porque. E quanto mais se estuda o fenômeno, compreendendo os seus meandros, melhorando a matemática, generalizando as teorias, a pergunta do porquê o fenômeno ocorre ainda continua. No campo da ação humana é diferente, mesmo os humanos atuais se por algum fenômeno estranho fossem levados a época das cavernas, perceberiam através da lógica que o movimento que esses primitivos fazem em geral das fogueiras, por exemplo, tem fins claros: se aquecer, cozinhar etc.
 Um filosofo importante, Comte, dizia que essa distinção era um erro, que seria possível ter a mesma objetividade das ciências naturais na ciência humana. Ao estudo desses fenômenos Comte deu o nome de sociologia. Esse é um programa autocontraditório, pois não se pode determinar nenhuma lei geral a partir do estudo da história. Como diz Mises: As observações da história são sempre fenômenos complexos, interconectados de uma maneira que torna impossível a associação precisa de certa parte do resultado final a causas específicas. Portanto, o método do historiador não tem nada em comum com os métodos da ciência natural. Diferente da lei matemática que Comte busca na história, não existe uma relação constante entre magnitudes nas relações humanas tal qual existe nas ciências naturais por meio das equações físicas.
 Eventualmente as ideias de Comte fora temporariamente deixadas de lado, principalmente com os esforços de Edmund Burke e o desenvolvimento da lei natural, regras que servem para todas as pessoas unicamente pelo fato de sermos humanos e conscientes. Porém, as ideias de Comte se tornaram, novamente, o paradigma científico e econômico. Esquecem-se do básico, suficiente para refutá-las: que uma tendencia não é boa somente por ser uma "evolução".

3ª PALESTRA: O HOMEM EM AÇÃO E A ECONOMIA

 O homem não é neutro para as coisas em seu meio, por isso tenta mudá-lo a partir de ações propositais. Necessidades para isso envolvem conceitos como meios, fins, lucro, perda, prazos etc, todos elementos centrais no estudo da economia. por isso a economia é um ramo da ação humana, que por sua vez é uma ciência a priori, ou seja, o conhecimento dela (e das leis econômicas) é derivado da razão, e não da observação como as leis da física, pois a experiência histórica (que seria o "material" a ser estudado para a criação de leis a posteriori da ação humana) é sempre muito complexo e não pode ser isolado como um experimento em laboratório (o ato de "isolar" um indivíduo já muita seus paradigmas de meios, fins, lucro, perda, prazo etc). 
 Talvez algumas pessoas achem que o conhecimento lógico não possa derivar nada tacteável, mas físicos como Einstein mostraram a relação direta entre matemática (uma ciência lógica) e os meios materiais (natureza). Da mesma forma que na matemática, a economia também pode derivar leis da lógica. Uma dessas leis é a da troca: só fazemos trocas pois, como toda a ação, queremos transformar a nossa situação para algo melhor. Se isso não fosse verdade, não existiram motivos para fazer a troca. Trocas nunca ocorrem com a intenção de perda. Para que isso ocorra de forma natural é necessário que exista a propriedade privada, a divisão do trabalho e a troca indireta em termos de um denominador comum (dinheiro). Sem essas condições transcendentais a troca ela não ocorre nos moldes lógicos. Condições que prejudicam esses três pontos, como a inflação, destroem as trocas e por consequência as benesses advindas dela.
 Alguns cientificistas acreditam que a economia deve ser como a física, evoluir da analise qualitativa para a quantitativa. Porém não existem relações constantes na economia que permitam esse tipo de epistemologia. Assim, a economia por sua estrutura lógica continua sendo qualitativa, toda a analise numérica envolvendo economia fica a carga da história econômica, que não nos informa nada sobre o futuro (ao menos nada que não possa ser derivado da lógica).

4ª PALESTRA: MARXISMO, SOCIALISMO E PSEUDOCIÊNCIA

 Marx nunca foi de explicar bem os meandros de sua teoria. Baseado na teoria de Hegel que falava sobre a inevitabilidade das dicotomias darem soluções aos problemas, Marx desenvolveu a sua inevitabilidade história do socialismo, no qual as forças produtivas materiais liberariam a este após a amadurecimento do capitalismo. Marx, sem dar muitas explicações, disse que essas forças produtivas levariam ao comunismo com a mesma lógica de uma lei matemática, independente do que as pessoas fizessem, essa história já estava escrita. Essa ideia marxista era discutido no "materialismo histórico e dialético". Materialismo é uma forma de tentar explicar as funções da alma ou da mente de um individuo e as funções do corpo. Os materialistas dizem que todas as funções mentais são derivadas de condições corporais., ignorando assim qualquer metafísica. Dai surge uma famosa frase até os dias de hoje dita por Feuerbach: você é o que você come.
 Toda a sua teoria está construída em cima das tais "forças produtivas materiais", mas em momento algum Marx explica o que é isso. Essas questões aleatórias referentes a obra de Marx toma seu ápice em sua morte. Engels no discurso do seu sepultamento diz que "como Darwin, que descobriu a lei da evolução na natureza organiza, Marx descobriu a lei da evolução história, ou seja, o fato simples, até aqui encoberta pelas exuberâncias ideológicas, de que todos os homens precisa,, antes de mais nada, comer beber, ter abrigo, roupas, antes que possam perseguir a politica, ciência, a arte a religião e afins." Tudo isso é obvio, ou seja, ele ganha louros por algo totalmente obsoleto, que por sinal já tinha um ditado envolvendo-o desde a Idade Média que diz: "primeiro você deve viver, e depois pode ser um filosofo". Os defensores do marxismo usam essa obviedade para sustentar toda a filosofia marxista e deixá-la sem refutação.
 Marx em sua filosofia polilógica, ou seja, que diz que as pessoas tem estruturas pensantes diferentes, afirma que não é o individuo que pensa, mas sim a classe, porém, novamente, não explica o que é classe. Em "O Capital" existe um capítulo chamado "Classes", ele então cita o que classes não são, mas não diz o que elas são. Engels disse que essa obra não foi finalizada, mas na verdade Marx parou de escrevê-la bem antes de morrer. Baseado nessa incoerência, alguns sindicalistas marxistas dizem que os trabalhadores dos Estados Unidos são atrasados em consciência de classe. Se pode existir a falta de consciência de classe, como é possível dizer que existe algo como interesse de classe?
 Por mais que a teoria diga que classes pensam diferente, toda a teoria marxista foi criada pelos chamados burgueses: Marx, Engels e todos os seus apoiadores na época faziam parte da sociedade vitoriana. Em certo trecho dos seus livros diz que levando em conta o avanço ao socialismo, mesmo alguns burgueses entrariam nas trincheiras. Mas em nenhum momento ele explica porque toda a "alta cúpula" do marxismo é burguesa. A incoerência com os atuais marxista continua. Após a morte de Marx, Engels clama aos congressistas alemães que não façam nenhum tipo de "estado de bem-estar social" para que assim o capitalismo amadureça e que chegue o socialismo rápido, diferente dos sindicalistas marxistas atuais que pedem todo tipo de auxílio aos estados, como o Bolsa Família por exemplo.
 Todo estado que aplicou nominalmente o socialismo tem alguma espécie de "Partido Comunista". De acordo com a teoria marxista, já que o socialismo é uma inevitabilidade histórica, ele surgiria mesmo sem o partido, para isso alguns comunistas atuais dizem que o partido "funciona como uma parteira", o que permite a interferência desses nos mais diversos âmbitos políticos e econômicos para "ajudar o socialismo a nascer". Sua teoria, de acordo com ele, provava que seria impossível chegar a qualquer tipo de verdade enquanto houvesse classes, mas curiosamente aponta algumas verdades bem estranhas, pegando muito da filosofia da dicotomia de Hegel, como por exemplo o fato de que o estudo da balística não se dá porque pessoas querem matar outras, mas é uma teoria correta porque pessoas querem mantar.
 Marx sempre se manteve fiel a sua teoria de evolução, que o mundo deveria passar pelo feudalismo, depois capitalismo e após esse estar maduro chegaria ao socialismo. Ou seja, países que não passaram pelo capitalismo e se desenvolveram não poderiam se tornar socialistas. Ocorre que certo dia tentou reescrever esse trecho da teoria, mas como percebeu que era um erro, deixo esse escrito de lado. Engels após sua morte copiou esse bilhete e mandou para uma socialista na Rússia, um país completamente feudal, mas que com esse “pequeno erro” pode começar um levante socialista.
 Sua teoria tinha muitos erros, o principal deles no que se refere a economia é a mais-valia. Parte desse problema ocorreu pois os economistas demoraram pra responder uma questão econômica importante: porque o ouro, que tem menos uso, custa mais caro que o cobre. Isso ocorre porque, numa troca, as pessoas levam em conta a quantidade do material que tem em mãos, não todo o material existente na terra, se fosse o caso o cobre, por ter muito mais utilidade que ouro, também teria mais valor. Quanto maior a quantidade disponível, menor o valor por unidade, e menor a satisfação por unidade. Essa foi a teoria da utilidade marginal.


5ª PALESTRA: CAPITALISMO E PROGRESSO HUMANO
 
 Até cerca de 250 anos atrás, o mundo todo era economicamente igual. Tanto ocidente quanto oriente. O que causou grandes mudanças nos dois lados do planeta foi a chamada Revolução Industrial. Alguns lugares do mundo não se desenvolveram porque as ideias que fizeram surgir a Revolução Industrial não foram ouvidas nestes lugares. A Grécia é um exemplo. Hoje sabe-se que os gregos já dominavam a tecnologia para fazer trens, mas nunca colocaram essa ideia em prática pois sua mentalidade não era desenvolvida como os liberais ingleses. Os gregos achavam que os trens causariam o chamado desemprego tecnológico e também tinham em mente que uma transação comercial é algo unilateral, só o vendedor lucra enquanto quem compra sempre perde. A importância das ideias é negligenciada. Pensasse que os países ricos devem dar dinheiro aos mais pobres, mas na verdade o que realmente importa é que esses países tenham capitalismo suficiente para fazer investimentos e mandar seus estudantes para fora. Independente do que muitos possam argumentar, que esse dinheiro extra não traria felicidade aos países, não deve-se ignorar o fato que, pelo menos, na dimensão familiar ele ajuda, afinal de contas a mortalidade infantil diminuiu absurdamente após a revolução industrial.

6ª PALESTRA: DINHEIRO E INFLAÇÃO

 Dinheiro é uma commodity, e como qualquer commodity, a quantidade deste influencia no seu valor. A inflação ocorre pois algumas pessoas percebem com antecedência as ações estatais em relação a moeda. Nem todos são assim, por isso sempre temos aqueles que ganham e outros que perdem nestes momentos. Para tentar controlar a inflação, alguns economistas alemães pós-primeira guerra disseram que era necessário taxas e empréstimos. Porém, os diretores dos bancos central usarem essa regra para piorar a situação, lavando suas mãos para o problema que surgiria, a hiperinflação. Vemos que esse problema, e sua relação com o preço do ouro, perdurou por décadas.

7ª PALESTRA: O PADRÃO-OURO: SUA IMPORTÂNCIA E RESTAURAÇÃO
 
 Na inflação, a quantidade de dinheiro adicional chega primeiro as mãos do governo, que usam para os seus fins, em geral comprar armas, esses donos de armas podem preferir comprar, por exemplo, bebidas do que livros, sendo assim a indústria de bebidas também sai ganhando com a inflação. No fim dessa cadeia quem se dá pior é aquele que não recebe pro esses serviços, que são os assalariados. Aqueles que ganham com a inflação nunca dizem que seus lucros são devidos a eles, e não pela melhoraria de seu serviço, se estes grandes empresários que ganharam seu poder com lobby sofressem, talvez seriam mais ouvidos do que os pobres assalariados.
 A inflação nem sempre foi tão simplesmente agravada. Isso ocorreu precisamente depois que o padrão ouro foi negligenciado, e por fim abandonado. Isso começou a ocorrer no pós-segunda guerra, quando a Inglaterra prometeu manter o valor do ouro o mesmo que era antes da guerra. O problema é que controlar esse câmbio acabou criando problemas pra Inglaterra, que viu todas as suas reservas em ouro indo para outros países, onde este era mais valorizado pois seu cambio flutuava livremente.

8ª PALESTRA: DINHEIRO, CRÉDITO E O CICLO ECONÔMICO
 
 Os substitutos de dinheiro (dinheiro de verdade, como moedas de ouro) os papeis coloridos chamado moeda-fiduciaria, inicialmente foram vistos com desconfiança pelas pessoas. Hoje em dia isso é difícil de acontecer pois a cultura mudou e, principalmente, porque o governo obriga utilizar essa moeda impressa por ele próprio. Essa impressão exacerbada acaba criando as depressões, que se tornaram tão periódicas que muitos acham que é culpa do capitalismo.
 Essa ação sempre danosa de imprimir dinheiro era atacada pela Escola Monetária, porém não levaram em conta que os talões de cheque poderiam criar a mesma inflação, por deixarem isso de lado e a inflação na Inglaterra ter surgindo mesmo após a parada de impressão de notas, essa Escola Monetária ficou desacreditada. Esse tipo de ação acaba envolvendo o juros, que é uma moeda politica muito importante, por isso os chefões da mafia estatal tentam controlá-la, sempre diminuindo-a. Quando há uma tendencia de aumento de preços, a taxa de juros é aumentada acima da taxa de juros real. Esse aumento adicional na taxa de juros é o "ágio". Portanto, uma taxa que seja considerada matematicamente mais alta em comparação a taxa anterior é ainda muito baixa para o que deveria ser em consideração tanto a taxa de juros como ao ágio. Por exemplo na Alemanha. O banco central elevou a taxa de desconto para o patamar jamais visto de 90%, mas o ágio naquela época era tal que a taxa de desconto deveria ter sido fixada em algo próximo a a 10000%.
 Alguns políticos e economistas propõe que a impressão de dinheiro que está acontecendo (independente de quando a frase é dita) não irá gerar uma crise. Mas isso é sempre uma mentira, ou os bancos param de imprimir, e assim geram uma depressão, ou continuam a imprimir e geram a hiperinflação. Quanto mais tarde vier a depressão, mais capital terá sido desperdiçado, e piores serão as consequências.

9ª PALESTRA: O CICLO ECONÔMICO E ALÉM

 Por comparar a condição de um individuo com a condição de uma nação inteira, os políticos cometem erros em períodos de crise. Uma das ações anticrise destes é, quando está chegar, tirar da prateleira uma série de projetos. Resumidamente: deslocar o dinheiro de um local para o outro por meio de impostos que financiarão esses projetos não faz surgir mais riqueza. Se o governo, por meio de uma taxa sobre produção, tenta eliminar os lucros, confiscá-los, e assim, impedi-los de gerar as consequências. que se seguiriam sem essas taxas, a operação do mercado é considerada enfraquecida. O resultado é que o progresso econômico e a tendencia a melhoraria do sistema capitalista são eliminados e a rigidez entra no sistema. Qualquer nova taxa prejudica aquele que quer entrar no mercado mas não tem capital de giro para manter seus negócios. É apenas com uma moeda forte livre da canetada de governos, ou seja, preços de mercado, que a economia não sofrerá mais depressões.

4,6 (9)
17 horas ministradas
Joinville / SC
Pós Doutorado: Física (Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC)
Professor de exatas doutor pelo ITA e pós-doutor em física, com mais de 10 anos de experiência. Primeira hora NA FAIXA.
Oferece aulas online (sala profes)
Oferece aulas presenciais
R$ 40 / aula
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1ª aula demonstrativa
Responde em 12 min
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Patricia D.
em 14 de Setembro de 2020

Muito bom!!

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Ana L.
em 14 de Setembro de 2020

Ótimo resumo, parabéns!

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